quinta-feira, 11 de junho de 2015
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Sucede ou não sucede?
Continuo consternado pelo terrível acidente que vitimou Eduardo Campos e comitiva, porém acho que é hora de expor algumas de minhas conclusões preliminares sobre sua sucessão:
Não é simples a indicação de Marina pelo PSB. Primeiro, porque o partido de Marina Silva é (ou melhor, será) o Rede Sustentabilidade, não o PSB.
Seus planos não incluíam, portanto, sua permanência na agremiação liderada por Campos por longos anos. Seu acordo com ele para 2014 consistia em o PSB oferecer a legenda a alguns de seus correligionários candidatarem-se aos parlamentos estaduais e nacionais (os quais depois a seguiriam ao Rede), em troca de sua presença na chapa como candidata a Vice Presidente, bem como num eventual governo Campos. Como se vê, um acordo muito programático e nada pragmático (Só Que não).
Ademais, são inúmeros os anti marinistas na agremiação 'socialista', especialmente naqueles setores do partido que orientavam a candidatura de Eduardo Campos à direita (por mais que você não queira admitir, Eduardo Campos infelizmente estava comprometidíssimo com setores econômicos bastante atrasados).
Ocupar este lugar histórico em meio à terrível tragédia não faz de Marina uma ´heroína salvadora ungida', pelo contrário: exacerba seu posicionamento político ambivalente, já demonstrado em sua irresponsável incursão eleitoral com o PV em 2010. Mais do que a evidente crise nas instituições políticas, em especial nos partidos, a postura da ex-senadora tem indicado algum desvio ético de sua parte e faz de sua possível candidatura um empreendimento eleitoral bem menos consistente que o anterior.
Digo possível candidatura, porque, embora eu não seja louco de adiantar a posição a ser tomada pelo PSB nos próximos dias, eu não dou como certa sua indicação.
Para Campos e para setores minoritários do seu partido, Marina era uma peça do marketing político, não uma forte aliada, como o arranjo para o governo de São Paulo, por exemplo, mostra bem. Outrossim, Marina não é uma boa candidata, seja pelos seus parcos conhecimentos sobre economia e política internacional, seja pelas suas amarras religiosas, que comprometem sua relação com movimentos sociais, em especial aqueles voltados à defesa e à afirmação de direitos humanos.
Caso ela aceite essa sucessão que, em outros casos seria absolutamente 'natural', ela colocará o PSB em situação de extrema cisão interna - a não ser que se costure em tempo recorde um acordo complexo que realinhe distintos interesses econômicos dentro da candidatura.
Caso ela venha a ser indicada, não terá meios institucionais de fazer uma boa campanha eleitoral, além dos meios oficiosos de que já dispõe: a caneta e a voz de eleitores e eleitoras incautos que, marginalizados pela má informação que recebem da grande imprensa - insuficiente e enviesada - continuarão a atestar uma qualquer pureza de princípios que, em política, não existe, muito menos em se tratando de Marina Silva e do finado Eduardo Campos, artífices de uma das jogadas políticas mais oportunistas e negativas da política brasileira das últimas décadas.
Oportunistas porque baseada em interesses momentâneos e pequenos; negativa porque enganadora e capaz de mobilizar o desejo genuíno de mudança de parte da população que não se sente mais representada pelo modelo de democracia que se exprime no mundo ocidental e, particularmente, no Brasil. A solução para este problema histórico nunca passou por Marina Silva, com seu sonhar deslocado, seu discurso frágil e suas intenções políticas bastante questionáveis.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Da Cultura do Ódio no Brasil
Há uma verdadeira cultura do ódio instalada e aceita no Brasil e é preciso que a sociedade brasileira inicie imediatamente uma reflexão responsável sobre tudo isto. Em um mês, ao menos dois inocentes foram mortos por linchamento.
Eu tenho vergonha disso, mas vou repetir o que eu disse, em outros termos: NÓS MATAMOS DOIS INOCENTES. Nós os espancamos até que morressem.
Não é apenas uma força de expressão, este NÓS. Temos deixado passar incólumes inúmeras manifestações diárias de ódio nos meios de comunicação, nas igrejas fundamentalistas, no Congresso Nacional, nas vizinhanças mal informadas, nos telejornais e em toda a imprensa.
Esses "atores" e "atrizes" vêm plantando no senso comum um conjunto de ideias descabidas, sem que as organizações, governamentais e não governamentais, se posicionem firmemente e, principalmente, atuem para PUNIR esta quadrilha de insufladores da violência. São estas manifestações que alimentam o instinto linchador que tanto tem nos envergonhado e entristecido.
Enquanto "convivermos" com isto seremos CÚMPLICES desta absoluta barbárie em nosso país.
Esse ódio tem diversas faces, todas monstruosas. Ele se manifesta nesses linchamentos/justiçamentos, porém ele também está presente em outros aspectos de nosso cotidiano. Por exemplo, na misoginia, na homofobia, no racismo, na criminalização dos movimentos sociais em defesa dos direitos humanos e, também, na incessante disseminação de mentiras e informações distorcidas sobre a realidade brasileira.
Juntos, esse bolo fétido de palavras de má-fé causa a sensação de pânico e de desesperança nas pessoas mais propensas a essas influências, ainda que a vida material esteja melhor.
Por isso, há sangue nas mãos de governantes, de pastores, de promotores de justiça, de juízes e demais operadores do Direito, de lideranças sociais e partidárias.
Todavia, principalmente, há sangue nas mesas de direção da Rede Globo, da Veja, do SBT, da BAND e da Folha, que dão espaço a mentes criminosas, pagas para propalar distorções as mais graves e de nos colocar contra nós mesmos.
Esta gente PRECISA SER PUNIDA. Eles têm sido muito maus para o Brasil e eu me pergunto se precisamos mesmo conviver com suas ações espúrias, disfarçadas de "liberdade de expressão". Que "liberdade" é esta, que cria hordas de assassinos??
Conclamo o Ministério Público, a OAB e todos os movimentos sociais, igrejas, partidos, desde que imbuídos de boa fé, para que intercedam, antes que afundemos de vez na enorme poça de sangue que impunemente cresce a cada dia.
Eu tenho vergonha disso, mas vou repetir o que eu disse, em outros termos: NÓS MATAMOS DOIS INOCENTES. Nós os espancamos até que morressem.
