sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Pela porta dos fundos
Esta imagem a seguir contem um dos motivos por que Dilma compareceu a esta festa de jornaleco, para esculachar, em poucas palavras, de uma vez só, os jornalistas vendidos e os mercenários, os arquitetos da "Ditabranda", os apologistas de golpe, entre eles, o perdedor que não lhe deu as caras desde sua vitória, " a voz do morto" precisava ser ouvida, ainda que ele fosse levado a falar baixo.
O perdedor fez grande esforço para não expor seu ódio. Porém, no momento desta fotografia, sua fuga sublinhou sua covardia. Imagino que ele deva ter andado pouco na cerimônia, pois está visivelmente afetado por remédios de humor. O que o aperta e divide é o primeiro botão do paletó. Nesta imagem, ele tem os braços lançados a esmo, a expressão de ausência, o falar circunspecto, como se falasse 'para dentro'.
O outro homem é mais um dos aliados malquistos, já um inimigo desde há pelo menos seis anos. Da incompetência deste homem esguio e igualmente calvo se comprova a mediocridade do perdedor. Trata-se de um devoto: um masoquista evidente que, por isso mesmo, conseguiu estar próximo do primeiro por tanto tempo. Os boatos de que usa o Silício, como membro da opus dei, são possíveis. Sua boca contrita, o atrito das unhas, como se lhe cavassem a carne na base do dedo. Os ombros se contraem devido ao susto de ser quem foi flagrado pela lente fotográfica como acompanhante do perdedor durante a fuga; este inábil perdedor, acovardado: sua ambição suja o chão por onde passa.
Inteligente o fotógrafo que se posicionou próximo à porta dos fundos, por onde o perdedor certamente abandonaria a festa, onde se asfixiava e perdia lentamente, graças aos remédios, o controle sobre si mesmo.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
A descida da Rainha
(em revisão)
Vê esta pintura? Em meio a bocejos, contrições invejosas e de dor, a Rainha motra-se preparada para o ataque final. Ela própria foi a mensageira da desgraça para o grupo de fanfarrões; foi dizer-lhes que trazia a sentença, que mereceria obter o cetro deste reino perdido, afinal. Pintar uma guerreira que não foge à luta a viver uma experiência de tamanha sobrecarga é uma boa escolha para qualquer artista, embora este não figure lá entre os melhores. O famoso quadro de Antonio retrata a apoteose desse evento, quando a Rainha saudou os presentes e os embaraçou, ao discursar com sarcasmo e elegância, dispondo-lhes um resumo quase cínico de suas razões de combate.
Esta peça retrata a rainha enquanto ouvia a orquestra. Interessa-nos as reações de cada personagem circundante a Ela, impávida em todoo concerto. Há este homem pálido e oleoso ao seu lado, afastando-se Dela o mais que pode. Ele conta com a reciprocidade da Rainha na repulsa. Tem o olhar fixo, o choro contido na boca, travando a feição. Ele engole a própria raiva. Ladear a Rainha é uma missão difícil para esta Torre esquálida, com os músculos diminutos e rígidos de um homem que mente; estar com ela é estar ao lado da negação de sua maior mentira. Ele se contorce, ele tem espasmos interiores, esse homem verte ódio e tem febre. Aproxima-se, na figura, de seu Bispo e a ele parece entregar uma porção de dor. Mais uma dentre tantas: a expressão excessivamente clerical do Bispo nesta feita o denunciava, parecia falsa a empatia... Foi razoavelmente retratado nesta pintura. Não há representação que não o capture nesta particular experiência de auto-comiseração. Devia estar ferido, porque o Silício, insaciável, vinha lhe consumindo até os ossos das pernas. Havia dado então, este Bisdo, a dormir sobressaltado pelo medo de apnéias fatais e de traições. Sentia-se cercado por inimigos, somente o Silício o confortava e o libertava da culpa de ser ele um dos pilares de toda iniquidade à sua volta. Jesus o perdoe!
