"Nós vamos fazer propostas setoriais para cada coisa."
Este exemplo de frase inócua e desonesta, José Serra o disse ao Bóris Casoy (vídeo abaixo). Se um pesquisador, empresário, gestor ou político repetir isso publicamente, perderá muito do seu "valor de mercado".
Quem tem Serra como economista, não precisa de companheiro/a perdulário, bonachão ou vaidoso/a.
Já que este 'jênio' não se elegerá nem para prefeito de SP (com fé em Deus e nos paulistas!), eu vou rir deste seu ato falho.
Se tivessem conseguido elegê-lo presidente, eu estaria agora morrendo de vergonha e torpor.
Este homem é um dos maiores comediantes brasileiros. Para quem não sabe, tem vídeo de Serra errando em conta de matemática para crianças do ginásio, outro dele explicando por que a gripe era suína, outro com ele anunciando o fim do Brasil e pregando alinhamento automático com a euroamérica falida... Enfim, tem bobagem serrista para todos os gostos.
E ele continua acreditando que se trata de uma eleição nacional. Até quando SP vai patinar por conta das ambições descabidas de um homem?
Rever os Meios
sexta-feira, 2 de março de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
O povo baiano venceu
A despeito da enorme dificuldade de se qualificar esse termo, povo, vou eu defender: o povo baiano foi o vencedor no episódio da greve da PM.
Não caiu na armadilha do terror e ainda exigiu transparência do governo de Jaques Wagner. Essa apropriação do Poder, por meio de uma pressão civilizada e silenciosa, por parte da população indignada, fez com que se reafirmasse a necessidade de se manter aberto este caminho de distanciamento do modo como se operava aquele mesmo Poder na Bahia de até pouco tempo atrás. Lembremo-nos daquela Bahia autocrata, oligarca e indiferente ao anseio popular.
Se há uma lição que ficou para mim desta greve é a de que o baiano sentiu o gosto da efetiva participação política. A seu modo, sem alarde, fez com que o governador se apresentasse, chamou-o às falas e obrigou que, tanto ele e os "manifestantes" quanto a imprensa imbecil, fossem claros em suas posições.
Ao final, o governo ganhou um voto de confiança, os terroristas se revelaram, mas que não se engane: o baiano está, com certeza, aprendendo a fazer política na democracia. Sei que em muitos locais houve assaltos, assassinatos (contando os que foram planejados e/ou executados por policiais, como o de Ribeira do Pombal). É evidente que haveria arrastões e coisas piores! Para isso servem os bandidos, e se não há polícia... Como é mesmo o ditado? Quando os gatos saem, os ratos...
Apenas quero dizer que esta comunidade (acho este o termo mais apropriado), que se criou durante a greve pela maior parcela da população baiana, negou-se a realizar as expectativas pejorativas dos terroristas, as quais não deixam de ser as expectativas do resto do país sobre nós. Não esperam de nós a 'representação do papel' de povo, mas sim de algoz ou vítima de nós mesmos. Via de regra, somos, aos olhos do Brasil, ou o indolente que morre ou o delinquente que rouba e mata. Nós, maioria de baianos, diversos como somos, neste episódio, negamos veementemente esse preconceito!
Porque éramos simplesmente um conjunto de homens, mulheres e crianças acoados entre um governo de gabinete, uma imprensa histérica e deliberada a fazer política eleitoral e um grupo de bandidos fardados, que invadiu a casa legislativa do estado, apresentou-se frente às câmeras com crianças como escudo e coordenou ações de terror em todo o estado, matando mais alguns, dentre aqueles que já são exterminados por este mesmo grupo de policiais, quando estão em serviço.
E vou além, ao dizer que foi em respeito a estes pobres, pretos, esfomeados, sem casa, viciados, lançados à própria sorte, esses entes comuns "invisíveis", mortos por policiais diariamente, foi por eles que aceitamos experimentar uma linguagem comum e nos revelarmos 'povo', mais uma vez. Para além dos interesses de classe e da insensibilidade de muitos, no estado e no país, o que eu senti durante essa greve foi um intenso exercício de civilidade e solidariedade do Povo Baiano, com quem dividi o transporte público durante os últimos dias, em Salvador, Conquista e Itabuna.
Há os méritos do governo, há os méritos dos sindicatos da categoria policial, há os acertos da policia federal, do MP e há, por outro lado, os maiores derrotados:
Os tais presunçosos terroristas, em especial o Marco Prisco - pré-candidato a vereador de Salvador, pelo PSDB;
A imprensa que manipula, que deturpa o fato para vender seu peixe invendável; e
Os políticos e militantes "da" esquerda que, cegamente, filiaram-se ao que há de mais podre e fétido entre as instituições nacionais. Parecem não conhecer a fundo o país e o estado em que vivem.
Nós, baianos, mais como comuns do que como 'cidadãos', vencemos a todos eles, fomo-lhes bem superiores, como devemos ser. Estamos de parabéns e devemos nos orgulhar do exercício que fizemos de verdadeira democracia.
Não caiu na armadilha do terror e ainda exigiu transparência do governo de Jaques Wagner. Essa apropriação do Poder, por meio de uma pressão civilizada e silenciosa, por parte da população indignada, fez com que se reafirmasse a necessidade de se manter aberto este caminho de distanciamento do modo como se operava aquele mesmo Poder na Bahia de até pouco tempo atrás. Lembremo-nos daquela Bahia autocrata, oligarca e indiferente ao anseio popular.
