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quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Sopa Fede

Minha posição sobre o Movimento Passe Livre e suas manifestações em São Paulo:

- À juventude, cabe expressar novas ideias, envolver a sociedade em novos ares e em novas formas de viver e de se comportar. Na medida em que consiga disseminar a boa nova, está valendo. Ocupar as ruas, sim, ir e vir, exibir revolta, com firmeza, sem abrir mão da beleza. Parar o trânsito, claro, mas a cidade, pará-la somente se houver envolvimento de muitos segmentos sociais. Como está, o MPL ainda precisa se organizar, combinar com outros segmentos um conjunto de propostas de mobilidade urbana. Ainda não fez isto, a meu ver. Não o considero um movimento de massas. Obviamente, como movimento, tem plenos direitos de manifestação e de indignação, inclusive, porque cabe à juventude se indignar junto com os primeiros que se indignam;

- A Polícia de São Paulo provocou a violência, hoje em São Paulo, quando interditou a movimentação dos jovens. Acompanhei a narração do movimento pelo twitter e quem atirou a primeira bomba foi a PM, intransigente e orientada a fazê-lo. O governo do estado quer criar a impressão na opinião pública de que ele mantém a ordem, pela força policial. Num território em plena escalada de violência, como São Paulo, passar esta impressão diante de uma população conservadora e elitista pega muito bem. Alckmin, sorrateiro, ditou o discurso do "vandalismo" e autorizou a polícia a produzir imagens como esta da foto. Este spray de pimenta é do PSDB;

- A prefeitura é a parte interessada na resolução da questão - ela gere os contratos de concessão às empresas de transporte urbano. Está certa em não admitir dialogar com "quem promove a violência", mas peca ao não enxergar quem promove a "baderna". Sei que é delicado imputar, em São Paulo, alguma responsabilidade à força policial, contudo, inteligentemente, a liderança do MPL procurou a mediação do Ministério Público e isto daria à prefeitura as condições de elucidar suas razões, trazer a agenda para o seu lado. O Ministério Público pediu um adiamento de 45 dias para o aumento, Haddad preferiu manter a intransigência e o julgamento unilateral, responsabilizando os jovens. Fez muito mal, tal qual Jaques Wagner na Bahia de 2010/11. Ainda por cima, o Ministro (?) da Justiça (????) veio oferecer força federal, jogou o PT no caldeirão da sopa e aí... ferveu!

- De um lado, jovens enfadados comandam um movimento sobre o qual não têm controle, porque não o organizaram, apenas o insuflaram e, do outro, o Poder Público se une numa demonstração de que o sopão de tolos com safados vai criar uma prisão de ventre insuportável, num país em que gás de pimenta e bombas de 'efeito moral' fedem bem mais do que quarto de adolescente desocupado em busca de fortes emoções.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Alternância e Poder

Um argumento muito propalado por simpatizantes da Direita latinoamericana contra os auto-proclamandos "governos populares/progressistas" é relativo à necessidade de "alternância de poder". 
Entretanto, este argumento somente é válido se vier acompanhado de um 'Projeto de Poder'. 
Explico-me com dois exemplos:

1. Venezuela: Chavez venceu sem ampla maioria, não por ser um ditador, ou por não ser eficiente o processo eleitoral de seu país.
Chavez venceu na Venezuela, porque seu concorrente, ao longo dos últimos anos e meses, não conseguiu contrapor um conjunto de popostas suficientemente pragmáticas, que convencessem os venezuelanos - especialmente aqueles muito impactados pelas políticas públicas do período Chavez - de que se tratava de uma nova 'bandeira', cujos compromissos fariam jus à (re)ocupação do poder central pela direita;

2. São Paulo: Fernando Haddad, do PT, chegou ao segundo turno porque preparou um painel convincente de propostas de programas e de políticas públicas, dispostos ao longo de toda a campanha, de forma muito didática, em todos os meios de comunicação de que lançou mão. 
A despeito de seu belo porte físico, de sua relação próxima com os maiores líderes políticos brasileiros e da aproximação de partidos relacionados a setores importantes (e, sim, muitas vezes reacionários) da política paulistana, Haddad tem grandes chances de se tornar prefeito da maior cidade do país apenas por, junto com o argumento da "alternância", ter apresentado ao seu eleitor um projeto de poder, a ser debatido com seus oponentes.

Quem argumenta pela "alternância de poder" sem ter em vista o projeto político-partidário do candidato deprecia a capacidade de diálogo político, que o eleitor latinoamericano vem apresentando nos últimos anos. Quem usa de razões tão rasas atesta, pelas próprias palavras, o seu descompasso para com a História do Brasil e de toda a América Latina.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A 'Serrice' mais Recente, ou O Retorno do 'Jênio'

"Nós vamos fazer propostas setoriais para cada coisa." 

Este exemplo de frase inócua e desonesta, José Serra o disse ao Bóris Casoy (vídeo abaixo). Se um pesquisador, empresário, gestor ou político repetir isso publicamente, perderá muito do seu "valor de mercado". 

Quem tem Serra como economista, não precisa de companheiro/a perdulário, bonachão ou vaidoso/a.


Já que este 'jênio' não se elegerá nem para prefeito de SP (com fé em Deus e nos paulistas!), eu vou rir deste seu ato falho. 

Se tivessem conseguido elegê-lo presidente, eu estaria agora morrendo de vergonha e torpor.

Este homem é um dos maiores comediantes brasileiros. Para quem não sabe, tem vídeo de Serra errando em conta de matemática para crianças do ginásio, outro dele explicando por que a gripe era suína, outro com ele anunciando o fim do Brasil e pregando alinhamento automático com a euroamérica falida... Enfim, tem bobagem serrista para todos os gostos.






E ele continua acreditando que se trata de uma eleição nacional. Até quando SP vai patinar por conta das ambições descabidas de um homem?