Não é apenas uma força de expressão, este NÓS. Temos deixado passar incólumes inúmeras manifestações diárias de ódio nos meios de comunicação, nas igrejas fundamentalistas, no Congresso Nacional, nas vizinhanças mal informadas, nos telejornais e em toda a imprensa.
Esses "atores" e "atrizes" vêm plantando no senso comum um conjunto de ideias descabidas, sem que as organizações, governamentais e não governamentais, se posicionem firmemente e, principalmente, atuem para PUNIR esta quadrilha de insufladores da violência. São estas manifestações que alimentam o instinto linchador que tanto tem nos envergonhado e entristecido.
Enquanto "convivermos" com isto seremos CÚMPLICES desta absoluta barbárie em nosso país.
Esse ódio tem diversas faces, todas monstruosas. Ele se manifesta nesses linchamentos/justiçamentos, porém ele também está presente em outros aspectos de nosso cotidiano. Por exemplo, na misoginia, na homofobia, no racismo, na criminalização dos movimentos sociais em defesa dos direitos humanos e, também, na incessante disseminação de mentiras e informações distorcidas sobre a realidade brasileira.
Juntos, esse bolo fétido de palavras de má-fé causa a sensação de pânico e de desesperança nas pessoas mais propensas a essas influências, ainda que a vida material esteja melhor.
Por isso, há sangue nas mãos de governantes, de pastores, de promotores de justiça, de juízes e demais operadores do Direito, de lideranças sociais e partidárias.
Todavia, principalmente, há sangue nas mesas de direção da Rede Globo, da Veja, do SBT, da BAND e da Folha, que dão espaço a mentes criminosas, pagas para propalar distorções as mais graves e de nos colocar contra nós mesmos.
Esta gente PRECISA SER PUNIDA. Eles têm sido muito maus para o Brasil e eu me pergunto se precisamos mesmo conviver com suas ações espúrias, disfarçadas de "liberdade de expressão". Que "liberdade" é esta, que cria hordas de assassinos??
Conclamo o Ministério Público, a OAB e todos os movimentos sociais, igrejas, partidos, desde que imbuídos de boa fé, para que intercedam, antes que afundemos de vez na enorme poça de sangue que impunemente cresce a cada dia.
Matadores?
Sou de uma sociedade de matadores? Nós, brasileiros/as, somos assassinos/as?
A história se repetiu: turba de assassinos/as, "gente de bem", "justiceira", cerca e espanca Fabiane Maria de Jesus até a sua morte, por SUSPEITAR se tratar de uma sequestradora de crianças para fins de magia.
A suspeita surgiu aqui, no facebook. Entretanto, já se sabe que era apenas um BOATO infundado e que a pobre mulher sofria de doença mental.
Abre-se um novo buraco em mim...
A história se repetiu: turba de assassinos/as, "gente de bem", "justiceira", cerca e espanca Fabiane Maria de Jesus até a sua morte, por SUSPEITAR se tratar de uma sequestradora de crianças para fins de magia.
A suspeita surgiu aqui, no facebook. Entretanto, já se sabe que era apenas um BOATO infundado e que a pobre mulher sofria de doença mental.
Abre-se um novo buraco em mim...
quinta-feira, 17 de abril de 2014
PSOL, cadê?!
Acho engraçado Jean Wyllys escrever tantas linhas a anunciar um 'longo inverno' na política nacional, sempre por meio das pífias figuras de linguagem que já se tornaram em suas marcas, contra PTs e PSDBs, sem mencionar, em uma linhazinha sequer, as contradições que marcam a atuação do seu próprio partido, o PSOL.
No afã de derrubar o governo de centro-esquerda petista, esta agremiação partidária tem reiteradamente agido como força auxiliar da direita mais sórdida (vale sempre dizer que este tipo de aliança estranha não tem sido exclusividade brasileira, uma vez que ocorre em outras recentes alternativas políticas do mesmo espectro político, em Espanha, em Portugal, na Itália e na França, por exemplo). Isto, sem falar do mal resolvido e bem abafado caso de suposto caixa 2, envolvendo membros do partido, principalmente do Rio de Janeiro, onde ele tem mais força eleitoral.
Por outro lado, justiça seja feita, é este mesmo PSOL que se apresenta, em 2014, como um valioso - e único - baluarte da defesa dos direitos humanos no Brasil. Esta louvável postura, entretanto, não tem implicado, até agora, a apresentação de compromissos mais consistentes do ponto de vista da administração pública. Portanto, do Jean, como de outros dos seus correlegionários, espera-se o esclarecimento das propostas de políticas públicas sociais, culturais e econômicas que perfarão o programa de governo do PSOL.
Mais clareza de ideias e menos maniqueísmo fariam muito bem à esquerda brasileira, carente de alternativas.
Neste sentido, fica difícil aceitar que o nobre deputado - cujo mandato, como homossexual, eu louvo, apoio e ratifico - continue a acusar este ou aquele segmento da imprensa de desonestidade intelectual.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Marina Silva e sua biografia contraditória
É algo intrigante para mim:
Marina Silva era uma líder no PT, influente e respeitada. Fica fula porque não é a escolhida para ser a candidata do partido à presidência da República e o abandona, ressentida.
Primeiro, alinha-se ao PV, antro de conservadores e fisiologistas, que a lança candidata em 2010 e, logo após as eleições, a escanteia desrespeitosamente, mostrando quão perigosa teria sido sua eleição.
Anos depois, volta com seu bla bla blá e tenta criar um partido próprio, para novamente concorrer, em 2014. Não conquista assinaturas suficientes, mobiliza seus novos padrinhos para tentar aprová-lo no tapetão do STF e, não o conseguindo, alista-se no PSB de Eduardo Campos, partido com o qual, pouco antes dela, já haviam se alinhado grandes representantes da velha direita, entre eles, Ronaldo Caiado, membro da mais fétida aristocracia ruralista e escravocrata brasileira.
É algo incompreensível para mim, porque não se trata de uma coligação, mas de um alinhamento, de um compadrio mesmo.
Só se pode concluir que Marina Silva, além de ególatra e ressentida, é também uma traidora despudorada dos seus princípios e de suas raízes.
Adoraria ouvir a pergunta que um provavelmente embasbacado Chico Mendes faria à sua antiga companheira de lutas agrárias, a qual agora aponta o veemente neoliberal, ex-ministro de FHC, Armínio Fraga, como seu guru em matéria de economia.
