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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dilma Presidenta

Antes de retornar com um texto de reflexão, preciso registrar a minha grande alegria pela vitória da presidenta Dilma Rousseff.

A causa é justa e a luta continua.


Abraços aos companheiros.


Luz e força à nossa Presidenta!


A luta continua!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A onda verde e a laranja

Uma "Onda verde" parece tomar as salas de estar das casas de classe média, no Brasil. Há uma semana, Marina Silva vem ganhando eleitorado entre  jovens instruídos, de famílias com renda familiar superior a 4 salários mínimos. Até à maquiagem cosmética ela cedeu, sem responder onde foi parar uma tal alergia insuportável.


O sentimento que impele esta escolha pela candidata do PV é o de evitar o voto em políticos corruptos, ou de protestar contra o clientelismo e a presença de oligarquias nos postos de mando da República. Acho este sentimento bastante nobre, contudo não posso deixar de notar que ele revela dois traços marcantes no comportamento desta parcela da população: a despolitização e a negação das mazelas da brasilidade.


Percebo claramente uma superficialização do argumento de escolha do voto. Para isso, as manchetes alarmistas dos jornais e telejornais dos grupos Folha, Estado, Abril, Bandeirantes e Globo ajudam bastante. Marina Silva, por sua vez, sabendo disso, repete-as em suas manifestações, sublinhando frases feitas sob medida para sensibilizar este público mediano. Por outro lado, ao atentar levemente contra o candidato José Serra, de modo a não identificar sua posição com a direita mais raivosa que explicitamente o cerca, a candidata verde cria uma cortina de fumaça sobre os políticos retrógrados que a ladeiam e que têm grande interesse em uma eleição desfavorável a Dilma, seja ela qual for.


Marina se locupleta da tática do medo, com a diferença de que esse medo que ela incita é um medo verde, cercado por um discurso genérico sobre temas nacionais, como se eles fossem problemas de governo. E aí Marina atua de modo bastante reprovável, porque nega a sua história administrativa, igualmente marcada, tanto por casos de corrupção, como de sucesso na execução de políticas públicas superadoras de problemas nacionais graves. O que nos leva a concluir que Marina, matreiramente, tenta enganar seu eleitor. E parece que vem conseguindo.


Então, chegamos ao segundo traço do comportamento classemediano que surfa na onda verde: a negação das mazelas da brasilidade.

Vejamos este vídeo em que Dilma rebateu Marina, num questionamento sobre corrupção "tão perto do presidente":




O clientelismo e o patrimonialismo são males que se conformaram ao modo brasileiro de fazer política. O combate a isso não pode passar pela negação deles, mas pelo enfrentamento. É cínico Marina evitar falar que o seu partido, o PV, é tão ou mais comprometido com as oligarquias que qualquer outro. Talvez mais, uma vez que, em diversos casos, especialmente no Rio e em São Paulo, o PV está organicamente ligado a casos sérios de corrupção. Enquanto partido pequeno, o PV refenizou-se aos grandes (DEM e PSDB, diga-se), aproveitando-se das benesses do clientelismo, contaminando-se na essência por este modo de fazer política.



Assim, é falsa a impressão de que Marina representa algum sopro de novidade no que diz respeito a uma política governamental limpa de práticas que ainda hoje nos enoja. E mais, tendo em vista os interesses econômicos e políticos que a rodeiam nestas eleições, sou levado a crer que Marina é, depois de Serra, a candidata mais suscetível à ocorrência de corrupção grave no governo.


E ainda temos o fato de que, em entrevistas e debates, Marina tem feito o desfavor de anunciar promessas pouco factíveis, enroladas num discurso professoral e bem intencionado. Ela generaliza bordões ambientais, de modo a negar ou minimizar os avanços dos últimos anos no combate ao desmatamento, no alcance das metas do milênio da ONU e no aumento de obras de saneamento - para citar causas ambientalmente relevantes. Marina apresenta uma postura obtusa neste sentido, até um tanto rancorosa.


A propósito do rancor, eu entranhei bastante sua saída do PT. As razões dadas por ela faziam algum sentido, porém não me convenceram, porque coincidiram com o aumento dos boatos acerca da escolha de Lula e do PT por Dilma, para as eleições de 2010. Sim, desde 2007, já circulavam boatos neste sentido. Ao sair do PT e migrar para o PV, com a garantia de sua candidatura à Presidência, Marina evidenciou a mim e a uma porção de outros observadores de política, que sua atitude foi, antes, motivada por ressentimento, vaidade e rancor, e não por uma razão atrelada à moralização da política brasileira.


Se Marina quisesse fincar pé na luta real contra a corrupção, ela teria se mantido no PT, aolado dos que comungam de suas causas, ou migrado para o PSOL, por exemplo, mas jamais para o PV. Ao fazê-lo e ao se misturar a Gabeira, Zequinha Sarney, entre outros "verdes", Marina passou a ser ladeada por figuras identificadas com o atraso, a demagogia e o obscurantismo na política nacional. Isso, sem falar na dificuldade de Marina em se posicionar acerca de temas caros ao desenvolvimento e aos movimentos sociais, dadas as suas inclinações religiosas.


Marina colocou-se, nestas eleições, numa encruzilhada política que ameaça manchar a sua reputação, tão integramente conquistada ao longo dos anos. A "onda verde" favorece a Serra, com a possibilidade de um segundo turno. Ao afagar Marina, a mídia a  instrumentaliza com argumentos escandalosamente enviezados na mentira e na falta de provas. 


Ao repeti-los com um discurso rebuscado e generalizante, Marina acaba por convencer pessoas jovens e suscetíveis, que não gostam de levar uma reflexão política complexa até o fim, ao tempo em que preferem acreditar que as mazelas de nossa identidade nacional nada têm a ver com elas.

45 perguntas a Marina Silva

O perfil @perguntadodia no Twitter postou 45 perguntas a Marina Silva e eu as considerei bastante plausíveis. Ao não respondê-las claramente, Marina mostra que sua candidatura éobscura e não garante um real avanço nacional no sentido do aprimoramento da administração pública e da proteção a direitos de parcelas discriminadas da população. 


Pergunte a Marina e, somente depois, escolha seu voto:



Por que seu partido apóia o governo do PSDB em SP?

Como se sente em ter como liderança do seu partido (PV) o filho de Sarney, Zequinha, ex-ministro de FHC?

Qual é a sua posição sobre a construção do submarino nuclear da Marinha para patrulhar as reservas de petróleo?

Por que os dep. de seu partido nunca exigiram q as 69 CPIs para investir governo do PSDB em SP fossem abertas?

Qual é sua opinião sobre a política externa do governo Lula?

Você é contra ou a favor da presença de tropas de paz do BR no Haiti?

Por que depois que você saiu do Ministerio os dados de desmatamento melhoraram?

Por que seu partido apóia o oligarca do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB) para governador do TO?

Por que seu partido apóia o candidato do PPS/PSDB no Amazonas (Hissa Abrahao)

Por que você e seu partido estão coligados com Roseana Sarney no Maranhão?

Por que seu partido se aliou ao DEM no Rio de Janeiro?

No casos de aborto já previstos em lei, você vai desobedecer a lei ou vai deixar fazê-los?

Por que seu partido apoiou a instalação dos pedágios absurdos em SP?

Você é contra ou a favor do Plano Nacional de Direitos Humanos?

Por que os deputados de seu partido não denunciaram a destruição da educação em SP pelo PSDB?