Se há uma lição que ficou para mim desta greve é a de que o baiano sentiu o gosto da efetiva participação política. A seu modo, sem alarde, fez com que o governador se apresentasse, chamou-o às falas e obrigou que, tanto ele e os "manifestantes" quanto a imprensa imbecil, fossem claros em suas posições.
Ao final, o governo ganhou um voto de confiança, os terroristas se revelaram, mas que não se engane: o baiano está, com certeza, aprendendo a fazer política na democracia. Sei que em muitos locais houve assaltos, assassinatos (contando os que foram planejados e/ou executados por policiais, como o de Ribeira do Pombal). É evidente que haveria arrastões e coisas piores! Para isso servem os bandidos, e se não há polícia... Como é mesmo o ditado? Quando os gatos saem, os ratos...
Apenas quero dizer que esta comunidade (acho este o termo mais apropriado), que se criou durante a greve pela maior parcela da população baiana, negou-se a realizar as expectativas pejorativas dos terroristas, as quais não deixam de ser as expectativas do resto do país sobre nós. Não esperam de nós a 'representação do papel' de povo, mas sim de algoz ou vítima de nós mesmos. Via de regra, somos, aos olhos do Brasil, ou o indolente que morre ou o delinquente que rouba e mata. Nós, maioria de baianos, diversos como somos, neste episódio, negamos veementemente esse preconceito!
Porque éramos simplesmente um conjunto de homens, mulheres e crianças acoados entre um governo de gabinete, uma imprensa histérica e deliberada a fazer política eleitoral e um grupo de bandidos fardados, que invadiu a casa legislativa do estado, apresentou-se frente às câmeras com crianças como escudo e coordenou ações de terror em todo o estado, matando mais alguns, dentre aqueles que já são exterminados por este mesmo grupo de policiais, quando estão em serviço.
E vou além, ao dizer que foi em respeito a estes pobres, pretos, esfomeados, sem casa, viciados, lançados à própria sorte, esses entes comuns "invisíveis", mortos por policiais diariamente, foi por eles que aceitamos experimentar uma linguagem comum e nos revelarmos 'povo', mais uma vez. Para além dos interesses de classe e da insensibilidade de muitos, no estado e no país, o que eu senti durante essa greve foi um intenso exercício de civilidade e solidariedade do Povo Baiano, com quem dividi o transporte público durante os últimos dias, em Salvador, Conquista e Itabuna.
Há os méritos do governo, há os méritos dos sindicatos da categoria policial, há os acertos da policia federal, do MP e há, por outro lado, os maiores derrotados:
Os tais presunçosos terroristas, em especial o Marco Prisco - pré-candidato a vereador de Salvador, pelo PSDB;
A imprensa que manipula, que deturpa o fato para vender seu peixe invendável; e
Os políticos e militantes "da" esquerda que, cegamente, filiaram-se ao que há de mais podre e fétido entre as instituições nacionais. Parecem não conhecer a fundo o país e o estado em que vivem.
Nós, baianos, mais como comuns do que como 'cidadãos', vencemos a todos eles, fomo-lhes bem superiores, como devemos ser. Estamos de parabéns e devemos nos orgulhar do exercício que fizemos de verdadeira democracia.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Falam por Deus os intolerantes, que pregam a ignorância?
Semanas atrás, li no twitter uma postagem dando conta de que determinada pesquisa atestava que a homofobia nas igrejas se restringiria basicamente aos discursos das lideranças religiosas de caráter fundamentalista. Este tweet dizia também que os fiéis, em sua maior parte, posicionaram-se mais tolerantemente sobre a homossexualidade, uma vez que conviviam com parentes e amigos gays, lésbicas e transgêneros, o que em tese faria com que suas posturas fossem mais amorosas do que intransigentes, em relação a quem mantem relações afetivas ou sexuais com pessoas do mesmo sexo.
Como muitas das informações que nascem e se multiplicam pelo twitter, não se pode atestar sua fiabilidade. Contudo, o dado me pareceu plausível e me levou a refletir sobre esta onda de intolerância religiosa, que permeia violentamente as falas de líderes como Silas Malafaia, Edir Macedo, J. R. Soares, além do papa Bento 16.
Não busco afrontar qualquer segmento religioso, seja ele qual for. Proponho apenas uma reflexão em via dupla sobre o caráter inaceitável desta intolerância que vem marcando, em nosso meio, as posições de representantes de diferentes segmentos cristãos. O bom sinal é o de que tudo indica que esta supremacia da ignorância encontrou seu caminho de decadência.
O preconceito é um fruto podre da desinformação e precisa ser tratado, como uma infecção. No caso do preconceito por orientação sexual, uma coisa é certa: à medida em que as pessoas se dão conta de que, na Humanidade, SEMPRE HOUVE INDIVÍDUOS HOMOSSEXUAIS e que, apenas de mil anos para cá as religiões cristãs passaram a entoar discursos homofóbicos, como demonstra esta reportagem de Cynara Menezes, na Carta Capital, elas vão percebendo que esse negócio de homofobia é mais uma malvadeza da era moderna ocidental. Com certeza, quando as pessoas descobrem que HÁ HOMOSSEXUALIDADE EM PELO MENOS 500 ESPÉCIES ANIMAIS, elas incluem a natureza no assunto. E o que acontece quando descobrem que FORAM OS GAYS RESPONSÁVEIS POR GRANDES REVOLUÇÕES DA ARTE E DA CIÊNCIA? Elas param para pensar e para questionar os dogmas que lhes são apresentados e impostos por papas, padres, ministros e pastores.