Imprensa e Petrobrás
Comentário ao comentário do Nelson Simões, em uma postagem minha no Facebook:
O problema da imprensa tendenciosa está longe de ser um 'privilégio' brasileiro. O avanço do capitalismo neoliberal se deu justamente com o intrincado plano de criação de um modelo de comunicação, que cuidou de manter o controle dos grandes meios nas mãos das corporações (embora na Europa existam - ainda - fortes redes de comunicação estatais operando com força, mas aí há que se perguntar a quem servem esses estados, de todo modo, nem tudo é privado nesse meio).
A história mostra que o avanço neoliberal se deu acoplado a um complexo esquema de propaganda de costumes e de valores caros ao capital. Obviamente, o comunismo e o socialismo de estado, experiências baseadas em 'projetos' de eliminação de classes sociais pela eliminação da sociedade privada, cuidaram de criar suas agências de propaganda e seus líderes carismáticos, uma vez que a imposição de um sistema de dominação exige, como bem mostra Max Weber, da aceitação do dominado.
Portanto, no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, assim como na China e no Oriente Médio (onde ainda os EUA não detém o poder), as informações veiculadas pelo que eu chamo de 'jornalismo hegemônico' devem ser lidas com enorme cuidado.
Ocorre que a internet veio a nos ajudar bastante.
Basta que passemos a ter o hábito de, ao menos nas matérias de interesse pessoal, sejam econômicas ou políticas, que passemos a ter o hábito de ler diferentes fontes de informação, de 'seguir' diferentes organismos e profissionais do jornalismo, de modo a, num trabalho analítico, tirarmos as conclusões sobre aquilo que é veiculado.
No Brasil, os casos de manipulação de dados e informações pelos grupos de mídia ainda dominantes são conhecidíssimos, podendo eu citar, por exemplo, o apoio ao golpe de 1964, a manipulação do debate lula x collor, em 1989, o assassinato de Chico Mendes, o Mensalão, o caso Erenice Guerra, o caso Humberto Costa, a inflação do tomate, dentre tantos outros. A única coisa que serve de denominador comum a todas essas investidas é a irrestrita adesão desses grupos empresariais ao projeto neoliberal.
Isso não é de estranhar, afinal, são apenas cerca de 11 famílias que controlam os principais veículos de comunicação no nosso país, sendo que todos estão atrelados aos ditames das potênciais e das grandes organizações privadas ocidentais, uma vez que são articulados aos fluxos de capital financeiro desde sempre. O que se vê, na atual fase do capitalismo, é um enorme esforço desse segmento econômico hegemônico de manter seu controle sobre os Estados.
O seu ímpeto consiste em esfacelar os projetos de estados-sociais europeus e, no caso da América Latina, em operar sobre os organismos públicos locais sem forças opositoras, no sentido de manter sob seu controle as principais fontes de riqueza destes países, cujas frágeis democracias ainda estão em formação (embora este conceito de democracia frágil já se aplica, há muito, a diversos países europeus, por exemplo, Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia e, principalmente, Itália, com sinais de que a França caminha para uma república fundamentalista e, por isso mesmo, autoritária. Hoje já se pergunta: "existe democracia?". Só tolos e tolas acham que os EUA e o UK sejam exemplos de democracia plena).
Voltando ao brasil, falemos sobre o PT. Seu projeto de poder está longe de ser um projeto revolucionário. Nunca o foi!
Pelo contrário, tenta criar condições para mudanças substanciais e o faz por uma via arriscada. O PT optou pelo 'paz e amor' de uma gestão, sem contrariar fortemente o capital especulativo e operando a economia em bases neoliberais.
Outro sinal de sua deficiência enquanto projeto de poder (legítimo: todo partido nasce para conquistar e manter poder político) é justamente a falta de um programa de comunicação, daí, este partido patina nas manchetes dos nossos grandes jornais e fica refém da boataria e da maledicência.
O nosso sistema político também não foi combatido e muitos petistas, por egolatria, vaidade, mau-caratismo, prepotência ou ingenuidade, caíram na rede de fisiologismo que corrói nossa confiança nas instituições que sustentam nossa democracia. Contudo, eu devo admitir que eles não são os mais corruptos (pesquisas mostram isto) e têm um mérito administrativo inegável, que se traduz justamente no tipo de agenda que o partido criou para as suas políticas sociais, tendo em vista as políticas econômicas viciadas em neoliberalismo e, principalmente, em relação ao controle das empresas estatais.
Os ganhos da Petrobrás, nos últimos anos, são inegáveis. A empresa, segundo obviamente as fontes que eu consulto e confio, teve a audácia de apostar em pesquisa e, dados estes investimentos, lançou-se com ainda maior ousadia nas bolsas de valores e, a despeito do que se vem propalando, o fez com extremo sucesso.
Sobre Pasadena, também com base nas 'minhas' fontes, a desconfiança reside no fato (já comprovado) de que o antigo diretor não entregou o relatório completo em tempo hábil a todo o conselho e, no seu resumo, omitiu as tais clausulas. Claro, todo o conselho deveria ter adiado a decisão, mas dadas as condições da época e o plano estratégico da Petrobrás, foram 'de supetão', sem terreno firme. Dilma e todo o conselho deveria, sim, ter exigido mais celeridade ao diretor ou adiado a decisão.
Outro ploblema, investigado pelo Ministério Público (que já conhece há tempos o problema Pasadena) e pela própria Petrobrás, diz respeito à existência de de uma espécie de comitê lobista nos EUA, que poderia viciar as decisões da empresa. Até onde se sabe, apesar disto tudo, a refinaria já 'se pagou'.
Por trás deste pseudo-escândalo criado pela nossa imprensa neoliberal, estão como sempre os mesmos atores internacionais (e muitos nacionais, óbvio), interessados nas promessas do PSDB (e, devido aos seus sinais, também do PSB de Eduardo Campos) de entregar a Petrobrás ao mercado, como queriam fazer desde os anos 90. Não são poucas as vozes sensatas que, nas últimas semanas, vêm alertando o brasil para este perigo, mas, como é de se esperar, a gente não os vê no Jornal nacional, muito menos nas manchetes de primeira página do Estadão ou da Folha (como não vemos repercutidos os crimes perpetrados por quadros do PSDB e do DEM que, protegidos pela imprensa, manipulam no judiciário para saírem ilesos e ricos de um processo de expropriação do nosso patrimônio).