Sobreviveram todos, apesar da altivez da Rainha e desses apliques bordados pretos em Seu casaco, que a mim pareceram correntes a pesar sobre Ela, todavia, talvez indiquem um colete que armaduraria Sua vestimenta, adequando-a para o Seu encontro com os agentes nefastos da mentira. Enfim, somente uma peça de má alfaiataria - a Rainha perdia mais uma chance de falar com a roupa, talento que ficou gravado à sua biografia. Interessante também nesta figura é estar, entre Ela e o pústula, na fila atrás da Sua, um tal capanga, um faz tudo, o mesmo que, então, administrava os percalços judiciais das famílias anfitriãs. Este homem que sabe demais, a depender do que faça com estes conhecimentos, pode entrar para a história como um bravo, um borra-botas, ou um traidor. Não gosto dele pelo descuido da gravata frouxa, em contraste com a do seu congênere, corretíssima ao pescoço de um cavalheiro corajoso que parece vigiar sua líder, em detrimento de seu próprio garbo. Homem que cuida de protegê-la, bem como a sua própria honra, tantas vezes caçada pela matilha desesperada que A recebia, a Ela e a Seus aliados diletos, em seu território, a contragosto.
À história este olhar altivo, o Dela, inclusive o desta pintura! É este olhar que valoriza o quadro. Poucos conseguem expressar traços mais sutis num semblante tão reto. Nesta ocasião, Ela se comportou como uma atriz, não mediu discrição para singir e comunicar simbolismos e com estes seguiu derrubando, um a um, os seus adversários, até alcançar-lhes o rei e deferir sobre ele o golpe cabal. Traçou para Si uma inacreditável manobra política, que bem poderia ser concebida para o teatro. Ela, a heroína, transitando entre eles, erguida, magnânima, ciente de Sua vitória e de Sua missão imediata: sinalizar-lhes que é justa Sua conquista e que, ali, Ela se posicionava frente aos Seus acusadores para, com este gesto, nesta inesperada visita, equacionar o tabuleiro e derrubar a torre - com o Seu Rei, que a aguardava, a postos. Enfim, Xeque Mate - venceram a última batalha. Refez-se o cenário. Organizaram-se os antigos atores em novos destinos. Ela os viu a definhar ao longe, dona da história.
sábado, 20 de novembro de 2010
Nunca mais
Dou a minha cara a tapas: pelas vias democráticas, o PSDB não elegerá mais um presidente do Brasil.
A Direita, se reinventada, poderá manter-se como uma espécie de PMDB, sem acesso direto ao Poder Central pelos próximos 20 anos. A condição para isso é a de que nós, todos os brasileiros responsáveis, ajudemos a politizar a nossa população, fazendo-a discernir políticas públicas de políticas de compadrio. Isso, além de aprimorar a gestão pelo atual governo,posicionado francamente mais à esquerda, tornará o Estado e a Democracia brasileiros cada vez mais sólidos e populares.
Dilma será reeleita e sucedida por um nordestino. Hoje, aposto minha fichas em Eduardo Campos que, no segundo mandato Dilma, ocupará cargo nacional e fará seu nome conhecido para todo o Brasil.
Aécio, se quiser voltar a governar Minas Gerais, deve, nos próximos 8 anos, passar a cuidar de sua saúde, aprimorando seus hábitos. Mais do que vontade, uma campanha nacional exige força e disposição físicas, além de todo distanciamento das forças nefastas que operam em nossa economia pela criminalidade.
Embora um eventual governo Aécio Neves me pareça menos sombrio do que um - graças a Deus - improvável governo Serra, penso que esta direita, com Richa (logo quem?) ou sem Richa, com ou sem Aécio, não conseguirá se interpor a um Estado que, "pela primeira vez na história desse país", mostrou a que veio a toda a sua população e tem dado ao mundo um exemplo de como superar uma crise originária da ânsia especulativa dos liberais, formadores medulares do PSDB.
'Perderam, preibois'!. Gatinho por gatinho (ou alguém acha que Aécio tem outras qualidades eleitorais e de gestão para além de sua belezurinha de moço rico?) , Eduardo é muito mais saudável e simpático. Quanto ao Richa, bom, este daí, algo me diz, não se segura no governo do Paraná, ou melhor, não aguentará os balões d'água que certamente serão jogados sobre sua caravana, quando o povo deste estado se der conta de que, afinal, eram as pesquisas que estavam certas.
E tenho dito.
A Direita, se reinventada, poderá manter-se como uma espécie de PMDB, sem acesso direto ao Poder Central pelos próximos 20 anos. A condição para isso é a de que nós, todos os brasileiros responsáveis, ajudemos a politizar a nossa população, fazendo-a discernir políticas públicas de políticas de compadrio. Isso, além de aprimorar a gestão pelo atual governo,posicionado francamente mais à esquerda, tornará o Estado e a Democracia brasileiros cada vez mais sólidos e populares.