Com relação ao Irã, você defende sanções imediatas propostas pelos EUA ou negociações para evitar a guerra?

Pq dep. de seu partido nunca exigiram q as 69 CPIs para investigar governo do PSDB em SP fossem abertas?

Você pretende mudar as leis para democratizar comunicações e imprensa ou vai deixar como está?

Você vai fazer reforma agrária pra valer ou pretende criminalizar o MST e invasões de terra?

Por que seu partido apóia a prefeitura do DEM na capital de SP, a mesma que expulsa mendigos? (via @cidcancer)

Pq os deputados de seu partido não denunciaram o crime ambiental do governo de SP nas enchents do Jd Pantanal?

Se houver segundo turno em SP Alckimin X Mercadante, quem vocês vão apoiar?

Pq você não conseguiu evitar os escândalos de corrupção/venda de madeira no seu ministério?

Pq maioria dos dep PV foram contra auditores do MTb fiscalizarem trabalho escravo?

Qual é sua opinião sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo?

Você vai criar impostos para inibir uso de embalagens descartáveis, ou vai deixar como está?

Você vai baixar os impostos sobre automóveis, ou vai aumentá-los?

Pq deputados de seu partido em MG votaram contra o piso salarial dos professores?

Você pretende fortalecer ou enfraquecer as relações do BR com a Venezuela?

A sra. pretende continuar a política de apoio ao Etanol?

A sra. pretende proibir o plantio de transgênicos?

A sra. é contra ou a favor das pesquisas com células-tronco de embriões para cura de doenças?

A sra. é favor da discriminalização do uso da maconha ou acha melhor deixar como está?

Por que seu correligionário Gabeira prefere fazer campanha para o Serra, e não para a Sra.?

A sra. pretende enfrentar as empresas de telecomunicações para melhorar a banda larga no Brasil?

O DEM, o PP e o PSDB farão parte de sua base parlamentar no Congresso?

A sra. pretende chamar PT para compor sua base parlamentar no Congresso, já que PV não terá maioria?

A sra. pensa em mudar as normas de concessão de rádio e TV para políticos ou vai continuar tudo como está?

Por que seu partido votou contra a ampliação de recursos para saúde (CSS)?

Pq seu partido não puniu Gabeira (PV-RJ) por usar passagens do congresso para mandar a filha passear na europa?



Pq seu partido empregou assessores envolvidos na máfia dos sanguessugas?


Pq o dep Inácio Franco (PV-MG) condecorou suspeito de chacina de fiscais de trabalho escravo? 

A sra. é contra ou a favor do imposto sobre grandes fortunas?

Pq a sra. não se posiciona contra os crimes ambientais do latifúndio e do agronegócio?

Como a sra. pretende enfrentar os crimes ambientais das grandes mineradoras?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Roteiro para vídeo anti-Demotucanos


Sons de ratos: grunhidos e dentes roendo.


Abre em ratazanas roendo uma corda


Sucessivas imagens de ratazanas roendo corda, limpando as patas, brigando entre si etc.


BG Som de ratos
Sobe música



LOCUÇÃO:

FHC fez muita coisa ruim ao Brasil, a principal delas foi não controlar os radicais do PFL.

Com o apoio de FHC e de Serra, eles comiam o Brasil. Foram os mestres da corrupção e da perseguição a adversários. 

O PFL sempre foi um perigo para o Brasil, desde quando se chamava Arena e ajudou a fundar a ditadura em nosso país e, mesmo assim, esteve lado a lado com FHC, durante seus dois mandatos. Foi o PFL que inventou os mensalões e os ensinou ao PSDB e mesmo assim FHC quis o PFL do seu lado e Serra também o quer. 

Para enganar o eleitor, mudaram de nome pela quarta vez e agora gostam de ser chamados de DEM e FHC os aplaudiu.

É do DEM, antigo PFL de FHC, o primeiro governador a ir para a cadeia no Brasil  e todos  os piores títulos que a história pode conferir a um partido político.


Close num ratinho bem bonitinho.

O vice de Serra é um radical do DEM. Dá para acreditar que eles sejam democratas?

Zoom out imagens ratazanas. Lentamente, a corda forma o mapa do Brasil.

LOCUTOR:
O Serra é a ultima chance  dos radicais do DEM voltarem a roer o Brasil.

É isso que eles sabem fazer pelo nosso país.

Letreiro e Locução:
O Brasil não é mais a favor do DEM e o DEM nunca foi a favor do Brasil.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

É um petista, um comunista?

Uma negativa ao texto anterior: ACM Neto não é o candidato mais vermelho das ruas da Bahia. Há um outro colega dele que segue surfando a mesma onda vermelha: Aleluia!


E lá estão, com ele, candidatos à Presidência, ao governo do estado e um outro senhor... Não sei bem que seja ele.

Diante de imagem tão insólita, transtornei-me: serei eu um ignorante político? Terão as facções hegemônicas em meu país trocado entre si suas identidades visuais? Seria o ARENA-PFL-DEM o mais legítimo representante do comunismo no Brasil? Se assim o for, pronto, assumo minha estupidez. Porém, se não o for, o que vemos aqui?

Partindo da segunda hipótese, temos um candidato ao senado que não será eleito, apelando para o recurso que lhe pareceu mais vantajoso, no arfã de facilitar o esperneio durante o afogamento: assumir a feição do opositor, para confundir o cidadão baiano, dando-lhe a impressão de que é igual a ele, que é o preferido pela população, segundo os levantamentos de intenção de voto.

Assim como no caso de ACM Neto, cuida o candidato a Senador de reduzir a uma fina fumaça, ao longe, o legado de um finado cacique, na mão do qual ao menos dois destes rostos no cartaz foram forjados, por tapas e afagos sempre oportunistas, porém autorizados pelos próprios estapeados e afagados.

O eleitor se lembra, por sua vez, dos tapas que também levou. Tapas azuis, como azuis foram os anos depauperados que nos trouxeram até esta tal onda vermelha, objeto de um fetiche indissimulado, na qual todos querem pegar uns jacarés. Todavia, o baiano sabe não ser azul o conteúdo verdadeiro das idéias por trás destes risos um tanto forçados e, para quem os conhece de perto, bastante "aterrorizantes".

Ingenuamente, para se fazerem mais críveis nesta mensagam ignominiosa, tentaram usurpar também o vigor da indignação e a justiça do bom combate. Atrelaram, pois, ao vermelho e ao riso, o cinismo de uma artimanha sem nexo, capaz de impressionar apenas os jovens bonitos que lhes servem de seguranças. Afinal, "Justa causa" seria o motivo para que um petista ou comunista exigisse a substituição do vermelho no muro e na fotografia, a fim de que seu patrimônio simbólico fosse preservado em seus domínios políticos, para o bem da democracia brasileira.


Como não vivemos em um mundo justo, fica exposto, no bairro da Pituba, em Salvador, mais um túmulo de uma complexa ideologia, dominante por décadas na Bahia (e ainda forte em São Paulo), segundo a qual um tapinha nas costas em dias de eleições, ou um saco de farinha, um colchão, um botijão de gás e um emprego, oferecidos ali, na hora da negociação do voto, por meio de intermediários sem fé, compunham todo o conjunto de símbolos que levavam as massas a acreditarem em suas falácias.

Azul parece ser a cor da tristeza, ao menos a destes homens, hoje em dia. O povo discerne bem um muro do outro, tanto que nenhum destes da foto, ao contrário de ACM Neto, parece ter grande chance de vitória neste pleito.