Todo este longo texto, escrito em respeito a você, Nelson, tem o intuito de lhe mostrar que nós, cidadãos atentos, devemos diversificar nossas fontes de informação e, principalmente, ler criticamente o que é veiculado com grandes letras pelos jornalões e mostrado em longos minutos do telejornalismo da Globo, da Band, do SBT e até, pasme!, da TV Cultura.
É isto que tenho feito. Portanto, tenho absoluta certeza de que esta narrativa pode lhe soar estranha, e por isso mesmo posso tentar colecionar as fontes que me informam e lhas passar por mensagem. De todo modo, isto tudo não é difícil de encontrar pela internet (o Google costuma escondê-las, portanto, convém pesquisar por palavras chave e seguir uma ou duas páginas adiante).
Terei enorme prazer em continuar esta conversa com você, em privado. Por hora, envio-lhe uma resenha para um livro publicado recentemente nos EUA que, em grande medida, confirma esta 'teoria' que acabo de lhe apresentar em linhas gerais. Esta resenha é válida porque, como você sabe, para a Globo, a Abril e cia, "o que é bom pros EUA é bom para o Brasil" .
O problema da imprensa tendenciosa está longe de ser um 'privilégio' brasileiro. O avanço do capitalismo neoliberal se deu justamente com o intrincado plano de criação de um modelo de comunicação, que cuidou de manter o controle dos grandes meios nas mãos das corporações (embora na Europa existam - ainda - fortes redes de comunicação estatais operando com força, mas aí há que se perguntar a quem servem esses estados, de todo modo, nem tudo é privado nesse meio).
A história mostra que o avanço neoliberal se deu acoplado a um complexo esquema de propaganda de costumes e de valores caros ao capital. Obviamente, o comunismo e o socialismo de estado, experiências baseadas em 'projetos' de eliminação de classes sociais pela eliminação da sociedade privada, cuidaram de criar suas agências de propaganda e seus líderes carismáticos, uma vez que a imposição de um sistema de dominação exige, como bem mostra Max Weber, da aceitação do dominado.
Portanto, no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, assim como na China e no Oriente Médio (onde ainda os EUA não detém o poder), as informações veiculadas pelo que eu chamo de 'jornalismo hegemônico' devem ser lidas com enorme cuidado.
Ocorre que a internet veio a nos ajudar bastante.
Basta que passemos a ter o hábito de, ao menos nas matérias de interesse pessoal, sejam econômicas ou políticas, que passemos a ter o hábito de ler diferentes fontes de informação, de 'seguir' diferentes organismos e profissionais do jornalismo, de modo a, num trabalho analítico, tirarmos as conclusões sobre aquilo que é veiculado.
No Brasil, os casos de manipulação de dados e informações pelos grupos de mídia ainda dominantes são conhecidíssimos, podendo eu citar, por exemplo, o apoio ao golpe de 1964, a manipulação do debate lula x collor, em 1989, o assassinato de Chico Mendes, o Mensalão, o caso Erenice Guerra, o caso Humberto Costa, a inflação do tomate, dentre tantos outros. A única coisa que serve de denominador comum a todas essas investidas é a irrestrita adesão desses grupos empresariais ao projeto neoliberal.
Isso não é de estranhar, afinal, são apenas cerca de 11 famílias que controlam os principais veículos de comunicação no nosso país, sendo que todos estão atrelados aos ditames das potênciais e das grandes organizações privadas ocidentais, uma vez que são articulados aos fluxos de capital financeiro desde sempre. O que se vê, na atual fase do capitalismo, é um enorme esforço desse segmento econômico hegemônico de manter seu controle sobre os Estados.
O seu ímpeto consiste em esfacelar os projetos de estados-sociais europeus e, no caso da América Latina, em operar sobre os organismos públicos locais sem forças opositoras, no sentido de manter sob seu controle as principais fontes de riqueza destes países, cujas frágeis democracias ainda estão em formação (embora este conceito de democracia frágil já se aplica, há muito, a diversos países europeus, por exemplo, Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia e, principalmente, Itália, com sinais de que a França caminha para uma república fundamentalista e, por isso mesmo, autoritária. Hoje já se pergunta: "existe democracia?". Só tolos e tolas acham que os EUA e o UK sejam exemplos de democracia plena).
Voltando ao brasil, falemos sobre o PT. Seu projeto de poder está longe de ser um projeto revolucionário. Nunca o foi!
Pelo contrário, tenta criar condições para mudanças substanciais e o faz por uma via arriscada. O PT optou pelo 'paz e amor' de uma gestão, sem contrariar fortemente o capital especulativo e operando a economia em bases neoliberais.
Outro sinal de sua deficiência enquanto projeto de poder (legítimo: todo partido nasce para conquistar e manter poder político) é justamente a falta de um programa de comunicação, daí, este partido patina nas manchetes dos nossos grandes jornais e fica refém da boataria e da maledicência.
O nosso sistema político também não foi combatido e muitos petistas, por egolatria, vaidade, mau-caratismo, prepotência ou ingenuidade, caíram na rede de fisiologismo que corrói nossa confiança nas instituições que sustentam nossa democracia. Contudo, eu devo admitir que eles não são os mais corruptos (pesquisas mostram isto) e têm um mérito administrativo inegável, que se traduz justamente no tipo de agenda que o partido criou para as suas políticas sociais, tendo em vista as políticas econômicas viciadas em neoliberalismo e, principalmente, em relação ao controle das empresas estatais.
Os ganhos da Petrobrás, nos últimos anos, são inegáveis. A empresa, segundo obviamente as fontes que eu consulto e confio, teve a audácia de apostar em pesquisa e, dados estes investimentos, lançou-se com ainda maior ousadia nas bolsas de valores e, a despeito do que se vem propalando, o fez com extremo sucesso.
Sobre Pasadena, também com base nas 'minhas' fontes, a desconfiança reside no fato (já comprovado) de que o antigo diretor não entregou o relatório completo em tempo hábil a todo o conselho e, no seu resumo, omitiu as tais clausulas. Claro, todo o conselho deveria ter adiado a decisão, mas dadas as condições da época e o plano estratégico da Petrobrás, foram 'de supetão', sem terreno firme. Dilma e todo o conselho deveria, sim, ter exigido mais celeridade ao diretor ou adiado a decisão.
