sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Eu ainda escreverei muito sobre as eleições de 2012, por isso por enquanto eu irei apenas apresentar os cinco primeiros eixos de uma breve análise:

1. População não caiu na armadilha midiática de "criminalização da política brasileira";

2. Fortalece-se minha percepção de que a população "vende" quatro anos de gestão pública. População, no entanto, ainda apreende as dinâmicas de Estado a partir d

e ações governamentais « estágio inicial de formação "nacional";

3. Há duas forças políticas perfeitamente delineadas, uma assumida pela liderança petista, outra por uma conjugação de atores que, nestas eleições, foram fortalecidos com as vitórias, em segundo turno, em Salvador com o DEM de ACM Neto, e em Manaus com o PSDB de Arthur Virgilio Neto. A terceira geração de uma 'governabilidade' que muitos, erradamente, consideraram erradicada.
A Direita perdeu, entretanto, poder, especialmente no interior do Brasil.
O PT assumiu a vice liderança entre os partidos, atrás apenas do PMDB. Isso ainda se dá pela força de Lula. Dilma desponta como "líder", Haddad é promessa, Wagner precisa ceder lugar.
Aécio não se construiu nacionalmente, porém será ele quem protagonizará o grande vexame de 2014, contra Dilma.
Eduardo Campos enxerga 2018, Haddad 2020.

4. A meu ver, foi uma eleição popular e com a participação animada de distintas militâncias. Foi, inclusive, menos virulenta que a de 2010.

5. Na Bahia, por exemplo, havia muitas razões para se retirar apoio ao PT, por conta da gestão de Jaques Wagner, considerada por muitos como truculenta e inacessível.
A despeito do inusitado de certas adesões ao ACM e da ação da mídia estadual em torno dos problemas do governo do estado junto aos funcionários, revoltaram-se os anti-petistas clássicos. Com a presença de Lula, vontade de votar no PT subia, com Wagner despencavam-se os índices de elegibilidade de Pelegrino.
Esta é a grande lição ao PT no Nordeste: os votos que vinha recebendo ainda não eram votos partidários. Há que se avaliar as campanhas locais, para se verificar uma mudança nesse quadro.

6. Por outro lado, na militância de oposição, parte dela capitaneada por intelectuais que, ainda que veladamente, apoiaram candidaturas adversárias do governo federal, expressaram-se mais rancores do que propriamente ideias, soluções ou alternativas. Afinal, não haverá povo que se dirija ao abismo para de lá se jogar. Enquanto isso, o PT segue afirmando seu "estilo" de governo. A foto de Dilma de mãos dadas a Haddad - de cara felicíssima - após a apuração é simbólica desse fenômeno.

5. Há dois imensos nichos político-eleitorais que permanecem vazios: à esquerda e à direita. PSOL e DEM irmanaram-se. "Brasil, mostra a tua cara..."
 
 
Publicado no Facebook em 01 de Novembro de 2012.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Jornal Nacional e Arte-Jornalismo

Matéria do JN no último dia 22 de novembro: Procurador-geral da República critica relatório final da CPI do Cachoeira

Script: Apresenta-se a conclusão. O ator diz uma sigla, de modo a torná-la numa obviedade ridícula. Matéria segue com os tropeços na CPI do representante daquela sigla e finaliza com o depoimento do Grand
e Promotor, o Absoluto acusador, o não julgável, sorridente em sua feição semelhante à do eminente humorista.

É quase um bom curta-metragem de ficção, mas ainda é uma 'crônica'! Meio chula, pouco sutil.

Pela coisa do 'realismo' e pelo talento dos atores, dou 3 estrelas e meia.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Alternância e Poder

Um argumento muito propalado por simpatizantes da Direita latinoamericana contra os auto-proclamandos "governos populares/progressistas" é relativo à necessidade de "alternância de poder". 
Entretanto, este argumento somente é válido se vier acompanhado de um 'Projeto de Poder'. 
Explico-me com dois exemplos:

1. Venezuela: Chavez venceu sem ampla maioria, não por ser um ditador, ou por não ser eficiente o processo eleitoral de seu país.
Chavez venceu na Venezuela, porque seu concorrente, ao longo dos últimos anos e meses, não conseguiu contrapor um conjunto de popostas suficientemente pragmáticas, que convencessem os venezuelanos - especialmente aqueles muito impactados pelas políticas públicas do período Chavez - de que se tratava de uma nova 'bandeira', cujos compromissos fariam jus à (re)ocupação do poder central pela direita;

2. São Paulo: Fernando Haddad, do PT, chegou ao segundo turno porque preparou um painel convincente de propostas de programas e de políticas públicas, dispostos ao longo de toda a campanha, de forma muito didática, em todos os meios de comunicação de que lançou mão. 
A despeito de seu belo porte físico, de sua relação próxima com os maiores líderes políticos brasileiros e da aproximação de partidos relacionados a setores importantes (e, sim, muitas vezes reacionários) da política paulistana, Haddad tem grandes chances de se tornar prefeito da maior cidade do país apenas por, junto com o argumento da "alternância", ter apresentado ao seu eleitor um projeto de poder, a ser debatido com seus oponentes.

Quem argumenta pela "alternância de poder" sem ter em vista o projeto político-partidário do candidato deprecia a capacidade de diálogo político, que o eleitor latinoamericano vem apresentando nos últimos anos. Quem usa de razões tão rasas atesta, pelas próprias palavras, o seu descompasso para com a História do Brasil e de toda a América Latina.