Porém, estes líderes cumprem suas funções, se pensarmos bem. Num tempo com tantas inovações, com tanta liberdade de acesso a informações das mais variadas, é cada vez mais difícil para as religiões atuarem num terreno que, desde sempre, é o objeto de suas atividades de dominação: o terreno da vida
privada. Sim, as religiões intervém diretamente na intimidade do indivíduo, de modo a torna-lo adequado a um determinado modo de produção de riquezas. Max Weber demonstra bem como a "lógica protestante" está engendrada ao "espírito do capitalismo" e por ele vamos percebendo que a religiosidade não é gratuita, nem está desgrudada da História. Porém, o século XX começou a abrir uma janela libertária, de modo a sermos levados a questionar o valor e a função dos dogmas religiosos, num momento em que parece haver respostas para todas as questões.
Eis que chegamos a um ponto crucial do meu texto, no qual eu terei que me abrir e declarar: eu creio em Deus, ainda que não tenha religião. Mas eu sou um homem crítico e me pergunto, diariamente: por que eu creio? E a resposta a esta pergunta tão profunda me parece simples. Eu creio em Deus, porque concordo com Shakespeare: "Há mais entre o céu e a terra do que supõe a sua (minha) vã filosofia". Trocando em miúdos, não há resposta para tudo e Deus existe para dar algum sentido às nossas dúvidas, ainda que Ele não exista para elimina-las. A pretensão da religião é a de, por meio de mitos, parábolas, magia e dogmas, responder todas as questões, resolver as angústias humanas. Todavia, isso não é possível - e é nesse século XXI que esta impossibilidade se mostra mais evidente.
Então, para que serve Deus? Para nos levar para além do universo visível, para ocupar os espaços vazios que restam das grandes descobertas da ciência humana. Deus, a meu ver, não deve ser usado para contrariar fatos que a razão e a emoção comprovam ser verdadeiros e legítimos. Deus não deve servir para contrariar as conclusões científicas irrefutáveis e mesmo a natureza, sob o risco de o agente que proferir anacronias reiteradamente ser, mais cedo ou mais tarde, destituído do que lhe restar de credibilidade.
Porque, em nome de Deus, a humanidade progride e a tendência é a de que tenhamos cada vez mais mulheres e homens cientes de que a arquelogia, a antropologia, a astronomia, a física e a biotecnologia têm muito de divino. Porque divina é a criatividade humana e, por ela, tornam-se divinos, como bem nos mostrou Jesus, a tolerância, o amor, a complacência e a compaixão.
Isso me leva a crer que, vivesse conosco hoje em dia, Jesus estaria 'tuitando' suas verdades, aplaudindo boa parte dos avanços técnicos e acolhendo, de braços abertos, os seres famintos, discriminados, relegados aos cantos escuros da história e, sem sombra de dúvida, entre estes estariam os homossexuais agredidos gratuitamente, expulsos das casas e dos templos. Os fiéis tolerantes são mais afinados a Jesus do que estes seus líderes que pregam a segregação, a anulação ou a morte de seres indesejáveis, segundo suas concepções restritivas de fé. Justamente por isso, eu realmente acredito que aquela postagem do twitter esteja correta, ainda que eu não a comprove.
Como muitas das informações que nascem e se multiplicam pelo twitter, não se pode atestar sua fiabilidade. Contudo, o dado me pareceu plausível e me levou a refletir sobre esta onda de intolerância religiosa, que permeia violentamente as falas de líderes como Silas Malafaia, Edir Macedo, J. R. Soares, além do papa Bento 16.Não busco afrontar qualquer segmento religioso, seja ele qual for. Proponho apenas uma reflexão em via dupla sobre o caráter inaceitável desta intolerância que vem marcando, em nosso meio, as posições de representantes de diferentes segmentos cristãos. O bom sinal é o de que tudo indica que esta supremacia da ignorância encontrou seu caminho de decadência.
O preconceito é um fruto podre da desinformação e precisa ser tratado, como uma infecção. No caso do preconceito por orientação sexual, uma coisa é certa: à medida em que as pessoas se dão conta de que, na Humanidade, SEMPRE HOUVE INDIVÍDUOS HOMOSSEXUAIS e que, apenas de mil anos para cá as religiões cristãs passaram a entoar discursos homofóbicos, como demonstra esta reportagem de Cynara Menezes, na Carta Capital, elas vão percebendo que esse negócio de homofobia é mais uma malvadeza da era moderna ocidental. Com certeza, quando as pessoas descobrem que HÁ HOMOSSEXUALIDADE EM PELO MENOS 500 ESPÉCIES ANIMAIS, elas incluem a natureza no assunto. E o que acontece quando descobrem que FORAM OS GAYS RESPONSÁVEIS POR GRANDES REVOLUÇÕES DA ARTE E DA CIÊNCIA? Elas param para pensar e para questionar os dogmas que lhes são apresentados e impostos por papas, padres, ministros e pastores.