Em 2010, as pessoas pedem mais que isso, porque já sabem que podem mais. As pessoas querem símbolos de liberdade e de compromisso com a equidade e a igualdade, mas símbolos honestos, reais; as pessoas pedem o que Estes senhores do cartaz não têm e que, assim cinicamente, na falta de uma cor alvissareira, servem-se de cor e da motivação por justiça alheias.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A quem ele pensa que engana

O título, caro leitor, não tem sinal de interrogação. Afirmo, categoricamente, que candidatos de direita têm se locupletado de símbolos que possam atrelar suas imagens às benesses que o Brasil tem alcançado, por meio de governos de esquerda, capitaneados por Lula. E os sinais estão por aí, nas ruas.

Vamos estudar um caso insólito. Ridículo, em verdade. Alguém poderia acreditar que, um dia, um herdeiro de Antônio Carlos Magalhães, baluarte do ARENA-PFL-DEM, pudesse se tornar tão vermelho? Pois bem, traga para perto de si umas folhinhas de hortelã, porque agora vamos ter que feder um pouco.

Não fosse  pela carinha insuspeita do candidato, poderíamos até pensar que se tratava de um legítimo componente da Onda Vermelha petista. De memória, posso garantir que vermelho não era a cor deste rapaz, quando de sua candidatura em 2006. No seu site de campanha e na sua página do twitter, o azul ainda é a cor predominante. Só que na rua, a linguagem há que ser outra, como bem demonstra esta "reportagem" em seu site, onde o vermelho toma conta.


TAPETINHO

Eu etnografei os comícios em uma cidade do interior da Bahia, durante as eleições municipais de 2008, e pude sondar que aquela realidade era a mesma de outros tantos pequenos municípios baianos.

Lula foi personagem onipresente. Os candidatos petistas formavam "tapetões" vermelhos pelas ruas destas pequenas localidades, arregimentando votos a mais de mil. Na cidade onde fiz a pesquisa, por exemplo, venceu o candidato do "tapetão", um antigo PFLista recem filiado ao PT.

Este fenômeno, como eu disse, repetiu-se em muitas outras cidades, inclusive com candidatos cujas filiações intempestivas ao PT me fizeram questionar os métodos de cooptação pelo partido de antigos aliados do carlismo. Mas, enfim, esta é parte da análise de minha dissertação de mestrado.

Por hora, cumpre apenas dizer que a cor vermelha tornou-se um arquétipo de campanhas eleitorais petistas, atrelada a palavras de ordem como, "popular", "para todos", "futuro", "paricipativo", "democrático", entre tantas outras. Assim, PT se tornou sinônimo, em todo o interior baiano, de mudança para um paradigma de gestão pública contrária àquela vinculada a facções da direita carlista.

Engraçado é lembrar que, até o final dos anos de 1990, o vermelho do PT era sinônimo de  comunismo, redicalismo etc. Esta mudança é mais um resultado do sucesso do segundo mandato de Lula, sentida fortemente já naquelas eleições municipais.

A conclusão, pois, é óbvia: a cor vermelha, na Bahia, corresponde atualmente à "garupa de Lula". Se ACM Neto corre vermelho pelas ruas baianas, ele está sentado nesta garupa. Nada justifica tamanha inversão simbólica, verdadeiro abandono de suas cores originais, em bandeiras, cartazes e adesivos.

Vejamos, agora, o que ele tem feito com os outros símbolos presumíveis de sua campanha.


Viu onde está o adesivo do candidato a Presidente que "supostamente" este candidato a Deputado Federal apoia?

Mais um detalhezinho, Vovô:



Este adesivo circula em alguns carros desde 2008. Trata-se de uma reação contra o o alegado fracasso do governo Jaques Wagner no quesito Segurança Pública. Ou seja, a mensagem completa é: "Vovô cuidava da família baiana com amor e isso nos faz a maior falta agora". Inclusive porque Wagner é de São Paulo e já foi acusado de forasteiro por Paulo Souto. Como dizem em outro adesivo similar, eles sentem muita "saudade de ACM".

Este carro estava estacionado na Praça Nsa.Senhora da Luz, bairro da Pituba, em Salvador.

Sigamos a outro ponto da cidade: Avenida Garibaldi.

 

Sim, eu sei! É uma salada de candidaturas, poluindo o horizonte. Sei também que a foto está ruim, porém justifico a sua má qualidade por ter sido tirada durante um sinal vermelho. 

A despeito disso tudo, vamos tentar responder duas perguntas que logo me vieram à mente:

Onde está, nesta foto, a imagem do candidato demotucano à presidência, "supostamente" apoiado por pelo menos quatro dos candidatos ali expostos, incluindo Paulo Souto, candidato a governador, no alto da imagem? Ela não está aqui, simplesmente.

E, finalmente, não parece que ACM Neto é, hoje, o candidato mais vermelho a circular pelas ruas da Bahia?

Durma com um barulho desse, eleitor! Ele jura que engana você! E, a julgar pela sua eminente vitória, pode ser que alguns incautos ainda caiam e se afoguem na 'onda vermelha' deste herdeiro do vovô Magalhães.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Já pensou nisso, Dilma?

A sua campanha à Presidência da República, Dilma Rousseff,  é uma das mais emocionantes que eu já participei. Voto desde 1994 para presidente e, talvez, somente as emoções de 2002 se equiparam às que eu venho sentindo nesta, de 2010.

A que se deve isso, no meu caso? Ao fato de eu haver acreditado em você, Dilma, como candidata, desde 2007 e de perceber o quanto os golpes proferidos contra você, pelos partidos e pela imprensa de oposição, vêm-se desmoronando a cada lance da disputa.

Há já alguns textos online que apontam estas falácias e eu não me ocuparei aqui em denunciá-las. Este texto é para contrariar uma máxima admitida inclusive pelos seus correligionários: venho dizer que Lula não elegerá 'Dilma', quem a elegerá será você mesma, sua história, suas idéias e, sim, seu carisma discreto e seguro.


Não vou desconsiderar a força que tem o aval de Lula para a sua eleição, porém argumento que sua indicação colará no eleitorado porque recai sobre 'Dilma'. Este nome começa a significar para o brasileiro um conjunto de habilidades e experiências indispensáveis para o país, somado a um generoso esforço feito por você para adaptar sua imagem às câmeras, aos microfones e aos palanques.

Você se reconstruiu e suas "mudanças" fizeram nascer uma cinderela do Século XXI, aos 62 anos de idade, para a qual agora confluem os holofotes, a iluminarem uma mulher que, nesta altura da vida, se redescobre bonita, dotando de mais uma informação a sua traetória de "vida plena". Acho que sua resposta ao repórter de Época sintetiza esta minha percepção: "Você também acha que eu melhorei, né?"

Sim, Dilma, você melhorou, e muito. Não apenas na aparência, obviamente, mas na assimilação de uma capacidade de tornar claras as suas idéias acerca do Brasil. E sua presença na Presidência será, como foi a de Lula, um divisor, não apenas por você ser uma mulher e estar lá, mas por ser uma mulher diferente daquelas que o nosso povo está acostumado a apreciar, além de apresentar esta incrível capacidade de superação e de reinvenção da própria história.