Dilma será reeleita e sucedida por um nordestino. Hoje, aposto minha fichas em Eduardo Campos que, no segundo mandato Dilma, ocupará cargo nacional e fará seu nome conhecido para todo o Brasil.
Aécio, se quiser voltar a governar Minas Gerais, deve, nos próximos 8 anos, passar a cuidar de sua saúde, aprimorando seus hábitos. Mais do que vontade, uma campanha nacional exige força e disposição físicas, além de todo distanciamento das forças nefastas que operam em nossa economia pela criminalidade.
Embora um eventual governo Aécio Neves me pareça menos sombrio do que um - graças a Deus - improvável governo Serra, penso que esta direita, com Richa (logo quem?) ou sem Richa, com ou sem Aécio, não conseguirá se interpor a um Estado que, "pela primeira vez na história desse país", mostrou a que veio a toda a sua população e tem dado ao mundo um exemplo de como superar uma crise originária da ânsia especulativa dos liberais, formadores medulares do PSDB.'Perderam, preibois'!. Gatinho por gatinho (ou alguém acha que Aécio tem outras qualidades eleitorais e de gestão para além de sua belezurinha de moço rico?) , Eduardo é muito mais saudável e simpático. Quanto ao Richa, bom, este daí, algo me diz, não se segura no governo do Paraná, ou melhor, não aguentará os balões d'água que certamente serão jogados sobre sua caravana, quando o povo deste estado se der conta de que, afinal, eram as pesquisas que estavam certas.
E tenho dito.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Dilma Presidenta
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Desabafo De Um Devoto de São Miguel
Há sentimentos que eu evito sentir. Sentimentos que, quando inevitáveis, eu os ponho para fora por meio da poesia. Há vezes, entretanto, que nem os versos vêm a me socorrer e eu sou impelido a vociferar. É o que eu vou fazer agora.
Peço que se assente e não receba as linhas a seguir como um vômito - é uma oração visceral, do tipo que não se aprende no catecismo. Espécie de excremento, esta prece é cura.
Já que você servirá de testemunha deste ritual, deve por-se perpendicular às palavras, deixe esta rajada necessária porém repugante de letras, que sai de minhas entranhas, passar sem tocar em você. Agradeço-lhe por sua companhia e solidariedade.
Eu sinto ódio de quem atua na obscuridade, por métodos mais espúrios, para enganar as pessoas mais simples. São os anjos da desgraça, os enviados das trevas. E eu os odeio mais, quando atuam em nome de uma pretensa divindade. Odeio-os mais ainda quando defendem uma causa que sabem tão nefasta, que precisa lançar mão deste tipo de estratégia para se fazer valer frente os incautos.
Eu odeio a cara dissimulada da esposa mentirosa, odeio a boca que baba do marido presunçoso e igualmente mentiroso, que se julga acima dos demais homens. Odeio esta pose infame de uma família ideal, perfeita, como que célula da benevolência, mas de onde escore o fel imundo do desdém contra os demais seres humanos.
Eu odeio, neste momento, eu odeio muito a artimanha de luta baseada no golpe baixo, no rumor, no alimento das paixões mais elemtares e no medo. Trata-se de uma quase coação sobre quem tem menos elementos para fazer, rapidamente, um julgamento sólido e condizente com a realidade. Arte de covardes. Eu odeio este estado de coisas, porque ele planta a angústia, a tristeza e a dor, além do medo.
Ele faz com que os sentimentos emancipatórios e felizes se tornem poços de dúvidas. Ele cria o breu no horizonte. Esta estratégia insidiosa planta a sua própria derrota num vale de lama fética e fria, onde, infelizmente, temos que pisar, graças àqueles não menos odiosos que se dão o trabalho de difundir tais monstruosas idéias e espalhá-las em meu quintal.
Odeio-os todos, por me fazerem enxergar esta paisagem infernal. Odeio-os pela mentira, odeio-os pelo que fazem meus contemporâneos sentirem, e por tentarem consolá-los com as mesmas mãos que lhes sufocam. Odeio-os por serem maus. Evidentemente maus.
E esse ódio, querido(a) leitor(a), não é seu ou para você. É meu e é para estas criaturas diabólicas. Este ódio, que me alimenta para a luta, é ódio bendito, é heróico, é minha arma celestial. Não se assuste, que este ódio é o escudo do meu amor por você, brasileiro(a) por quem darei minha vida neste instante.