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| Imagem: http://501pranaopegar.tumblr.com/page/4 |
privada. Sim, as religiões intervém diretamente na intimidade do indivíduo, de modo a torna-lo adequado a um determinado modo de produção de riquezas. Max Weber demonstra bem como a "lógica protestante" está engendrada ao "espírito do capitalismo" e por ele vamos percebendo que a religiosidade não é gratuita, nem está desgrudada da História. Porém, o século XX começou a abrir uma janela libertária, de modo a sermos levados a questionar o valor e a função dos dogmas religiosos, num momento em que parece haver respostas para todas as questões.
Eis que chegamos a um ponto crucial do meu texto, no qual eu terei que me abrir e declarar: eu creio em Deus, ainda que não tenha religião. Mas eu sou um homem crítico e me pergunto, diariamente: por que eu creio? E a resposta a esta pergunta tão profunda me parece simples. Eu creio em Deus, porque concordo com Shakespeare: "Há mais entre o céu e a terra do que supõe a sua (minha) vã filosofia". Trocando em miúdos, não há resposta para tudo e Deus existe para dar algum sentido às nossas dúvidas, ainda que Ele não exista para elimina-las. A pretensão da religião é a de, por meio de mitos, parábolas, magia e dogmas, responder todas as questões, resolver as angústias humanas. Todavia, isso não é possível - e é nesse século XXI que esta impossibilidade se mostra mais evidente.
Então, para que serve Deus? Para nos levar para além do universo visível, para ocupar os espaços vazios que restam das grandes descobertas da ciência humana. Deus, a meu ver, não deve ser usado para contrariar fatos que a razão e a emoção comprovam ser verdadeiros e legítimos. Deus não deve servir para contrariar as conclusões científicas irrefutáveis e mesmo a natureza, sob o risco de o agente que proferir anacronias reiteradamente ser, mais cedo ou mais tarde, destituído do que lhe restar de credibilidade.
Porque, em nome de Deus, a humanidade progride e a tendência é a de que tenhamos cada vez mais mulheres e homens cientes de que a arquelogia, a antropologia, a astronomia, a física e a biotecnologia têm muito de divino. Porque divina é a criatividade humana e, por ela, tornam-se divinos, como bem nos mostrou Jesus, a tolerância, o amor, a complacência e a compaixão.
Isso me leva a crer que, vivesse conosco hoje em dia, Jesus estaria 'tuitando' suas verdades, aplaudindo boa parte dos avanços técnicos e acolhendo, de braços abertos, os seres famintos, discriminados, relegados aos cantos escuros da história e, sem sombra de dúvida, entre estes estariam os homossexuais agredidos gratuitamente, expulsos das casas e dos templos. Os fiéis tolerantes são mais afinados a Jesus do que estes seus líderes que pregam a segregação, a anulação ou a morte de seres indesejáveis, segundo suas concepções restritivas de fé. Justamente por isso, eu realmente acredito que aquela postagem do twitter esteja correta, ainda que eu não a comprove.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
MTV e a casa dos "artistas"
Impressionante, como alguns jovens têm conseguido se comportar, em diferentes níveis, tão reacionária e estupidamente! Na luta pelo direito de serem "politicamente incorretos", o que certos "artistas" pretendem, na verdade, é o pleno direito ao exercício de sua imbecilidade preconceituosa. Analisemos o exemplo que a MTV nos oferece, com o inclassificável "Comedia MTV", especificamente no quadro "humorístico", "Casa dos Autistas":
Todo preconceito é fruto da ignorância e da preguiça mental e, no caso destes "comediantes", também da presunção de que estão acima de valores caros a uma sociedade que se pretende democrática. Oriundos de uma educação medíocre, acostumados a estarem protegidos do mundo real, em seus condomínios "seguros" e escolas "de qualidade", estes "formadores de opinião" enxergam os percalços que as pessoas fora de suas redomas precisam superar como objetos possíveis de suas "críticas" irresponsáveis sobre o que quer que seja.
Espremidos em seus pequenos medos e pequenos tormentos, esses "intelectuais" demonstram que suas pretensões são, antes de tudo, um atestado de suas incapacidades de serem solidários e de seus complexos de inferioridade, que afloram em piadas de péssimo gosto e com um único sentido: o desejo (in?)consciente de limparem a comunidade daqueles que a tornam mais, segundo eles, feia, gorda, efeminada, negra e economicamente pobre.
Como resultado, assistindo episódios como este, vemos que eles, além de completamente fora da realidade, são intelectualmente paupérrimos, verdadeiros ignóbeis, devendo ser denunciados, boicotados e ensinados a serem respeitosos, para que a pequena parcela de iguais que os assiste com alguma frequência perceba que o "politicamente correto" não é censura, mas a medida do limite da liberdade de uns frente às características dos que lhes são diferentes.
Todo preconceito é fruto da ignorância e da preguiça mental e, no caso destes "comediantes", também da presunção de que estão acima de valores caros a uma sociedade que se pretende democrática. Oriundos de uma educação medíocre, acostumados a estarem protegidos do mundo real, em seus condomínios "seguros" e escolas "de qualidade", estes "formadores de opinião" enxergam os percalços que as pessoas fora de suas redomas precisam superar como objetos possíveis de suas "críticas" irresponsáveis sobre o que quer que seja.