Você será uma presidenta com uma biografia absolutamente cinematográfica (já pensou, o filme 'Dilma, dos porões ao Palácio'?). Alçada ao Poder, não por um capricho de Lula, mas por obra daquilo que este homem admirável tem de mais poderoso, a intuição. Lula foi apenas um veículo para que a nossa história fizesse jus à sua própria, Dilma. O nosso tempo iluminará, através de você, uma faceta brasileira guerreira e imponente, altiva e lúcida - você também será um divisor de águas.

E o povo começa a perceber isso. Sua face e seu sorriso têm a franqueza que faz as pessoas quererem saber mais sobre você. E, qual não é a revelação que tem tomado o Brasil: a "mulher de Lula" tem história própria, tão grandiosa quanto a dele!

Você é uma mulher e fala como tal. Mesmo num país tão acostumado a homens rasgando suas gargantas em palanques, durante campanhas eleitorais nervosas e agressivas, as pessoas não são tolas, como pensaram os oportunistas dos jornais e telejornais: o povo tem visto que voce é você e que há muito de bom a esperar de sua atuação como Presidenta.

O primeiro da série de programas eleitorais do PT é uma representação tocante e genuinamente bela, tanto de sua biografia, quanto desta espectativa que temos hoje, seus eleitores. Não é qualquer vida que pode resultar numa peça de tamanha emotividade. Eu falo isso como quem já dirigiu uma dezena de documentários.

A não ser que se minta, não se consegue tirar lágrimas da ação de um "poste". Este filme mostra que, por um lado, você não é um "poste", como muitos de nós já sabíamos e, por outro, sua trajetória é digna de ser contada e compartilhada e será dela que resultará mais uma fase de crescimento e potencialização de nossas aventuras como brasileiros e brasileiras.

Você é a surpresa pela qual todos nós esperávamos. Devemos a Lula apenas o mérito de havê-la apresentado ao Brasil, isso ainda em 2002. Para a sua vitória, entretanto, o mérito será seu, saiba disso. Não exclusivamente, mas em grande parte. Sua vida resultou em arte e beleza neste pequeno videodocumentario, isso nos encheu de confiança, apesar dos percalços que ainda hão de lhe atravessar o caminho.

O brasileiro e a brasileira que votarem em 'Dilma', votarão em 'Dilma', ainda que por Lula. Nesse país personalista, diante de um presidente tão popular, se não fosse 'Dilma', será que votaríamos em outro/a sujeito/a, apesar de Lula? Será? Já se fez esta pergunta, candidata? Eu, sim. A minha resposta é: talvez votássemos, mas não com tantas emoções saltando-nos a pele.

Você recebe da História a homenagem que ela dispensa somente aos maiores nomes. Seu nome é 'Dilma' e este filme que tenho o prazer de apresentar a seguir o escreve em nossos imaginários com letras lindas e nos prepara para o dia em que comprarmos o ingesso para vermos uma grande atriz interpretar sua coragem, sua força, sua inteligência e sua beleza. Já pensou nisso, Dilma? Eu, já!



Meus parabéns a João Santana e toda a equipe que produziu esta obra-prima do chamado "marketing eleitoral"!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Senhora do telejornal


Em relação à série de entrevistas com os presidenciáveis do Jornal Nacional, cumpre ao bom observador, sem ignorar a performance 'programada' do publicitário William Bonner, reparar em como a jornalista Fátima Bernardes assumiu, magistralmente, a personalidade de uma Senhora colonial, ciosa, acima de tudo, em defender seu lar e seu casamento do mau julgamento público e da perda de algum bem financeiramente mensurável.

A 'Senhora', no período colonial brasileiro - e, claro, ao longo de largos anos dos séculos XIX e XX -  deve ser tomada como uma figura central para se entender os arranjos de poder que circundavam a "Casa Grande". A presunção de coadjuvância apenas prejudica a percepção, tanto de seu papel de mediadora informal de conflitos, como de seu exibicionismo consentido durante as confrarias, quase como uma afirmação estética do poderio do marido frente aos demais homens e mulheres.

Trata-se de uma tradição forjada, no Ocidente, pelas cortes germânicas, que as luso-ibéricas importaram sem a mesma sutileza. Certa promiscuidade permeava o uso que se fazia do sexo feminino, nos banquetes e nas reuniões de negócios nas 'novas aristocracias' luso-iberoamericanas. O principal papel da mulher, da Senhora no caso, nunca esteve circunscrito à cozinha, mas sim à comunicação entre os interesses domésticos e os interesses externos, conduzidos fora da casa pelo marido.

Trazer os negócios à casa fazia com que a mulher interferisse nas negociações e nos processos. Nos encontros e bailes, por exemplo, o machismo era assumido pela esposa, que caminhava entre os homens com desenvoltura, deixando para trás o perfume da casa e explicitando, a seu modo, ou ao modo que se esperava dela, quais eram as vontades do homem que, por trás, a comandava.

No século XXI, entretanto, ainda se vê algumas mulheres comportarem-se como Senhoras coloniais. Vestidas a caráter, perfumadas e garbosas, deixam-se utilizar pelos homens, cujos desejos escusos, ao final, a elas também interessam.

Em miúdos, a mulher brasileira colonial era, tal qual Fátima Bernardes o é, uma mulher tutelada, cuja performance servia para garantir apenas que fosse feita a vontade de seu dono. Os vídeos a seguir demonstram a repetição desse estado de coisas em pleno Século XXI, na pessoa da Sra. Bonner.

Observemos Fátima Bernardes.



A ordem nesta entrevista era de sabotagem. O marido veio com toda a força, iniciou o debate agressivamente, tentando, emprimeiro lugar, despesonalizar a candidata Dilma. Seguiu, insistente, o seu objetivo de equipará-la a um embuste, chegando a insunuar sê-la "tutelada" pelo presidente Lula. Era preciso imprensá-la e o marido seguia por esta via, interrompendo-a com violência.

Fátima interpelou-a aos 2'45", referindo-se a "muitos críticos" de um tal "temperamento difícil". Repare que, na resposta, Dilma voltou a se defender, visto que, com charme, Fátima quis apenas manter o centro da conversa na desqualificação da candidata. Não há lealdade de gênero nas relações que a Senhora colonial precisa manter com outras mulheres fortes, provenientes de "espaços sociais" distintos do seu. N'alguns casos, o contato era bastante áspero. A tarefa desta Senhora Bonner era justamente desqualificar Dilma em sua feminilidade.

Nos 4'02", ela voltou a usar de eufemismos, até trazer à mesa o termo "maltratar", no que Dilma entrou no âmbito doméstico, e se fez entender pela jornalista. Aos 5'12", o marido começou a tentar contradizer a candidata, para depois sair pela tangente, quando esta lhe 'deu um caldo'.

O marido seguiu reiterando grosseria, animosidade e ignorância. Soou patético, ao carregar o sotaque para se referir aos BRICs.

Fátima reapareceu nos 10'07", numa cena que ficará marcada no jornalismo brasileiro. Ela se voltou ao marido e, com candura, pediu-lhe "só um minutinho", como que lhe impedindo de colocar tudo a perder, com sua evidente e pueril irritação. As Senhoras coloniais continuam servindo muito bem a isso: aplacar os ânimos dos maridos, gerir suas emoções, feito mães.

Passando a mão esquerda pelos cabelos, aos 10'15", Fátima tomou a palavra e encaminhou-se para um precipício argumentativo de onde não conseguiu mais sair.

O casal perdeu este 'negócio' para Dilma, porém Fátima Bernardes cumpriu seu papel: impediu que a conversação descesse ao nível da raiva implacável que seu marido expôs publicamente, ao longo de todo o baile.