Comigo está o "Glorioso Príncipe do Céu, protetor das almas". Guerreiro angelical, que nos proteje no combate e torna este ódio em fonte iluminada.
(Respiro)
Que sejam as almas odiosas tocadas pela espada de São Miguel Arcanjo e a elas seja dado o destino que lhes for devido.
Estamos todos nas mãos do Deus das Horas e dos Dias.
"Cobri-nos, Miguel, com vosso escudo, contra os embustes e ciladas do maligno".
Peço que se assente e não receba as linhas a seguir como um vômito - é uma oração visceral, do tipo que não se aprende no catecismo. Espécie de excremento, esta prece é cura.
Já que você servirá de testemunha deste ritual, deve por-se perpendicular às palavras, deixe esta rajada necessária porém repugante de letras, que sai de minhas entranhas, passar sem tocar em você. Agradeço-lhe por sua companhia e solidariedade.
Eu sinto ódio de quem atua na obscuridade, por métodos mais espúrios, para enganar as pessoas mais simples. São os anjos da desgraça, os enviados das trevas. E eu os odeio mais, quando atuam em nome de uma pretensa divindade. Odeio-os mais ainda quando defendem uma causa que sabem tão nefasta, que precisa lançar mão deste tipo de estratégia para se fazer valer frente os incautos.
Eu odeio a cara dissimulada da esposa mentirosa, odeio a boca que baba do marido presunçoso e igualmente mentiroso, que se julga acima dos demais homens. Odeio esta pose infame de uma família ideal, perfeita, como que célula da benevolência, mas de onde escore o fel imundo do desdém contra os demais seres humanos.
Eu odeio, neste momento, eu odeio muito a artimanha de luta baseada no golpe baixo, no rumor, no alimento das paixões mais elemtares e no medo. Trata-se de uma quase coação sobre quem tem menos elementos para fazer, rapidamente, um julgamento sólido e condizente com a realidade. Arte de covardes. Eu odeio este estado de coisas, porque ele planta a angústia, a tristeza e a dor, além do medo.
Ele faz com que os sentimentos emancipatórios e felizes se tornem poços de dúvidas. Ele cria o breu no horizonte. Esta estratégia insidiosa planta a sua própria derrota num vale de lama fética e fria, onde, infelizmente, temos que pisar, graças àqueles não menos odiosos que se dão o trabalho de difundir tais monstruosas idéias e espalhá-las em meu quintal.
Odeio-os todos, por me fazerem enxergar esta paisagem infernal. Odeio-os pela mentira, odeio-os pelo que fazem meus contemporâneos sentirem, e por tentarem consolá-los com as mesmas mãos que lhes sufocam. Odeio-os por serem maus. Evidentemente maus.E esse ódio, querido(a) leitor(a), não é seu ou para você. É meu e é para estas criaturas diabólicas. Este ódio, que me alimenta para a luta, é ódio bendito, é heróico, é minha arma celestial. Não se assuste, que este ódio é o escudo do meu amor por você, brasileiro(a) por quem darei minha vida neste instante.
Comigo está o "Glorioso Príncipe do Céu, protetor das almas". Guerreiro angelical, que nos proteje no combate e torna este ódio em fonte iluminada.
(Respiro)
Que sejam as almas odiosas tocadas pela espada de São Miguel Arcanjo e a elas seja dado o destino que lhes for devido.
Estamos todos nas mãos do Deus das Horas e dos Dias.
"Cobri-nos, Miguel, com vosso escudo, contra os embustes e ciladas do maligno".
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A onda verde e a laranja
Uma "Onda verde" parece tomar as salas de estar das casas de classe média, no Brasil. Há uma semana, Marina Silva vem ganhando eleitorado entre jovens instruídos, de famílias com renda familiar superior a 4 salários mínimos. Até à maquiagem cosmética ela cedeu, sem responder onde foi parar uma tal alergia insuportável.
O sentimento que impele esta escolha pela candidata do PV é o de evitar o voto em políticos corruptos, ou de protestar contra o clientelismo e a presença de oligarquias nos postos de mando da República. Acho este sentimento bastante nobre, contudo não posso deixar de notar que ele revela dois traços marcantes no comportamento desta parcela da população: a despolitização e a negação das mazelas da brasilidade.