Espremidos em seus pequenos medos e pequenos tormentos, esses "intelectuais" demonstram que suas pretensões são, antes de tudo, um atestado de suas incapacidades de serem solidários e de seus complexos de inferioridade, que afloram em piadas de péssimo gosto e com um único sentido: o desejo (in?)consciente de limparem a comunidade daqueles que a tornam mais, segundo eles, feia, gorda, efeminada, negra e economicamente pobre.
Como resultado, assistindo episódios como este, vemos que eles, além de completamente fora da realidade, são intelectualmente paupérrimos, verdadeiros ignóbeis, devendo ser denunciados, boicotados e ensinados a serem respeitosos, para que a pequena parcela de iguais que os assiste com alguma frequência perceba que o "politicamente correto" não é censura, mas a medida do limite da liberdade de uns frente às características dos que lhes são diferentes.
P.S.: Aproveite para assinar AQUI a petição de repúdio a este programa idiota.
P.S.1: Leia o depoimento indignado do pai de uma mulher autista, no blog Botecoterapia.
P.S.1: Leia o depoimento indignado do pai de uma mulher autista, no blog Botecoterapia.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Homofobia à brasileira
O que falta a esta reportagem do Jornal Nacional?
"O amor que não ousa dizer seu nome" é também o amor do qual eles não ousam dizer o nome: nesta matéria, falta a palavra homossexual. Ela fica implícita na fala de Michael Santos e na citação ao tipo de discriminação sofrida por ele, descrita no trecho da nota do seu time, lida pelo repórter. Aliás, esconder o preconceito sob espessas camadas de 'cordialidade' é uma das marcas da brasilidade, conforme descrito na obra de Gilberto Freyre.
Este rasgo de hipocrisia nacional cai muito bem ao jornalismo da Rede Globo. Pela relevância do fato, urge reportá-lo, porém escondendo-lhe o essencial, de modo a não se comprometer com uma causa que se interpõe aos interesses da "familia brasileira", publico preferencial deste telejornal, juntamente com os "Simpsons" - os quais devem ser catequizados pelo casal Fátima Bernardes e William Bonner.
Ao se fazer indiferente ao teor social do problema que toca os direitos civis do atleta ofendido por um enorme e heterogêneo grupo de torcedores do time adversário, em função de uma característica pessoal, remetendo a questão ao foro esportivo, o telejornal desumaniza os dilemas de todos os homossexuais e oferece munição àqueles que pretendem diminui-los, isola-los, ou elimina-los.
Michael Santos torna-se, nas entrelinhas da matéria, um entrave político ao seu time, frente à torcida do Cruzeiro. Problematizar a causa social, individualizando-a e a mergulhando num contexto apartado da seara Pública, elimina dela toda a urgência na reparação dos danos e a minimiza, frente às questões prementes, a serem tratadas no restante da edição do jornal.
À família classemediana telespectadora fica a legitimidade para discordar e considerar o caso como um exagero (como o faz este articulista do site do Globo Esporte), afinal não foram demonstradas pela reportagem as razões do jogador e do seu time para rechaçar a ação coletiva dos adversários. O telejornal não busca saber se a ação vexatória foi coordenada, porque o tratamento de ações coletivas pelo Jornal Nacional tende a criminaliza-las, ou subestima-las.
Aos "Simpsons" ficam as alternativas de confirmar seus próprios preconceitos, ou de questionar o direcionamento da matéria e defender o jogador, já que os "Simpsons" nem são mais tão Simpsons quanto eles os julgam e já vêm lhes dando as costas e os ignorando veementemente.
É relevante a abordagem desta sutileza ignobil do Jornal Nacional, visto que revela a persistente hipocrisia de uma classe média amedrontada por um 'mundo' que sai cada vez mais do controle estrito de sua religiosidade, moralidade ou 'bons costumes'. A síndrome desta classe social é idêntica - e talvez interligada - à que acomete a rede Globo, daí a necessidade de esconder, em um texto lacônico e insidiosamente hipócrita e irresponsável, o nome da orientação sexual de Michael Santos. Este, sim, um super homem que, com coragem e dignidade, disse o nome do amor que sente. Entretanto, William Bonner não se dignou a pronuncia-lo e nem deixou que alguém o fizesse, ao longo de mais uma infame e desfavorável edição de seu telejornal.
"O amor que não ousa dizer seu nome" é também o amor do qual eles não ousam dizer o nome: nesta matéria, falta a palavra homossexual. Ela fica implícita na fala de Michael Santos e na citação ao tipo de discriminação sofrida por ele, descrita no trecho da nota do seu time, lida pelo repórter. Aliás, esconder o preconceito sob espessas camadas de 'cordialidade' é uma das marcas da brasilidade, conforme descrito na obra de Gilberto Freyre.
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| Uma das faces da hipocrisia: Bonner imita Clodovil, em intervalo do JN |
Ao se fazer indiferente ao teor social do problema que toca os direitos civis do atleta ofendido por um enorme e heterogêneo grupo de torcedores do time adversário, em função de uma característica pessoal, remetendo a questão ao foro esportivo, o telejornal desumaniza os dilemas de todos os homossexuais e oferece munição àqueles que pretendem diminui-los, isola-los, ou elimina-los.
Michael Santos torna-se, nas entrelinhas da matéria, um entrave político ao seu time, frente à torcida do Cruzeiro. Problematizar a causa social, individualizando-a e a mergulhando num contexto apartado da seara Pública, elimina dela toda a urgência na reparação dos danos e a minimiza, frente às questões prementes, a serem tratadas no restante da edição do jornal.