Sigamos a dama.



Primeiro, é necessário falar sobre Marina Silva neste evento infeliz para ela. Corajosa e digna, porém pareceu-me ingênua.

Ela figurou num papel que este casal ridiculariza: o da mucama que se envolveu em assunto de patrões. Veja que Fátima já começou interpelando a acreana, se o eleitor se convenceria de que sua candidatura "é pra valer", ou se "serve para marcar posição", esta relativa ao Meio Ambiente.

Um dos mitos sobre as classes pobres mais propalados é a associação de seus representantes políticos com políticas não-econômicas ou, por vezes, economicamente incômodas à aristocracia. Marina tinha como vice o dono da empresa Natura, sobre a qual recaem, inclusive, denúncias de sonegação de impostos. Assim, a pergunta de Fátima pode ser traduzida por: 'acha que meu marido e seus pares se deixarão intimidar por essa sua aventura?'

Aos 02'07", o marido lembrou referiu-se à solidão institucional da candidata. Cinicamente, esqueceu-se da cobrança sobre alianças que fez à Dilma Rousseff na noite anterior. Marina, coitada, não percebeu que os tons de voz e os gestos do casal eram-lhe humilhantes e a lançaram no limbo do descrédito e, nas entrelinhas, equipararam-na à escrava insurgente, à mucama rebelde, que deve ser recolocada em seu lugar de origem.

Ao questionar seu posicionamento ético no "epísódio do Mensalão", o marido quis, desta vez hipocritamente, descredenciar a convidada, amarrá-la e rebaixá-la, num ato análogo a uma surra.

Fátima permaneceu calada, durante o açoite a Marina. Não convém a uma Senhora entromenter-se no castigo de uma escrava de cristas largas.

Então a Senhora, aos 10'16", questiona sobre a falta de eficiência de Marina durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente. A convidada não percebeu o embuste da Senhora que, ao lhe dar o último gole d'água deu-lhe, na verdade, uma mistura forte de vinagre e sal.

Ao longo de 12 minutos, Marina foi usada para atacar seu antigo partido político, cumpriu o script pre-estabelecido pelo casal e saiu machucada do encontro - capturada e surrada, no tronco, conforme o planejamento da Casa Grande.

Até que ocorre a confraria e a Senhora se sente à vontade.



Neste evento, a senhora utilizou de todo o seu charme caricato para encantar o convidado e, assim, tentar contaminar com seu encanto todo o público (tele)presente.

Este foi o encontro dos amigos, para selar a parceria e para congratularem-se. Lá estava a Senhora transitando lânguida, sedutora, entregue aos 'mandos' do convidado ilustre, de modo a cumprir o desejo do marido, qual seja, demonstrar todo apreço da casa por sua presença.

Não há o oferecimento do seu corpo, porém vemos claramente que ela é um presente a ele entregue, com desvelo. A mulher despersonalizada, subjugada por uma mão masculina ao seu lado, a mercê de seus interesses, parcialmente dona de sua vontade, delegada dos direitos do macho, seduz um outro macho, mantendo dele uma distância confortável porém nada discreta. Suscitar a traição somente sublinhariam a parceria firmada entre os dois homens ali presentes.

A esposa, rica, culta e, portanto, aristocrática, tal qual uma mulher colonial das classes altas, em pleno século XXI, ao vivo, para todo o Brasil. Espetáculo ignóbil!

Fátima Bernardes talvez não tenha se atinado para isso, todavia é evidente: 'o império' desta senhora já passou, sua figura feminina não condiz com as aspirações da maioria das mulheres jovens, no Brasil emancipado.

Sobre os convidados à casa dos Bonner, digo apenas: Dilma está no caminho certo, Marina precisa tratar seus complexos de inferioridade e José Serra deve parar de acreditar que a Casa Grande é maior que a praça da cidade que ele finge enxergar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A natureza da militância

A espontaneidade das manifestações populares, durante uma campanha eleitoral é, sem dúvida, o que há de mais bonito nesse momento da ação política. Os jingles engraçados, a troça com características do opositor, os apelidos, as charges, quando obedecem os limites do respeito à dignidade, são estímulos a novas manifestações e fonte de modismos, que empolgam e ajudam as eleições a se encaixarem na agenda cultural e no imaginário dos eleitores.

'Militância', na acepção do termo, implica disposição para demonstrar a escolha política e para colocá-la voluntariamente a serviço de uma determinada facção, durante um processo eleitoral. No Brasil, militância esteve sempre ligada aos partidos de esquerda e, mesmo quando se tornaram oposição, as facções mais à direita não lograram levar às ruas um bloco organizado de apoiadores. Nas eleições locais, pela própria natureza plebiscitária que normalmente caracteriza estes pelitos, uma certa militância se manifesta, todavia imbuída de sentimentos híbridos, e se repercute inclusive nas relações de vizinhança.

Porém, num contexto de eleições nacionais, a militância cuida de expressar gritos de luta de segmentos sociais vítimas de maior opressão e, neste quesito, é a esquerda que tem dado ao Brasil os melhores exemplos de força militante, a ponto de a ala petista, por exemplo, ser alvo de ódio de classe de grupos e indivíduos atrelados a facções mais à direita.



Nas eleições de 2010, esta força espontânea e aparentemente caótica já vem se covergindo em mensagens de apoio à candidata do PT (coligado com PMDB-PDT-PC do B-PSB-PP-PRB-PR-PSC-PTC-PTN),  Dilma Roussef, em vídeos publicados na rede e divulgados pelo conjunto de blogueiros que, também espontaneamente, formam um verdadeiro esforço conjunto para viabilizar a propagação de contra-informação em relação à mídia preponderante, que explicitamente defende o candidato do PSDB (coligado com DEM-PPS-PTB(?)), José Serra.

Por mais que tentem confirmar o contrário, o que se tem é uma inteligência coletivca operando-se voluntariamente em favor da continuidade do governo Lula, configurando no Brasil a aura de uma militância cibernética. No início deste ano, comprovaram-se as suspeitas de que a campanha de José Serra contaria, por sua vez, com um "exército", nas palavras de um dos seus coordenadores de campanha, Sr. Eduardo Graeff, composto por blogueiros contratados, que atuariam no sentido de espalhar mensagens apócrifas, acusações e ofensas sobre Dilma e seus aliados.

Ocorre que, esta força-tarefa orquestrada pelo comando da campanha serrista e regida também por "colonistas" de veículos como O Globo, Folha de São Paulo de São Paulo e Veja, não tem  conseguido muito, além de espalhar petardos preconceituosos, injuriosos e de extremo mau-gosto, o que acaba por contrariar o senso comum brasileiro, muito mais afeto ao humor ou ao protesto.



Os dois bons exemplos que eu trago promovem a associação da campanha de Dilma Roussef a segmentos de minoria muito importantes: o LGBT e o de Jovens da periferia. É muito interessante perceber que jovens homossexuais e negros ligados ao Hip Hop dispõem-se a se articularem à campanha da petista. Uma confirmação de que, ao contrário do que muitos acreditam, o PT, quando governo, repercutiu demandas destes segmentos, o que os faz se sentirem representados e dispostos a dialogarem por mais serviços a eles voltados.