Outro ploblema, investigado pelo Ministério Público (que já conhece há tempos o problema Pasadena) e pela própria Petrobrás, diz respeito à existência de de uma espécie de comitê lobista nos EUA, que poderia viciar as decisões da empresa. Até onde se sabe, apesar disto tudo, a refinaria já 'se pagou'.
Por trás deste pseudo-escândalo criado pela nossa imprensa neoliberal, estão como sempre os mesmos atores internacionais (e muitos nacionais, óbvio), interessados nas promessas do PSDB (e, devido aos seus sinais, também do PSB de Eduardo Campos) de entregar a Petrobrás ao mercado, como queriam fazer desde os anos 90. Não são poucas as vozes sensatas que, nas últimas semanas, vêm alertando o brasil para este perigo, mas, como é de se esperar, a gente não os vê no Jornal nacional, muito menos nas manchetes de primeira página do Estadão ou da Folha (como não vemos repercutidos os crimes perpetrados por quadros do PSDB e do DEM que, protegidos pela imprensa, manipulam no judiciário para saírem ilesos e ricos de um processo de expropriação do nosso patrimônio).
Todo este longo texto, escrito em respeito a você, Nelson, tem o intuito de lhe mostrar que nós, cidadãos atentos, devemos diversificar nossas fontes de informação e, principalmente, ler criticamente o que é veiculado com grandes letras pelos jornalões e mostrado em longos minutos do telejornalismo da Globo, da Band, do SBT e até, pasme!, da TV Cultura.
É isto que tenho feito. Portanto, tenho absoluta certeza de que esta narrativa pode lhe soar estranha, e por isso mesmo posso tentar colecionar as fontes que me informam e lhas passar por mensagem. De todo modo, isto tudo não é difícil de encontrar pela internet (o Google costuma escondê-las, portanto, convém pesquisar por palavras chave e seguir uma ou duas páginas adiante).
Terei enorme prazer em continuar esta conversa com você, em privado. Por hora, envio-lhe uma resenha para um livro publicado recentemente nos EUA que, em grande medida, confirma esta 'teoria' que acabo de lhe apresentar em linhas gerais. Esta resenha é válida porque, como você sabe, para a Globo, a Abril e cia, "o que é bom pros EUA é bom para o Brasil" .
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Crime e Política: O Caso Bocaiúva-MG

Em Bocaiúva-MG, a polícia procura o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jhonny Patrick de Araújo, de 32 anos, acusado de vender armas e drogas, inclusive com uso de telefones da prefeitura. Johnny é filho de um vereador local e, segundo a polícia, traficava há muitos anos. Bocaiúva tem pouco menos de 50 mil habitantes, segundo a Wikipedia.
O atual prefeito, Ricardo Afonso Veloso, é do PSDB e chegou a ter sua candidatura a reeleição impugnada pelo TRE-MG, por denúncia de compra de votos de vereadores, em 2011 (eu suponho que este processo ainda esteja em curso).
Seguem algumas questões, as quais considero muito plausíveis:
- Sabia o prefeito das atividades criminosas do seu secretário de Desenvolvimento Econômico?;
- Qual a formação de Johnny, que pudesse justificar sua escolha para o cargo?;
- Teria o dinheiro do tráfico ajudado na campanha do prefeito Ricardo e do vereador, pai do traficante?;
- Qual a relevância do tráfico de drogas para a economia deste município, ou melhor, há uma rede socioeconômica local alimentada por ele?;
- Sendo os clientes do Johnny representantes das elites locais, que influência estas pessoas mantinham efetivamente sobre a gestão municipal? e, finalmente;
- Estarão as polícias civil e militar mineiras e o Ministério Público Estadual de MG dispostos a desbaratinar esta estranhíssima interseção entre tráfico de drogas, economia e política em Bocaiúva?Na página da prefeitura foi publicada uma nota, eximindo a administração de responsabilidades, como seria de se esperar. Na mesma página, lê-se que o prefeito Ricardo foi diretor de empresa pública, durante o governo de Aécio Neves.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Comentário a um promotor de justiça
![]() |
| O comentário deste post refere-se a este 'meme' disseminado no Facebook. |
Todos sabemos que a possibilidade de haver maior beneficiamento dos réus desta ação é mínima e que, mesmo após os embargos, eles serão presos, ainda que por medida injusta, afinal, o MP, a meu ver, não conseguiu provar a existência de pagamento de mensalidades a legisladores. Achei todo o processo uma tremenda afronta, apesar de eu querer muito que o caixa 2 seja fortemente reprimido e que isto force a dissolução de boa parte da legislação eleitoral em vigor.
É-me impossível me calar diante da seletividade deste "judiciário", da atitude performática, coreografada e excessiva de alguns dos ministros, que buscaram, contra todos os argumentos razoáveis, corroborar a tese amplamente midiatizada de que este seria o maior escândalo de corrupção da história brasileira. 'Desinformar' as pessoas por vias tão poderosas é um ato político de extrema crueldade, porque é a expressão mais evidente do poder dominante, que oprime. Pior ainda é 'manobrar' o judiciário em nome de paixões pessoais, ressaltando o privilégio das elites no que concerne à expressão da "justiça".
Tudo ao que assisti neste episódio de nossa história mostrou-me o Direito como ferramenta de opressão e me fez ver, afinal, que, em vez de bandidos o STF acabará por criar heróis e mártires. E assim se fará História.
Infelizmente, pela reação do MPF a outras extremas ações penais, não acredito que os outros tantos que, impunemente, continuam a brincar com nossos recursos venham a encontrar, numa linha reta, a face rígida e implacável da 'justiça brasileira'
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Tomates!
Mascara-se para se proteger da polícia, não para esconder a identidade dos pálidos de pretensões, puídos de ideias e ideais. Mascara-se para não respirar espinhos, mascara-se com a mesma máscara que é a sua, apenas adornada de símbolos que a tornem numa ambiguidade.
Saques furtivos, manifestos escritos inflamados, sabotagens e ciberativismo, tudo isso junto deixaria qualquer 'nação' sob intenso risco. Amigos num bar, ou guerreiros detalhando o plano de uma 'performance' em praça pública? São os donos da revolução, incógnitos.