Percebo claramente uma superficialização do argumento de escolha do voto. Para isso, as manchetes alarmistas dos jornais e telejornais dos grupos Folha, Estado, Abril, Bandeirantes e Globo ajudam bastante. Marina Silva, por sua vez, sabendo disso, repete-as em suas manifestações, sublinhando frases feitas sob medida para sensibilizar este público mediano. Por outro lado, ao atentar levemente contra o candidato José Serra, de modo a não identificar sua posição com a direita mais raivosa que explicitamente o cerca, a candidata verde cria uma cortina de fumaça sobre os políticos retrógrados que a ladeiam e que têm grande interesse em uma eleição desfavorável a Dilma, seja ela qual for.
Marina se locupleta da tática do medo, com a diferença de que esse medo que ela incita é um medo verde, cercado por um discurso genérico sobre temas nacionais, como se eles fossem problemas de governo. E aí Marina atua de modo bastante reprovável, porque nega a sua história administrativa, igualmente marcada, tanto por casos de corrupção, como de sucesso na execução de políticas públicas superadoras de problemas nacionais graves. O que nos leva a concluir que Marina, matreiramente, tenta enganar seu eleitor. E parece que vem conseguindo.
Então, chegamos ao segundo traço do comportamento classemediano que surfa na onda verde: a negação das mazelas da brasilidade.
Vejamos este vídeo em que Dilma rebateu Marina, num questionamento sobre corrupção "tão perto do presidente":
O clientelismo e o patrimonialismo são males que se conformaram ao modo brasileiro de fazer política. O combate a isso não pode passar pela negação deles, mas pelo enfrentamento. É cínico Marina evitar falar que o seu partido, o PV, é tão ou mais comprometido com as oligarquias que qualquer outro. Talvez mais, uma vez que, em diversos casos, especialmente no Rio e em São Paulo, o PV está organicamente ligado a casos sérios de corrupção. Enquanto partido pequeno, o PV refenizou-se aos grandes (DEM e PSDB, diga-se), aproveitando-se das benesses do clientelismo, contaminando-se na essência por este modo de fazer política.
Assim, é falsa a impressão de que Marina representa algum sopro de novidade no que diz respeito a uma política governamental limpa de práticas que ainda hoje nos enoja. E mais, tendo em vista os interesses econômicos e políticos que a rodeiam nestas eleições, sou levado a crer que Marina é, depois de Serra, a candidata mais suscetível à ocorrência de corrupção grave no governo.
E ainda temos o fato de que, em entrevistas e debates, Marina tem feito o desfavor de anunciar promessas pouco factíveis, enroladas num discurso professoral e bem intencionado. Ela generaliza bordões ambientais, de modo a negar ou minimizar os avanços dos últimos anos no combate ao desmatamento, no alcance das metas do milênio da ONU e no aumento de obras de saneamento - para citar causas ambientalmente relevantes. Marina apresenta uma postura obtusa neste sentido, até um tanto rancorosa.
A propósito do rancor, eu entranhei bastante sua saída do PT. As razões dadas por ela faziam algum sentido, porém não me convenceram, porque coincidiram com o aumento dos boatos acerca da escolha de Lula e do PT por Dilma, para as eleições de 2010. Sim, desde 2007, já circulavam boatos neste sentido. Ao sair do PT e migrar para o PV, com a garantia de sua candidatura à Presidência, Marina evidenciou a mim e a uma porção de outros observadores de política, que sua atitude foi, antes, motivada por ressentimento, vaidade e rancor, e não por uma razão atrelada à moralização da política brasileira.
Se Marina quisesse fincar pé na luta real contra a corrupção, ela teria se mantido no PT, aolado dos que comungam de suas causas, ou migrado para o PSOL, por exemplo, mas jamais para o PV. Ao fazê-lo e ao se misturar a Gabeira, Zequinha Sarney, entre outros "verdes", Marina passou a ser ladeada por figuras identificadas com o atraso, a demagogia e o obscurantismo na política nacional. Isso, sem falar na dificuldade de Marina em se posicionar acerca de temas caros ao desenvolvimento e aos movimentos sociais, dadas as suas inclinações religiosas.
Marina colocou-se, nestas eleições, numa encruzilhada política que ameaça manchar a sua reputação, tão integramente conquistada ao longo dos anos. A "onda verde" favorece a Serra, com a possibilidade de um segundo turno. Ao afagar Marina, a mídia a instrumentaliza com argumentos escandalosamente enviezados na mentira e na falta de provas.
Ao repeti-los com um discurso rebuscado e generalizante, Marina acaba por convencer pessoas jovens e suscetíveis, que não gostam de levar uma reflexão política complexa até o fim, ao tempo em que preferem acreditar que as mazelas de nossa identidade nacional nada têm a ver com elas.