Maior e mais bela que qualquer possibilidade de análise é a natureza desta militância. Espontânea, despretenciosa, respeitosa e criativa. É bonito ver o povo apoiando seu governante. Segundo Wilde, "todo governo é ruim". Sem dúvida, mas que há governos melhores que outros, isso o há! E, quando oprimidos se dispõem a defender um governante, é porque ele vem atenuando sua opressão. "Sorry Serra", mas neste ponto, pelo jeito, o governo destes é melhor que o governo dos seus. Ao menos os seus são mais raivosos e nunca fizeram a blogosfera brasileira refletir com parcimônia ou, simplesmente, rir um bocado.

domingo, 11 de julho de 2010

A julgar pelas aparências

Fazer uma breve análise destas três capas da Revista Istoé Especial - Encontro com os Editores é  um exercício de leitura semiótica de grande qualidade para quem estuda política no Brasil.  A constatação a que eu chego é que os marketeiros, em sua maioria, não se atentaram para o quão largo é o escopo do seu trabalho e o quanto deveriam todos ser cuidadosos com os detalhes mais ínfimos. Ou não conhecem seus clientes, ou não conhecem o eleitorado que desejam cativar.

Desde já, opino que Dilma foi a que melhor se saiu na capa da Istoé e já falarei sobre suas escolhas para a foto. Vale apenas comentar que, ao que tudo indica, os retratos foram feitos por ocasião da entrevista. Os candidatos estão com as mesmas roupas com que aparecem nos vídeos, apenas a maquiagem foi retocada e a pose ensaiada de acordo com as circunstâncias. Achei justo o parâmetro para a produção da fotografia e por isso penso serem estas capas exemplos interessantes do quanto podem estar equivocados, tanto José Serra quanto Marina Silva, no que diz respeito às espectativas do eleitorado brasileiro, nestes tempos de afirmação nacional e de crescente pujança econômica.


Dilma Rousseff (PT)

Rosto: Olhar firme, resoluto, maquiagem discreta e feminina. Olha para frente, sem medos. O rosto todo exposto às luzes confirma a boa saúde. Seu semblante é simpático, com sombrancelhas que, por sua vez, confirmam seu ar de comandante, além do orgulho de ocupar esta posição. Aberta e sincera, Dilma não parece insegura ao apresentar sua face e sua mensagem.
Mãos: Unidas, a esquerda sobre a direita, envolvendo-a. A cabeça apoiada nelas, pende para a esquerda, gerando uma informação uniforme, que afirma sua tendência política. Como que uma seta se forma de um canto a outro da página, partindo do braço direito de Dilma , dirigindo-se ao É, de Istoé. A seta é ascendente.
Cores e formas: Além desta seta á esquerda, a imagem apresenta uma forma que insinua muita segurança e bases sólidas. A cabeça sorri, amparada pelo ombros que dividem a página. As mãos formam um triângulo que, ao se combinarem com a abertura do blazer, esta tbm um triângulo invertido, ajudam a dar sentido ascendente à fotografia. A cor azul e o bege do blazer acentuam a leveza do semblante da candidata. O relógio remete à gestora ciosa, cumpridora de prazos, um acessório absolutamente coerente com sua imagem pública.
Mensagem geral: De rosto renovado, Dilma diz de onde veio, aonde pretende ir e imprime empatia à sua imagem. Para o alto, avante e à esquerda. O ceu é o limite. As citações e a chamada funcionam como um complemento ideal à foto. Com ou sem interesse em protegê-la, a foto foi tão bem resolvida simbolicamente que, mesmo um letreiro que a tentasse denegrir, certamente esbarraria na força de sua imagem.

Marina Silva (PV)

Rosto: A candidata expressa fragilidade nesta foto. Posicionada de lado,voltada à direita, Marina não parece confortável. O olhar é um tanto cansado e o sorriso é por demais tênue. Eu poderia dizer que apenas o lado esquerdo de seu lábio sorri, timidamente.
Mãos: A mão esquerda parece amparar o rosto, ou sentir-lhe a temperatura. Ou ainda parece querer impedi-la de se voltar ainda mais à esquerda. Esta mão trai-a. A mão direita, oculta, parece estar a amparar a congênere. A meu ver, ocorre uma luta entre mão e rosto. Uma imagem intrigante para mim, por parecer mostrar um auto-abuso, o verdadeiro preço que ela paga a si mesma para estar ali.
Cores e formas: O verde, sim, o verde. A escolha óbvia, para localizá-la novamente no panteão político. As bordas escurecidas, no entanto, acentuam o ambiente claustrofóbico em que se meteu a candidata. Tudo leva a criar uma impressão de opresão sobre ela e o mais inusitado é perceber esta teimosia dela em se voltar à esquerda.
O seu corpo não ocupa toda a extensão da capa, parece ter sido posicionado por uma segunda pessoa. O seu semblante é o de uma pessoa febril. O casaco grosso ajuda a manter esta idéia de fragilidade e os anéis parecem mais amarrar seus dedos que adorná-los.
Mensagem Geral: Marina parece forçada a fazer o que não quer. Perdida e frágil, sua imagem a mim apenas denota o seu desconforto para com o lugar que ocupa atualmente, embora seja visível seu esforço em se forçar a ao menos aparentar o contrário.




José Serra (PSDB)

Rosto: Serra força-se para parecer o que não é: "meigo". Seu riso é sem alegria, e seu olhar é duro e perfurante. A tentativa de sorrir com simpatia lhe é negada pelo peso inerente ao olhar e a sua 'volta à esquerda' demonstra, na verdade, que ele já não se encaixa no papel. A vista cansada não o ajuda e ele sofre de um mal que nada tem a ver com a beleza (ou com a falta dela): Serra não consegue expressar sentimentos e emoções mais gratificantes. Titubeia quando pretende apenas esboçar alguma empatia.
Mãos: A mão esquerda recebe a cabeça, sem ampará-la. A mim, causa desconforto perceber que a 'estrutura' formada pelo dedão e o indicador dobrado não são suficientemente fortes para suportar o seu crânio de fisionomia tão pesada. Ademais, o dedão, em vez de apontar para a esquerda, aponta para trás, dada a posição do corpo frente ao eixo da fotografia, o que dá ao retrato um sentido que não é de modo algum agradável a este candidato de oposição.
Cores e formas: A cor escura do terno e a infeliz escolha da cor de fundo dão um ar soturno à fotografia e expressam muito mais o ambiente de um filme de horror do que a propaganda de um homem que diz haver se preparado toda a vida para presidir o país.Talvez a intenção fosse apresentar sobriedade, contudo o resultado remete a exatamente o tipo de 'castelo' em que ele não pretende, àquela altura da disputa, ver-se associado.
Mensagem Geral: Eu, no lugar de Serra, processaria toda a sua assessoria de comunicação.

A julgar por estas imagens, dá para ver claramente quem se apresenta como vencedora. Antes disso, quem se apresenta como uma candidata com força na disputa. A mim, espanta terem tantos assessores se esquecido das lições de semiótica e deixado de cuidar bem da imagem de seus clientes. Se a imagem vale alguma coisa nesta nossa "cultura do visual", somente Dilma parece ter uma equipe que, efetivamente, a ajuda a ser a Dilma que todos querem ver em frente às câmeras.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pena de Marina

Eu sinto pena de Marina Silva. Não por ela me parecer uma pessoa um tanto frágil, com o corpinho sempre a pedir repouso. Veja-a na capa da Istoé, acolhendo-se em suas mãos, indefesa, vestida com pulover de lã, em nosso "país tropical". Tadinha, parece febril. Contudo não é por isso que sinto pena, porque sei que ela é amada e terá sempre alguém a lhe cuidar com desvelo e, neste planeta, isso é mais do que precisamos.