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| Nasce um herói! |
Aos "Simpsons" ficam as alternativas de confirmar seus próprios preconceitos, ou de questionar o direcionamento da matéria e defender o jogador, já que os "Simpsons" nem são mais tão Simpsons quanto eles os julgam e já vêm lhes dando as costas e os ignorando veementemente.
É relevante a abordagem desta sutileza ignobil do Jornal Nacional, visto que revela a persistente hipocrisia de uma classe média amedrontada por um 'mundo' que sai cada vez mais do controle estrito de sua religiosidade, moralidade ou 'bons costumes'. A síndrome desta classe social é idêntica - e talvez interligada - à que acomete a rede Globo, daí a necessidade de esconder, em um texto lacônico e insidiosamente hipócrita e irresponsável, o nome da orientação sexual de Michael Santos. Este, sim, um super homem que, com coragem e dignidade, disse o nome do amor que sente. Entretanto, William Bonner não se dignou a pronuncia-lo e nem deixou que alguém o fizesse, ao longo de mais uma infame e desfavorável edição de seu telejornal.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Eu sei quem protege Bolsonaro
Resposta minha ao jornalista Paulo Moreira Leite, em seu artigo Quem protege Bolsonaro
***
É preciso explícitar que, nesse episódio Bolsonaro, foi o CQC de Marcelo Tas que operou para disseminar suas ideias conhecidamente fascistas. Definitivamente, as pessoas têm que perceber que há uma direita operante no Brasil e que ela trabalha para reafirmar valores e inculca-los como legítimos.
Não é a sociedade brasileira que permite que gente como Bolsonaro diga o que quer em veículos de comunicação de massa. Ele o faz, porque a sua voz está na agenda dos concessionários públicos destes veículos. Servem a uma necessidade pedagógica da direita brasileira.
Os "formadores de opinião" conservadores ensinam um discurso que, pela via da moralidade, ensejam o retorno a uma governança ainda mais restritiva de direitos civis e, portanto, reacionária a novas regras que atendem reivindicações de gênero.
Hoje, é preciso que a direita brasileira grite, de modo a tornar claras os fundamentos éticos de sua ideologia e que ela se mantenha como alternativa, para quando a economia não funcionar mais uma garantia de bons governos auspiciosos à esquerda. Ou a esquerda se volta aos seus princípios e superem de vez a noção de dependência, ou estarão fadados a serem escravos do capital. Que ironia!
Por entrelinhas, neste texto do jornalista Paulo Moreira leite, de Época, os filhos de Bolsonaro fazem sua revolução. Eu divirjo veementemente de sua posição, e digo ser incorreto comparar uma nação latinoamericana a qualquer uma das que protagonizaram o cenário da pior guerra a assolar o século XX.
O Sr. Paulo Moreira Leite, como é de seu costume, delineia um discurso que deixa claro o seu constrangimento de pertencer a uma organização que não lhe permite dar nomes aos bois de que discorda, já que o bezerro Marcelo Tas come do mesmo capim que come o seu chefe, nas organizações Globo. Simples assim. O Sr. paulo Moreira Leite que se emancipe, para poder escrever textículos comprometidos com a evolução da democracia brasileira e com aqueles que vinham (e, em grande medida ainda vêm) sendo espoliados pelos defensores de Bolsonaro, que têm, sim, nome e sobrenome, além de CNPJ, muitos deles.
Quanto a esta falácia de que ditadura boa é ditadura nossa, acho-a enganadora. Ela também ajuda as pessoas a imaginarem que, 'já que é assim, que se instalem no poder quem o quiser, sejam generais, escravocratas, banqueiros ou sociólogos renegados'. Quem discemina esta bobagem cospe na cara do povo, é tão vil quanto Bolsonaro, e trabalha para que involuamos, no futuro, a governanças efetivamente opressoras, baseadas no medo e na mentira.
Embora nenhum governo seja bom, parafraseando Oscar Wilde, há nitidamente aqueles que são melhores às pessoas. E somente o são por prezarem por valores democráticos. Ajudar o povo a se proteger é dizer: aceite o poder sobre si, já que necessário, apenas na medida em que ele não se baseie no açoitamento de suas costas.
Sejamos francos, nada do que saia da Rede Globo pode ajudar o(a) brasileiro(a) a se emancipar, prova disso são os telejornais da sua emissora aberta terem se negado a noticiar o caso até agora - sendo que os de seu canal de notícias a cabo tampouco o fizeram com veemência, exceto em alguns poucos programas.
Deixemos de nos enganar, digamos não a falas frouxas, como esta do Sr. Paulo Moreira Leite. Vamos nos dar as mãos e ir às ruas, se necessário for, porque nossa democracia está firme e podemos rapidamente alterar um certo estado de coisa, que ora se apresenta ascintosamente cínico, ora hipócrita, e ora medroso, como é o caso deste jornalista neste texto.
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É preciso explícitar que, nesse episódio Bolsonaro, foi o CQC de Marcelo Tas que operou para disseminar suas ideias conhecidamente fascistas. Definitivamente, as pessoas têm que perceber que há uma direita operante no Brasil e que ela trabalha para reafirmar valores e inculca-los como legítimos.