Durante a 'Manif', em frente ao edifício com o escritório do FMI, em Lisboa, uma fumaça verde, além de causar náuseas, impedia também a visão. Contudo, oprimidos e mascarados para se protegerem da polícia avançarão, especialmente por meio de ínfimas ações de protesto, como a da mulher com o lixo na agência bancária.
Os 'outros' mascarados, bem nutridos, educados e seguros de si; homens e mulheres a dizerem nada sobre nada e a acharem que ganharão a humanidade com um berro e uma pedra nas mãos, que se apascentem. A pedra, com certeza não é deles. Os tomates dos demais, sim, vieram de suas despensas vazias.
Belicista?
Eu "marcho" com os oprimidos, com os LGBT, com 'as vadias', com o MST, o MPL, movimentos de portadores de deficiência, pela liberalização da maconha, pelos direitos dos outros animais e por tudo que me parece mais justo, em vista das demais alternativas.
Na medida do possível, alterar as instituições com as ferramentas do diálogo e da negociação. Por que se levar à violência de um conflito entre forças 'materiais'? Para que ser belicista?
Lembrei-me do dia em que tirei esta foto, com mais de 100 mil pessoas nas ruas, no protesto de Setembro de 2012. O país vivendo sob tensão, sem manter padrão financeiro, homens e mulheres sem chão, velhotes assustados, crianças raras. Com muitos a viverem sem provisões básicas mais os sem teto. Havia um enorme racha entre necessidades elementares e "oportunidades".
É Lisboa, Portugal, e é Grécia, Espanha, Irlanda e Itália, logo serão França e Alemanha, dentre os que compõem esse círculo econômico de ~iluminados~ ocidentais. Ainda creem poder continuar a saquear outros povos para superarem suas próprias crises autofágicas.
Vê-se uma loja Lamborghini atacada. Havia Black Blocs e mascarados Anonymous, naquela tarde.
Na medida do possível, alterar as instituições com as ferramentas do diálogo e da negociação. Por que se levar à violência de um conflito entre forças 'materiais'? Para que ser belicista?
Lembrei-me do dia em que tirei esta foto, com mais de 100 mil pessoas nas ruas, no protesto de Setembro de 2012. O país vivendo sob tensão, sem manter padrão financeiro, homens e mulheres sem chão, velhotes assustados, crianças raras. Com muitos a viverem sem provisões básicas mais os sem teto. Havia um enorme racha entre necessidades elementares e "oportunidades".
É Lisboa, Portugal, e é Grécia, Espanha, Irlanda e Itália, logo serão França e Alemanha, dentre os que compõem esse círculo econômico de ~iluminados~ ocidentais. Ainda creem poder continuar a saquear outros povos para superarem suas próprias crises autofágicas.
Vê-se uma loja Lamborghini atacada. Havia Black Blocs e mascarados Anonymous, naquela tarde.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A culpa é da Dilma
Eu, hoje, estava à porta de casa com duas vizinhas, ambas na faixa dos sessenta anos, uma delas enviuvou-se recentemente. A conversa enveredou-se para uma descrição detalhada do comportamento do falecido diante das dificuldades da vida: segundo ela, ele foi um homem de pouca iniciativa. Por termos uma relação de longa data, sei que ambas são entusiastas dos governos Lula e Dilma, porém, tendo em vista a inação característica do homem, a outra comentou: "hoje, numa crise dessas, se a pessoa não tiver disposição para o trabalho, não sei não, viu?!"
Neste momento, achei de bom tom não me embrenhar por um debate sobre a tal "crise", porém, olhando para a sua casa recém reformada, com móveis novos, não pude deixar de me perguntar: onde esta mulher achou uma crise? A resposta, mais que óbvia: na Rede Globo.
No interior da Bahia, pelas minhas incursões em pequenas cidades, percebo que a grande maioria das pessoas informam-se, quase exclusivamente, por meio dos telejornais da Globo. Ontem, por exemplo, num restaurante, comentando sobre o papa, um representante comercial -versão atual dos antigos caixeiros viajantes - ressaltou a humildade do pontífice. Eu o interpelei: também, com a Globo dia e noite dizendo que ele é humilde e generoso, fica difícil acreditar em outra coisa. Ele me respondeu, sorrindo: "é verdade, a Globo chateia, mas o homem é simples mesmo". Ou seja, com ressalvas, a Globo está certa, porque as imagens não mentem e o papa acena, beija criancinhas, sorri, usa carro comum etc etc etc.
E, na falta de imagens, opiniões. Eu posso atestar, também a partir de minhas observações, que o jornalismo opinativo da Globo cumpre uma função pedagógica impressionante e que, diante desta ação deliberada, o governo federal pouco tem feito para neutralizar sua influência. O resultado é que a sensação de crise passou a incorporar o vocabulário de uma simples senhora baiana e já lhe faz desconfiar de que o governo Dilma é ruim e, ao contrário do papa, a presidenta não está conseguindo atender ao povo.
Isto, obviamente, repercute em seus atuais índices de avaliação popular. Sem dúvida, problemas internos do seu governo favorecem a esta queda de popularidade, quase todos eles relacionados com a comunicação, seja ela relativa ao ministério das Comunicações, seja interinstitucional, referente ao contato com o congresso e com os movimentos sociais, ou social, porque Dilma não deve ter uma assessoria nesta área ou, se a possui, ela é de uma incompetência absurda - hipótese esta mais provável.
Com isto, quero dizer que o governo Dilma, que não é perfeito, não consegue deixar claras as suas razões para determinados atos impopulares, nem divulgar eficazmente seus sucessos. A chamada grande mídia acaba por servir ao governo como uma espécie de assessoria de imprensa, na medida em que a presidenta tem optado por se comunicar conosco quase exclusivamente por meio de seus discursos em eventos oficiais, o que a deixa completamente à mercê das mesas de edição jornalísticas e, por conseguinte, da política editorial de veículos que querem vê-la pelas costas.
Com uma estratégia de comunicação social bem engendrada às ações governamentais bem sucedidas, seus problemas se reduziriam à metade.
Porém, resta concordar com os movimentos pelos direitos humanos e sociais, 'no que se refere' às articulações absolutamente deploráveis da presidência com setores fundamentalistas e ruralistas do congresso, combinadas a uma completa falta de interlocução com as representações daqueles movimentos populares. Na internet, este afastamento mostra o seu resultado mais nefasto para o PT, com as vozes e as lutas populares misturadas aos gritos mal intencionados dos articulistas preferenciais dos velhos jornalões e das redes de televisão oligárquicas. Um estudo dá conta deste fenômeno peculiar e que ainda exige melhores estudos e interpretações.