Também não sinto pena de Marina por sua conversão ao pentecostalismo ultraconservador e de leitura restritiva da Bíblia, que tende a acreditar em cada vírgula do livro sagrado, desconsiderando o que ali houver de metafórico acerca da existência humana e seus conflitos subjetivos.

Não é por ela hoje acreditar na Bíbila como um compêndio de lutas do bem contra o mal e de normativas moralizantes adaptáveis à nossa época, mesmo sabendo que, como toda literatura, a Bíblia ancora-se em determinados contextos históricos e deve ser lido sob o filtro da cultura, sem que isso precise lhe extrair o mínimo de força simbólica. Não é por esta conversão que, para mim, torna-a alheia a cada verso de Augusto dos Anjos, ou mesmo a muitas das estrofes 'espiritualizantes' compostas por Gilberto Gil, que eu sinto pena de Marina Silva.

Eu sinto pena por Marina não se perceber vitimada por uma dessas insuspeitas articulações entre "bem-intencionados" e "ególatras corruptíveis", que costumam tornar os eventos políticos em festas cool, ao gosto de nossas elites "bem-informadas".

Marina é usada por todos os que se arvoram em negar a capacidade que a ignominiosa facção à direita de nossa política tem de, utilizando seu remanscente potencial eleitoral, atrair para si antigos "esquerdistas" que, insulflados pelo próprio ego, entregam de bandeja seus princípios, em troca de uma fatiazinha a mais num bolo que ainda imaginam fofo sobre a mesa.

Sinto pena de Marina Silva justamente por ela não perceber o quão refenizado se torna um partido da minimidade do PV diante destas investidas. Penso que, para setores tão agregados a propostas progressistas, especialmente o PV, ancorado nas causas ambientais, tornar-se em algum momento aliado de um DEM, por exemplo, é o mesmo que cuspir em sua história de lutas e esboçar um destino em que as personalidades que o compõem se verão sempre obrigadas a se contradizerem e a esmiuçarem argumentos toscos que lhes permitam justificar o ninho de ratos em que estarão metidos.

Desde que, no Rio, o PV inaugurou uma era de traição de princípios, aliando-se à direita nas eleições de 2002, se não me falha a memória, que eu conclui ser aquele o começo do fim do partido. Uma coisa é, num estado de menor relevância, aliarem-se dois grandes partidos antagônicos, numa manobra fisio-pragmática que, embora os manche em seus capitais políticos, não os impede de sairem ilesos, amparados pelo personalismo ainda presente em nosso debate político. Outra coisa muito diferente é um pequeno partido, ancorado na figura de uma personalidade que o representa, abrir-se ao inimigo, imaginando que esta personalidade terá meios de sozinha driblar os interesses escusos de um grupo de figurões da direita.

Ainda mais se esta personalidade verde for o controverso Gabeira. Alguém pode me dizer se existe no Brasil figuira menos confiável que este senhor? Com seus arroubos de vaidade e sua empáfia garbosa, este homem envergonha a política nacional, exatamente porque seus ternos bem cortados de hoje representam a perfeita evolução de sua tanga de crochê de outrora, mostrando que por trás de suas "lutas" esconde-se um pequeno-burguês vazio de verdadeiro comprometimento para com as causas que diz defender.


Sinto pena de Marina Silva por ter que dividir com José Serra alguns minutos na televisão, no Rio de Janeiro. Sinto pena dela por, em um eventual segundo turno ter, ou que ficar em cima do muro, ou ter que optar por apoiar ou ser apoiada por um candidato que está rodeado pelo que há de mais sórdido em nosso cenário político, grupo que não exitaria um segundo antes de mandar derrubar a amazônia e matar índios, se isso o ajudasse no acúmulo de mais alguns centavos.

Sinto pena de Marina Silva por ela ter que, em algum momento, definir-se finalmente. Ela é uma evangélica reacionária ou uma ambientalista, no que este termo tem de contraditório com as bases de sua "fé"?

Sinto pena de Marina Silva por, na Bahia, apoiar um Bassuma que, por meio da 'esperteza' de algum marketeiro, espalhou pelo estado um adesivo em que se lê "Assuma o verde", numa alusão ao seu nome, mas que, pelas graças da semiótica, pode retornar a ele mesmo, como que conclamando: "assuma-se, Bassuma, e 'se saia'!".

Assuma que seu posicionamento é incompatível com a luta por um desenvolvimento ambientalmente saudável, que perpasse a elevação, à categoria de Direitos, de certas prerrogativas sobre o corpo, sob o risco de, salvando árvores e baleias, deixarmos morrer à míngua milhares de moças de 14 anos, desesperadas por não poderem assumir uma gravidez.

A Política não é o campo da Moral, mas o meio pelo qual as diferentes morais possam se entender, sem se machucarem nas jugulares programáticas. Assim, mesmo sendo eu também contrário à prática do aborto, como político devo compreender que se trata de um problema de saúde pública e que se deve, sem hipocrisias, torná-lo num programa de respeito ao direito feminino de interromper uma gravidez, sob determinadas circunstâncias.

A Deus, o que é de Deus; aos humanos, a capacidade de pacificação. Que verde é esse que insufla a dúvida e a discórdia?! Assuma, Bassuma. Que pena de Marina!


Ela não deveria ter saído do PT e, quando o fez, demonstrou agir motivada por um sentimento igualmente incompatível ao seu discurso: a vaidade. Marina saiu do PT por descobrir que ela não seria a primeira mulher presidente da república. Não a culpo por seu ressentimento, afinal ela tem muitos dos requisitos, exceto dois, sumamente importantes: capacidade de diálogo e compreensão sistêmica dos interesses em jogo.

Ao optar pelo PV, clareou-se mais a sua motivação: garantia da sua tão ansiada candidatura. Entretanto, logo se percebe que a sendora se meteu num imbróglio: caso fosse eleita, teria, então, que renunciar à presidência, visto que as condições de melhorias interpostas ao Brasil implicam a busca de soluções conjuntas, as quais ela foi-se mostrando cada vez menos apta a facilitar, quando Ministra?

Sinto pena de Marina por esta contradição a que conscientemente entregou sua biografia e por hoje ter que mentir para tentar ganhar espaço no gritinho.

E, finalmente, pergunto-me: o que faz com que artistas, homossexuais e mulheres declarem seu voto em Marina Silva? Anti-fisiologismo? Mas, e a situação no Rio e os desdobramentos em nível nacional que ela sinaliza? Seria por conta do discurso ambiental? Mas, e as contradições na proposta, que parecem utópicas a ponto de contrariarem a tendência de aumento nos investimentos em infra-estrutura?

Seria, então, por um suposto prestígio à cultura nacional? Ora, as suas concepções religiosas não tornam Marina vulneráveis ao retrógrado, inclusive no campo das ciências, ou direito e ciência não são parte da cultura? Bom, seria mesmo as posturas conservadoras denunciando que, na verdade, nossos 'mudernos' são tão progressistas quanto Regina Duarte?! Sinal dos tempos....

Eu, enquanto me pergunto, espero pelos dias que virão. No fundo, há apenas dois discursos coerentes na disputa: o de Dilma e o de Plínio. Se não votarmos em Dilma, pode ser porque o PMDB está ali pertinho, ou por isso e aquilo, agora, por que não votarmos em Plínio? Será porque ele não é lá tão bonitinho?! É, vai ver seja isso.