Não é a sociedade brasileira que permite que gente como Bolsonaro diga o que quer em veículos de comunicação de massa. Ele o faz, porque a sua voz está na agenda dos concessionários públicos destes veículos. Servem a uma necessidade pedagógica da direita brasileira.
Os "formadores de opinião" conservadores ensinam um discurso que, pela via da moralidade, ensejam o retorno a uma governança ainda mais restritiva de direitos civis e, portanto, reacionária a novas regras que atendem reivindicações de gênero.
Hoje, é preciso que a direita brasileira grite, de modo a tornar claras os fundamentos éticos de sua ideologia e que ela se mantenha como alternativa, para quando a economia não funcionar mais uma garantia de bons governos auspiciosos à esquerda. Ou a esquerda se volta aos seus princípios e superem de vez a noção de dependência, ou estarão fadados a serem escravos do capital. Que ironia!
Por entrelinhas, neste texto do jornalista Paulo Moreira leite, de Época, os filhos de Bolsonaro fazem sua revolução. Eu divirjo veementemente de sua posição, e digo ser incorreto comparar uma nação latinoamericana a qualquer uma das que protagonizaram o cenário da pior guerra a assolar o século XX.
O Sr. Paulo Moreira Leite, como é de seu costume, delineia um discurso que deixa claro o seu constrangimento de pertencer a uma organização que não lhe permite dar nomes aos bois de que discorda, já que o bezerro Marcelo Tas come do mesmo capim que come o seu chefe, nas organizações Globo. Simples assim. O Sr. paulo Moreira Leite que se emancipe, para poder escrever textículos comprometidos com a evolução da democracia brasileira e com aqueles que vinham (e, em grande medida ainda vêm) sendo espoliados pelos defensores de Bolsonaro, que têm, sim, nome e sobrenome, além de CNPJ, muitos deles.
Quanto a esta falácia de que ditadura boa é ditadura nossa, acho-a enganadora. Ela também ajuda as pessoas a imaginarem que, 'já que é assim, que se instalem no poder quem o quiser, sejam generais, escravocratas, banqueiros ou sociólogos renegados'. Quem discemina esta bobagem cospe na cara do povo, é tão vil quanto Bolsonaro, e trabalha para que involuamos, no futuro, a governanças efetivamente opressoras, baseadas no medo e na mentira.
Embora nenhum governo seja bom, parafraseando Oscar Wilde, há nitidamente aqueles que são melhores às pessoas. E somente o são por prezarem por valores democráticos. Ajudar o povo a se proteger é dizer: aceite o poder sobre si, já que necessário, apenas na medida em que ele não se baseie no açoitamento de suas costas.
Sejamos francos, nada do que saia da Rede Globo pode ajudar o(a) brasileiro(a) a se emancipar, prova disso são os telejornais da sua emissora aberta terem se negado a noticiar o caso até agora - sendo que os de seu canal de notícias a cabo tampouco o fizeram com veemência, exceto em alguns poucos programas.
Deixemos de nos enganar, digamos não a falas frouxas, como esta do Sr. Paulo Moreira Leite. Vamos nos dar as mãos e ir às ruas, se necessário for, porque nossa democracia está firme e podemos rapidamente alterar um certo estado de coisa, que ora se apresenta ascintosamente cínico, ora hipócrita, e ora medroso, como é o caso deste jornalista neste texto.
terça-feira, 8 de março de 2011
O inferno da passiva
Todo o movimento LGBT precisa planejar uma reformulação de seus métodos e mesmo uma melhor autorregulação, especialmente no Brasil - por sua 'gayzice' óbvia. Esta formação de "castas dentro de um mesmo coletivo" revela um problema que parece estar longe de ser encarado: a autocracia das lideranças somada à onipotência de informações de "cultura pop", televisiva e baseada em sucesso, modismo e celebridade.
Muitas jovens lideranças gays parecem exercer sua homosexualidade a partir de convenções econômicas, sociais e estéticas restritivas da convivência (sexual ou não) com pessoas que se afastem deste sub-padrão. Em vez disso, era esperado que se estruturassem mecanismos de interação e de proteção do coletivo, a partir de uma ação solidária e pautada na diversidade, tendo em vista os desafios políticos que este machismo ególatra predominante já nos impõe a nós gays, às mulheres, aos negros e, no caso do Brasil, também aos pobres e eu incluiria aqui os "feios", aqueles que não saem bem em fotos (estamos no Facebook, ora essa).
O que eu penso: a empatia deve gerar solidariedade, para se alcançar meios de preservar o coletivo; se eu busco machucar meu semelhante, eu não respeito o elemento que o torna meu par, nego a minha própria identidade ou demonstro sua inexistência; quero dizer, nem todo "gay" é homossexual. Ser "gay" hoje representa uma das poucas reivindicações liberais, um "privilégio" que, com dinheiro e acesso à vida privada de celebridades, ou investidores, proporciona, além de conforto, uma das mais vivas e promissoras bandeiras políticas na segunda década do século XXI.
Sei que se trata de um sofisma, o que já torna meu argumento questionável, mas estou aqui "confessando" a minha teoria sobre a homossexualidade, conforme ela tem sido vivida e reproduzida por muitos homens e mulheres nos últimos 20 anos. Tenho 35 anos e sou homossexual cheio de experiência além de, como um homem que pensa bastante, ter refletido muito sobre esses estigmas dentro do "meio gay". Eu chego, como sinalizei no sofisma inicial, a questionar o próprio desejo de indivíduos LGBT que interagem com outros por meio de comportamentos que minha moral considera nocivos a todo propósito coletivo e dos quais o "humor" parece descolar qualquer intenção maléfica.