O sentimento que impele esta escolha pela candidata do PV é o de evitar o voto em políticos corruptos, ou de protestar contra o clientelismo e a presença de oligarquias nos postos de mando da República. Acho este sentimento bastante nobre, contudo não posso deixar de notar que ele revela dois traços marcantes no comportamento desta parcela da população: a despolitização e a negação das mazelas da brasilidade.Percebo claramente uma superficialização do argumento de escolha do voto. Para isso, as manchetes alarmistas dos jornais e telejornais dos grupos Folha, Estado, Abril, Bandeirantes e Globo ajudam bastante. Marina Silva, por sua vez, sabendo disso, repete-as em suas manifestações, sublinhando frases feitas sob medida para sensibilizar este público mediano. Por outro lado, ao atentar levemente contra o candidato José Serra, de modo a não identificar sua posição com a direita mais raivosa que explicitamente o cerca, a candidata verde cria uma cortina de fumaça sobre os políticos retrógrados que a ladeiam e que têm grande interesse em uma eleição desfavorável a Dilma, seja ela qual for.
Marina se locupleta da tática do medo, com a diferença de que esse medo que ela incita é um medo verde, cercado por um discurso genérico sobre temas nacionais, como se eles fossem problemas de governo. E aí Marina atua de modo bastante reprovável, porque nega a sua história administrativa, igualmente marcada, tanto por casos de corrupção, como de sucesso na execução de políticas públicas superadoras de problemas nacionais graves. O que nos leva a concluir que Marina, matreiramente, tenta enganar seu eleitor. E parece que vem conseguindo.
Então, chegamos ao segundo traço do comportamento classemediano que surfa na onda verde: a negação das mazelas da brasilidade.
Vejamos este vídeo em que Dilma rebateu Marina, num questionamento sobre corrupção "tão perto do presidente":
O clientelismo e o patrimonialismo são males que se conformaram ao modo brasileiro de fazer política. O combate a isso não pode passar pela negação deles, mas pelo enfrentamento. É cínico Marina evitar falar que o seu partido, o PV, é tão ou mais comprometido com as oligarquias que qualquer outro. Talvez mais, uma vez que, em diversos casos, especialmente no Rio e em São Paulo, o PV está organicamente ligado a casos sérios de corrupção. Enquanto partido pequeno, o PV refenizou-se aos grandes (DEM e PSDB, diga-se), aproveitando-se das benesses do clientelismo, contaminando-se na essência por este modo de fazer política.
Assim, é falsa a impressão de que Marina representa algum sopro de novidade no que diz respeito a uma política governamental limpa de práticas que ainda hoje nos enoja. E mais, tendo em vista os interesses econômicos e políticos que a rodeiam nestas eleições, sou levado a crer que Marina é, depois de Serra, a candidata mais suscetível à ocorrência de corrupção grave no governo.
E ainda temos o fato de que, em entrevistas e debates, Marina tem feito o desfavor de anunciar promessas pouco factíveis, enroladas num discurso professoral e bem intencionado. Ela generaliza bordões ambientais, de modo a negar ou minimizar os avanços dos últimos anos no combate ao desmatamento, no alcance das metas do milênio da ONU e no aumento de obras de saneamento - para citar causas ambientalmente relevantes. Marina apresenta uma postura obtusa neste sentido, até um tanto rancorosa.
A propósito do rancor, eu entranhei bastante sua saída do PT. As razões dadas por ela faziam algum sentido, porém não me convenceram, porque coincidiram com o aumento dos boatos acerca da escolha de Lula e do PT por Dilma, para as eleições de 2010. Sim, desde 2007, já circulavam boatos neste sentido. Ao sair do PT e migrar para o PV, com a garantia de sua candidatura à Presidência, Marina evidenciou a mim e a uma porção de outros observadores de política, que sua atitude foi, antes, motivada por ressentimento, vaidade e rancor, e não por uma razão atrelada à moralização da política brasileira.
Marina colocou-se, nestas eleições, numa encruzilhada política que ameaça manchar a sua reputação, tão integramente conquistada ao longo dos anos. A "onda verde" favorece a Serra, com a possibilidade de um segundo turno. Ao afagar Marina, a mídia a instrumentaliza com argumentos escandalosamente enviezados na mentira e na falta de provas.