A Revista Fórum publicou, no último dia 23, um levantamento feito pela empresa de estudos cibernéticos, Interagentes, em parceria com a Publisher Brasil em Análise e Monitoramento de Redes, que considerou as postagens das "maiores autoridades no Facebook e no Twitter, aqueles perfis ou páginas que têm mais compartilhamentos, e mostra os 10 principais críticos e os 10 que mais apoiam o governo".
Este interessante estudo fez buscas em ambas as redes sociais entre os dias 11 e 16 de julho e conseguiu gerar gráficos que demonstram de onde partem as mensagens de ataque ao governo Dilma. Gostaria de ressaltar, neste breve texto, a força dos atores pautados nas defesas das minorias, que vêm se posicionando contrariamente ao governo.
As críticas advindas destes grupo e indivíduos são contundentes e, muitas das 'autoridades' citadas pelo estudo tem ação partidária direta, seja como políticos ou articulistas de blogs ligados a partidos políticos. A mim, que frequento as redes em questão e conheço bem cada um dos perfis (exceto o do deputado Jean Wyllys, que me bloqueou no twitter, durante uma divergência entre mim e ele), posso dizer que eles cumprem ação político-eleitoral e assumem oposição ferrenha ao governo federal, muitos proferindo sentenças que equiparam as ações governamentais a genocídios, especialmente nos casos dos indígenas e dos LGBTT.
Eu, diante da inabilidade do governo em responder a estas acusações, e pela sua completa ausência das referidas redes, sempre achei muito bom os ataques e, na medida da razoabilidade de alguns deles, ajudei a repercuti-los.
Porém, nunca deixei de me perguntar: as ações dos veículos de imprensa, especialmente da Globo, somadas às dos ativistas, ajudam a cristalizar aquela sensação de "crise" e de desastre governamental de Dilma? A resposta é sim. Em algumas situações, ambos os segmentos se encontram, como nos casos em que o Deputado Jean compareceu a programas jornalísticos, como o de Fátima Bernardes e o CQC. Este deputado, a meu ver, em seus perfis, não consegue demarcar os limites entre sua necessidade de ser iluminado por holofotes e as suas ações parlamentares estritas. O mesmo ocorre com muitos outros perfis individuais, em proporções diversas às do deputado.
Não são poucas as manifestações de seguidores meus, especialmente no Facebook, que repercutem os argumentos dos ativistas, como também não é irrelevante a articulação destes aos manifestantes que tomaram as ruas em junho. A legitimidade inicial destas movimentações, flagrantemente, após as primeiras ocupações das ruas, passou a ser utilizada pelos telejornais, seja na criminalização dos chamados "vândalos", seja na repercussão das causas populares difusas que os interpunham ao governo Dilma.
Tem-se por conseguinte uma estratégia inteligentíssima dos veículos de imprensa, que publicizam as aparições públicas da presidenta no dia em que ocorrem e, nos dias seguintes, incessantemente, produzem reportagens opinativas sobre os temas subjacentes à agenda presidencial, de modo a negá-la, sempre com o aval de "especialistas" e comentaristas. Assim, Dilma passa a ser apenas alvo e, mais uma vez, sua frágil estratégia de comunicação a torna refém dos mesmos veículos que a querem pelas costas, mantendo-a em posição defensiva permanente.
Enquanto isso, sua ausência das redes sociais online a faz sucumbir aos ataques dos movimentos sociais que, articulados e indignados, fazem jorrar denúncias contundentes, com dados e opiniões que, muito mais embasadas que aquelas televisionadas, ajudam a confirmar, entre jovens e demais conectados ao twitter e ao facebook, a sensação de governo inábil e entregue às oligarquias e aos reacionários.
Ainda resta lembrar que esta ação ocorre desde, pelo menos, 2004, no caso da grande mídia, e com mais ênfase desde o início do governo Dilma, no que toca aos ativistas sociais. De lá para cá, pelo menos dois 'eleitores privilegiados' nasceram, Joaquim Barbosa e o Papa Bergoglio, os quais, embora não estejam articulados aos ativistas online, somam-se, no imaginário popular, aos defensores da nova política e dos interesses populares.
Formou-se uma barreira, a meu ver dificilmente transponível, que coloca, num mesmo caldeirão crítico ao governo, Eliane Cantanhede, Dora Kramer, papa Bergoglio Joaquim Barbosa, Marina Silva, @Tsavkko, @jeanwyllys_real, @cfp_psicologia, @CimiNacional, entre outros. Esta mistura nonsense deve-se ao governo, na medida em que ele não tem sido capaz de dialogar com uns e combater outros.
Porque uns precisam compreender a necessidade de amealhar capital político, por meio da eleição de representantes ligados aos movimentos de que fazem parte, afinal, qualquer governo acaba por ceder aos interesses daqueles grupos organizados que lhe apresentam maior número de eleitores, como garantia para o seu lobby parlamentar. Em relação aos outros, é preciso que se tenha sempre prontas as respostas às suas tresloucadas interpretações da realidade. São eles que plantam a confusão e acabam por convencer a minha vizinha de que vivemos crises política e econômica sem precedentes. Depois deles, são as legítimas palavras de ordem dos ativistas que ajudam a delinear o discurso anti-governista.
Outros problemas de ordem política mais geral nascem desta mesma circunstância, como a criminalização dos partidos políticos e das organizações da sociedade, a desconfiança nas instituições democráticas e a supremacia do Poder Judiciário, uma vez que PSOListas e DEMistas, por exemplo, têm recorrido juntos ao Supremo Tribunal Federal contra os desmandos do governo.
Penso que a culpa seja mesmo do governo Dilma, que não soube compensar sua falta de "carisma" com uma boa estratégia de comunicação e, pelo contrário, optou por aprofundar o estado de dependência do seu governo frente às empresas de telecomunicação, por meio da débil atuação do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo e da sua Secretária de Comunicação, a jornalista Helena Chagas. Isto, sem falar na incompetência de Ideli Salvati e Gleisi Hoffman e na apatia idiotizante de um José Eduardo Cardozo.