Eu considero que esta atitude repulsiva, assim como o racismo, instiga o ódio e parece baseada numa espécie venenosa de 'inveja da liberdade', que se camufla em ironia e cai bem, entre outros, frente a homossexuais "passivos", uma vez que junto com esta atitude podem naturalmente estar pilhérias prontas de que o "ânus serve apenas para expelir", ou de que se trata de "coisa de mulherzinha", além dos componentes óbvios de sadismo e masoquismo que envolvem a relação sexual gay masculina, num cenário cultural marcado pelo "cristianismo romano".
Costuma ser um lugar difícil de se estar, porém eslêndido se o parceiro quebrou suas barreiras há muito - porque os papéis não são fixos, é um jogo em que todos podem ganhar em semelhante medida. Parte da sedução homo exerce-se pela garantia de conforto. O sexo, como um conjunto de maravilhas, que explicam a capacidade daquele microcoletivo de se manter seguro e orgasmático. Ninguém é obrigado a amar aquilo que não lhe desperta o desejo, ou a fazer aquilo que não lhe apraz. Porém é um sinal de perigo para qualquer grupo, quando as "panelinhas" ou os "micropoderes" instigam a segregação dos que deveriam ser, sem maiores trocadilhos, companheiros.
Uma "autorregulação" é bem vinda e não exige muito esforço. Todavia, também é preciso questionar todo um modo de experiência, o que já exige mais do que simplesmente boa vontade. Reinventar-se é a tarefa mais árdua que se pode ter a fazer.
Parece que o movimento começa a se dar conta dessa situação. Isso é ótimo!
Muitas jovens lideranças gays parecem exercer sua homosexualidade a partir de convenções econômicas, sociais e estéticas restritivas da convivência (sexual ou não) com pessoas que se afastem deste sub-padrão. Em vez disso, era esperado que se estruturassem mecanismos de interação e de proteção do coletivo, a partir de uma ação solidária e pautada na diversidade, tendo em vista os desafios políticos que este machismo ególatra predominante já nos impõe a nós gays, às mulheres, aos negros e, no caso do Brasil, também aos pobres e eu incluiria aqui os "feios", aqueles que não saem bem em fotos (estamos no Facebook, ora essa).
O que eu penso: a empatia deve gerar solidariedade, para se alcançar meios de preservar o coletivo; se eu busco machucar meu semelhante, eu não respeito o elemento que o torna meu par, nego a minha própria identidade ou demonstro sua inexistência; quero dizer, nem todo "gay" é homossexual. Ser "gay" hoje representa uma das poucas reivindicações liberais, um "privilégio" que, com dinheiro e acesso à vida privada de celebridades, ou investidores, proporciona, além de conforto, uma das mais vivas e promissoras bandeiras políticas na segunda década do século XXI.
Sei que se trata de um sofisma, o que já torna meu argumento questionável, mas estou aqui "confessando" a minha teoria sobre a homossexualidade, conforme ela tem sido vivida e reproduzida por muitos homens e mulheres nos últimos 20 anos. Tenho 35 anos e sou homossexual cheio de experiência além de, como um homem que pensa bastante, ter refletido muito sobre esses estigmas dentro do "meio gay". Eu chego, como sinalizei no sofisma inicial, a questionar o próprio desejo de indivíduos LGBT que interagem com outros por meio de comportamentos que minha moral considera nocivos a todo propósito coletivo e dos quais o "humor" parece descolar qualquer intenção maléfica.
Eu considero que esta atitude repulsiva, assim como o racismo, instiga o ódio e parece baseada numa espécie venenosa de 'inveja da liberdade', que se camufla em ironia e cai bem, entre outros, frente a homossexuais "passivos", uma vez que junto com esta atitude podem naturalmente estar pilhérias prontas de que o "ânus serve apenas para expelir", ou de que se trata de "coisa de mulherzinha", além dos componentes óbvios de sadismo e masoquismo que envolvem a relação sexual gay masculina, num cenário cultural marcado pelo "cristianismo romano".
Costuma ser um lugar difícil de se estar, porém eslêndido se o parceiro quebrou suas barreiras há muito - porque os papéis não são fixos, é um jogo em que todos podem ganhar em semelhante medida. Parte da sedução homo exerce-se pela garantia de conforto. O sexo, como um conjunto de maravilhas, que explicam a capacidade daquele microcoletivo de se manter seguro e orgasmático. Ninguém é obrigado a amar aquilo que não lhe desperta o desejo, ou a fazer aquilo que não lhe apraz. Porém é um sinal de perigo para qualquer grupo, quando as "panelinhas" ou os "micropoderes" instigam a segregação dos que deveriam ser, sem maiores trocadilhos, companheiros.
Uma "autorregulação" é bem vinda e não exige muito esforço. Todavia, também é preciso questionar todo um modo de experiência, o que já exige mais do que simplesmente boa vontade. Reinventar-se é a tarefa mais árdua que se pode ter a fazer.
Em resposta à provocação do amigo Marcelo Nolasco, no FaceBook.
Parece que o movimento começa a se dar conta dessa situação. Isso é ótimo!
Atualizado em 12 de março de 2011.
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