Ao repeti-los com um discurso rebuscado e generalizante, Marina acaba por convencer pessoas jovens e suscetíveis, que não gostam de levar uma reflexão política complexa até o fim, ao tempo em que preferem acreditar que as mazelas de nossa identidade nacional nada têm a ver com elas.
45 perguntas a Marina Silva
O perfil @perguntadodia no Twitter postou 45 perguntas a Marina Silva e eu as considerei bastante plausíveis. Ao não respondê-las claramente, Marina mostra que sua candidatura éobscura e não garante um real avanço nacional no sentido do aprimoramento da administração pública e da proteção a direitos de parcelas discriminadas da população.
Pergunte a Marina e, somente depois, escolha seu voto:
Por que seu partido apóia o governo do PSDB em SP?
Como se sente em ter como liderança do seu partido (PV) o filho de Sarney, Zequinha, ex-ministro de FHC?
Qual é a sua posição sobre a construção do submarino nuclear da Marinha para patrulhar as reservas de petróleo?
Por que os dep. de seu partido nunca exigiram q as 69 CPIs para investir governo do PSDB em SP fossem abertas?
Qual é sua opinião sobre a política externa do governo Lula?
Você é contra ou a favor da presença de tropas de paz do BR no Haiti?
Por que depois que você saiu do Ministerio os dados de desmatamento melhoraram?
Por que seu partido apóia o oligarca do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB) para governador do TO?
Por que seu partido apóia o candidato do PPS/PSDB no Amazonas (Hissa Abrahao)
Por que você e seu partido estão coligados com Roseana Sarney no Maranhão?
Por que seu partido se aliou ao DEM no Rio de Janeiro?
No casos de aborto já previstos em lei, você vai desobedecer a lei ou vai deixar fazê-los?
Por que seu partido apoiou a instalação dos pedágios absurdos em SP?
Você é contra ou a favor do Plano Nacional de Direitos Humanos?
Por que os deputados de seu partido não denunciaram a destruição da educação em SP pelo PSDB?
Com relação ao Irã, você defende sanções imediatas propostas pelos EUA ou negociações para evitar a guerra?
Pq dep. de seu partido nunca exigiram q as 69 CPIs para investigar governo do PSDB em SP fossem abertas?
Você pretende mudar as leis para democratizar comunicações e imprensa ou vai deixar como está?
Você vai fazer reforma agrária pra valer ou pretende criminalizar o MST e invasões de terra?
Por que seu partido apóia a prefeitura do DEM na capital de SP, a mesma que expulsa mendigos? (via @cidcancer)
Pq os deputados de seu partido não denunciaram o crime ambiental do governo de SP nas enchents do Jd Pantanal?
Se houver segundo turno em SP Alckimin X Mercadante, quem vocês vão apoiar?
Pq você não conseguiu evitar os escândalos de corrupção/venda de madeira no seu ministério?
Pq maioria dos dep PV foram contra auditores do MTb fiscalizarem trabalho escravo?
Qual é sua opinião sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo?
Você vai criar impostos para inibir uso de embalagens descartáveis, ou vai deixar como está?
Você vai baixar os impostos sobre automóveis, ou vai aumentá-los?
Pq deputados de seu partido em MG votaram contra o piso salarial dos professores?
Você pretende fortalecer ou enfraquecer as relações do BR com a Venezuela?
A sra. pretende continuar a política de apoio ao Etanol?
A sra. pretende proibir o plantio de transgênicos?
A sra. é contra ou a favor das pesquisas com células-tronco de embriões para cura de doenças?
A sra. é favor da discriminalização do uso da maconha ou acha melhor deixar como está?
Por que seu correligionário Gabeira prefere fazer campanha para o Serra, e não para a Sra.?
A sra. pretende enfrentar as empresas de telecomunicações para melhorar a banda larga no Brasil?
O DEM, o PP e o PSDB farão parte de sua base parlamentar no Congresso?
A sra. pretende chamar PT para compor sua base parlamentar no Congresso, já que PV não terá maioria?
A sra. pensa em mudar as normas de concessão de rádio e TV para políticos ou vai continuar tudo como está?
Por que seu partido votou contra a ampliação de recursos para saúde (CSS)?
Pq seu partido não puniu Gabeira (PV-RJ) por usar passagens do congresso para mandar a filha passear na europa?
Pq seu partido empregou assessores envolvidos na máfia dos sanguessugas?