Tudo isto nos leva a ultrapassar um período histórico obscuro, porém nem todos os brasileiros e brasileiros o vêem e sentem assim. Ele é obscuro para nós, que ficamos à mercê da confusão e da histeria. Para os que ainda não conhecem possíveis representantes legislativos de seus interesses, enquanto evangélicos e agro-negociantes conhecem pelo menos 100, cada um.
Obscuro, para aquela minha vizinha que, ainda que esteja com a casa renovada, desconfia que a inflação bateu outro recorde histórico, que a corrupção está entranhada no PT e que o desemprego assola nossa juventude. Ainda mais agora, com o Papa Bergoglio conclamando a todos a terem esperança e a mudar. Sem ouvir a voz de Dilma na mesma intensidade, a mim só resta dizer: bem feito!
quarta-feira, 24 de julho de 2013
A Vida É Um Doce
No meu vídeo desta semana eu comento sobre como o açúcar entrou em nossa vida e o que ele fez com ela.
Baseei-me no livro "Sweetness and Power", do antropólogo norte-americano, Sidney Mintz.
Baseei-me no livro "Sweetness and Power", do antropólogo norte-americano, Sidney Mintz.
Se ligue, minha gente!!!
Analise o papel de sua indignação neste história.
Somente de 10 anos para cá, foram desbaratados:
- O mensalão tucano de Minas Gerais, capitaneado pelo ex-governador, ex-senador e deputado federal, Eduardo Azeredo;
- Os inúmeros crimes de lesa pátria cometidos pelo governo FHC durante as privatizações dos anos de 1990, conhecido como "a privataria tucana";
- O conluio do ex-senador e procurador da república, Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, e do governador deste estado, o tucano Marconi Perillo, com o crime organizado pelo bandido conhecido como Carlinhos Cachoeira;
- O escândalo de corrupção que depôs o governador do DEM, em Brasília, José Roberto Arruda;
- O desvio, ou má gestão, de pelo menos 4 bilhões de reais reservados à saúde, pelo então governador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais;
- As relações bastante questionáveis do atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, com forças retrógradas do PSDB e da mídia brasileira;
- O inaceitável rombo na receita federal pela Rede Globo, que já tem uma dívida que beira o bilhão de reais e, por fim;
- O acintoso esquema de corrupção criado pelo PSDB de São Paulo, em associação com uma empresa internacional, que desviou pelo menos 50 milhões e garantiu o investimento direto de 12 bilhões de reais em serviços desta empresa, por meio de licitações fraudulentas, ao longo dos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
A grande mídia nada fala sobre nada disso, cria um clima de insegurança institucional no pais e repete a cantilena mentirosa de que o caixa 2 do PT, julgado impropriamente como um esquema de corrupção dentro da gestão federal petista, venha a ser "o maior escândalo de corrupção da história do país". Poupe-me!
Enquanto isto, você fica por aí 'indignado/a' com o governo federal e ajuda, sem querer (querendo, muitas vezes), a criar as condições para que a direita corra o risco de abocanhar novamente o poder no Brasil, inclusive pelas mãos do Eduardo Campos ou da Marina Silva.
Somente de 10 anos para cá, foram desbaratados:
- O mensalão tucano de Minas Gerais, capitaneado pelo ex-governador, ex-senador e deputado federal, Eduardo Azeredo;
- Os inúmeros crimes de lesa pátria cometidos pelo governo FHC durante as privatizações dos anos de 1990, conhecido como "a privataria tucana";
- O conluio do ex-senador e procurador da república, Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, e do governador deste estado, o tucano Marconi Perillo, com o crime organizado pelo bandido conhecido como Carlinhos Cachoeira;
- O escândalo de corrupção que depôs o governador do DEM, em Brasília, José Roberto Arruda;
- O desvio, ou má gestão, de pelo menos 4 bilhões de reais reservados à saúde, pelo então governador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais;
- As relações bastante questionáveis do atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, com forças retrógradas do PSDB e da mídia brasileira;
- O inaceitável rombo na receita federal pela Rede Globo, que já tem uma dívida que beira o bilhão de reais e, por fim;
- O acintoso esquema de corrupção criado pelo PSDB de São Paulo, em associação com uma empresa internacional, que desviou pelo menos 50 milhões e garantiu o investimento direto de 12 bilhões de reais em serviços desta empresa, por meio de licitações fraudulentas, ao longo dos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
A grande mídia nada fala sobre nada disso, cria um clima de insegurança institucional no pais e repete a cantilena mentirosa de que o caixa 2 do PT, julgado impropriamente como um esquema de corrupção dentro da gestão federal petista, venha a ser "o maior escândalo de corrupção da história do país". Poupe-me!
Enquanto isto, você fica por aí 'indignado/a' com o governo federal e ajuda, sem querer (querendo, muitas vezes), a criar as condições para que a direita corra o risco de abocanhar novamente o poder no Brasil, inclusive pelas mãos do Eduardo Campos ou da Marina Silva.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Atrasado
Belo Horizonte e o caminho das pedras.
Um segundo vídeo sobre minhas sensações sobre grandes cidades.
Um segundo vídeo sobre minhas sensações sobre grandes cidades.
sábado, 6 de julho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Os Desalmados
Novo vídeo do meu canal Rever os Meios.
Desta vez, reflito sobre programas policiais, destes que nos fazem pensar que a humanidade esteja mergulhada na podridão. Você acredita em Datenas e Rezendes?
Desta vez, reflito sobre programas policiais, destes que nos fazem pensar que a humanidade esteja mergulhada na podridão. Você acredita em Datenas e Rezendes?
domingo, 23 de junho de 2013
E...
E o título de eleitor de Jean Wyllys é do Rio de Janeiro
e o PSOL não tem a menor condição de levantar bravatas, nem mesmo candidaturas, na Bahia,
e Jaques Wagner é mesmo um pulha
e ACM Neto é apenas um rato
e a gente se perde entre frases de efeito e egos gigantes (e bem acordados)
e eu tenho medo de onde isso vai dar
e me recuso a entrar numa de 'ah, que se exploda!'.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Protesto 2.0
Sobre a nova geração de Movimentos Sociais, que nascem na internet, tomam as ruas e alteraram mentalidades e estruturas políticas.
Será que eles podem ser eficazes e duradouros, sem contarem com as instâncias tradicionais de governo e de controle do Estado pela Sociedade?
Será que eles podem ser eficazes e duradouros, sem contarem com as instâncias tradicionais de governo e de controle do Estado pela Sociedade?
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