Pq o dep Inácio Franco (PV-MG) condecorou suspeito de chacina de fiscais de trabalho escravo?
A sra. é contra ou a favor do imposto sobre grandes fortunas?
Pq a sra. não se posiciona contra os crimes ambientais do latifúndio e do agronegócio?
Como a sra. pretende enfrentar os crimes ambientais das grandes mineradoras?
Pergunte a Marina e, somente depois, escolha seu voto:
Por que seu partido apóia o governo do PSDB em SP?
Como se sente em ter como liderança do seu partido (PV) o filho de Sarney, Zequinha, ex-ministro de FHC?
Qual é a sua posição sobre a construção do submarino nuclear da Marinha para patrulhar as reservas de petróleo?
Por que os dep. de seu partido nunca exigiram q as 69 CPIs para investir governo do PSDB em SP fossem abertas?
Qual é sua opinião sobre a política externa do governo Lula?
Você é contra ou a favor da presença de tropas de paz do BR no Haiti?
Por que depois que você saiu do Ministerio os dados de desmatamento melhoraram?
Por que seu partido apóia o oligarca do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB) para governador do TO?
Por que seu partido apóia o candidato do PPS/PSDB no Amazonas (Hissa Abrahao)
Por que você e seu partido estão coligados com Roseana Sarney no Maranhão?
Por que seu partido se aliou ao DEM no Rio de Janeiro?
No casos de aborto já previstos em lei, você vai desobedecer a lei ou vai deixar fazê-los?
Por que seu partido apoiou a instalação dos pedágios absurdos em SP?
Você é contra ou a favor do Plano Nacional de Direitos Humanos?
Por que os deputados de seu partido não denunciaram a destruição da educação em SP pelo PSDB?
Com relação ao Irã, você defende sanções imediatas propostas pelos EUA ou negociações para evitar a guerra?
Pq dep. de seu partido nunca exigiram q as 69 CPIs para investigar governo do PSDB em SP fossem abertas?
Você pretende mudar as leis para democratizar comunicações e imprensa ou vai deixar como está?
Você vai fazer reforma agrária pra valer ou pretende criminalizar o MST e invasões de terra?
Por que seu partido apóia a prefeitura do DEM na capital de SP, a mesma que expulsa mendigos? (via @cidcancer)
Pq os deputados de seu partido não denunciaram o crime ambiental do governo de SP nas enchents do Jd Pantanal?
Se houver segundo turno em SP Alckimin X Mercadante, quem vocês vão apoiar?
Pq você não conseguiu evitar os escândalos de corrupção/venda de madeira no seu ministério?
Pq maioria dos dep PV foram contra auditores do MTb fiscalizarem trabalho escravo?
Qual é sua opinião sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo?
Você vai criar impostos para inibir uso de embalagens descartáveis, ou vai deixar como está?
Você vai baixar os impostos sobre automóveis, ou vai aumentá-los?
Pq deputados de seu partido em MG votaram contra o piso salarial dos professores?
Você pretende fortalecer ou enfraquecer as relações do BR com a Venezuela?
A sra. pretende continuar a política de apoio ao Etanol?
A sra. pretende proibir o plantio de transgênicos?
A sra. é contra ou a favor das pesquisas com células-tronco de embriões para cura de doenças?
A sra. é favor da discriminalização do uso da maconha ou acha melhor deixar como está?
Por que seu correligionário Gabeira prefere fazer campanha para o Serra, e não para a Sra.?
A sra. pretende enfrentar as empresas de telecomunicações para melhorar a banda larga no Brasil?
O DEM, o PP e o PSDB farão parte de sua base parlamentar no Congresso?
A sra. pretende chamar PT para compor sua base parlamentar no Congresso, já que PV não terá maioria?
A sra. pensa em mudar as normas de concessão de rádio e TV para políticos ou vai continuar tudo como está?
Por que seu partido votou contra a ampliação de recursos para saúde (CSS)?
Pq seu partido não puniu Gabeira (PV-RJ) por usar passagens do congresso para mandar a filha passear na europa?
Pq seu partido empregou assessores envolvidos na máfia dos sanguessugas?
Pq o dep Inácio Franco (PV-MG) condecorou suspeito de chacina de fiscais de trabalho escravo?
A sra. é contra ou a favor do imposto sobre grandes fortunas?
Pq a sra. não se posiciona contra os crimes ambientais do latifúndio e do agronegócio?
Como a sra. pretende enfrentar os crimes ambientais das grandes mineradoras?
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