Marina é ótima para a foto e melhor ainda para o travesseiro de quem se encanta com os sinais do avanço econômico, social e político brasileiro, mas que não quer sujar as mãos elegendo Temer para vice presidente. Concordo que não seja fácil fazê-lo. Porém, analisando os dados, vejo ser infinitamente pior entregar uma grama a mais de poder nas mãos de quem hoje tem rodeado a Sra. Marina Silva, inclusive seu vice. Pena, porque gosto dela. Pena, mil vezes pena. Contudo, tudo indica que assim o quis o Deus dela. Então, que assim o seja.

sábado, 3 de abril de 2010

Como construir uma candidatura em 10 passos

1 - Eleve o tom de voz, sempre que se referir à candidata da situação. Apresente-a como feia, carrancuda, grosseira, mentirosa, terrorista, tagarela e vazia. Contradiga-se à vontade, minta sobre ela, quando acabarem os argumentos;

2 - Até o último dia de campanha, forje perquisas eleitorais, que mostrem sua vitória iminente. Uma vez que você tem a serviço do seu partido pelo menos dois institutos, fica fácil desmentir os que derem o resultado verdadeiro. Não meça palavras, espinafre, inclusive, jornalistas e âncoras de telejornais que ousarem apresentar resultados de institutos não-alinhados. Mostre que sob sua lei só permanece quem rezar de acordo com a sua cartilha;

3 - Use todos os instrumentos disponíveis para criticar as estratégias de marketing político aplicadas pela candidata oposta. Preferencialemente, caso ela tenha um bom cabo eleitoral ao seu lado, procure denegri-lo também. Porém, cuidado ao atacar o tal cabo eleitoral: normalmente, bons cabos eleitorais são sujeitos de prestígio e podem facilmente convencer o eleitorado de que sua tese (não a dele, a sua) é fajuta. E nós sabemos que sua tese (não a dele) é fajuta;

4 - Ao escolher um candidato para representar seu partido, que está na oposição ao atual governo, opte por aquele que estiver melhor nas pesquisas. Seja imediatista, não haverá tempo a perder. Ajude-o a ser rígido, cínico e a encobrir os erros dos seus aliados, ou até mesmo os próprios aliados, quando estes lhe arrancarem uma carrada de votos, todas as vezes que abrirem a boca;

5 - Junte seus amigos jornalistas, donos de concessões de rádio e tv, colunistas e blogueiros histéricos e bipolares e realize um Fórum em que se ameace o leitor com a garantia de parcialidade. Seja claro, avise que você, por meio deles, será obtuso. Depois, oriente a estes mesmos jornalistas a acusarem o tal cabo eleitoral e a sua candidata de autoritários. Sim, esqueça tudo o que você aprendeu sobre autocracia e democracia. Caberá a você e a seu grupo levar o país à Revolução Burguesa, que você se ressente de não haver presenciado na Inglaterra do "Bill of Rights";

6 - Mostre que rico é rico porque merece e porque pode e que pobre obedece porque tem juízo. Mais que tudo, mostre que o rico é você e os seus. Caso estes não o sejam, dê-lhes charutos, chapéus ou lhes viabilizem a produção de (mais um) filme hermético, feito para os ricos instruídos. Uma vez que entre os seus ricos não há muitos instruídos, convém obrigá-los a assistirem à produção e elogiá-la. Faça tudo isso antes das eleições. Se o cineasta em questão entrar em surto, amortize-o com ansiolíticos e entregue a pós produção do longa a outro camarada. Imprescindível é ter fatos culturais aos quais atrelar o nome do seu candidato. Dê-lhe sempre motivos para sorrir e, nos sites, corrija suas enormes gengivas e sua expressão facial, que via de regra lhe dão um ar vampiresco assustador. Se eles, do outro lado, até parecem bonitos nas fotos, não há nada que um photoshop básico não possa fazer pelo seu homem. Além do corretor digital, nada como elogios em colunas intermináveis nos seus jornais para fazê-lo parcer minimamente simpático;

7 - Pague jornalistas pobres (redundantemente) e outros desocupados, esconda-os em perfis falsos e os faça jorrar ofensas em blogs e demais meios de comunicação online;

8 - Diante de eventuais crises institucionais ou dos partidos aliados, dê um jeito de amordaçar os envolvidos, antes que eles envolvam você e o seu candidato em lama pútrida. Finja recriminá-los, expulsá-los do grupo e depois alardeie que você não macumuna com falcatruas. Garanta que governadores presos, sócios foragidos, promotores e juízes comprados falem a sua verdade e somente a sua verdade. E então, mostre a todos os eleitores que a justiça está do seu lado e propale frases feitas sobre ética e moralidade e que estas sejam repetidas em coro, eu disse em coro, por todos os que circundarem o seu escolhido. Bata neles se errarem algum verso do jogral;

9 - Dissemine o MEDO entre os brasileiros. Como, se não houver motivos para alarde entre o povão? Ora bolas, use a mídia aliada para espalhar boatos infundados e para assassinar reputações. Faça isso sem pensar: depois da coisa fedida no ventilador, já era. Ou, ao menos, já seria - é pagar para ver. E você paga, ah se paga, inclusive direito de resposta;

10 - Por último, mas não menos importante: os seus aliados grileiros, escravocratas, viúvos e viúvas da ditadura, ladrões, enfim, toda essa gente de moral ilibada (aqui prá nós) que o ladeia e que ainda circula entre os homens e mulheres livres do Brasil, pinte-os de bons moços e moças, de ambientalistas e de, como dizer?, pinte-os de cor-de-rosa, que é a cor do amor etéreo. Se colar, chame um deles para vice na chapa (sim, chame-a, esta mesmo que você está pensando ;-). Se não rolar, porque sabemos que esta tal está mais suja que o pau do galinheiro da roça produtiva que ela mantém, a rédea curta diga-se, no Centro-Oeste, bom, aí, espere até junho, vá chantageando um seu irmão de partido para que aceite a sua companhia ou, se nada der certo até o último minuto, arranque uma coelha insossa da cartola e mande ver. Mande ver, não, bote pocando, como dizemos aqui na Bahia. Aliás, temos um duquinho parlapatão e um capataz com larga experiência em "atos" de campanha, ambos habilitadíssimos a estarem ao lado do seu candidato nesta empreitada.

Feito isso, sanadas as questões e desatados os nós, é correr para a luta.
Como você vê, não lhe faltam alternativas, basta usar um pouco de criatividade.
Ficam aí minhas sugestões e que São Serapião os acompanhe. Ao menos ele... Assim seja.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre o discurso de FHC

Comentário meu ao Blog do Josias de Sousa, no tópico "FHC rotula Lula de ‘tosco’, ‘mentiroso’ e ‘dissimulado’"

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O Lula apenas mostra ao Brasil que o discurso da direita, amplamente alardeado pela midia, acerca da estatização, por exemplo, é fulo. A retórica raivosa evidente nos discursos, artimanhas e mentiras não pode enganar porque, antes, subestima a inteligência dos(as) brasileiros(as).

Os nossos problemas estruturais, que dependem do consenso legislativo e judiciário para mudarem, somados à força que um partido como o PMDB ainda tem, acabam por mostrar que há problemas mais subjetivos, éticos e emocionais a serem tratados pela escolha democrática.

Será a partir dessas contradições que nós, coletivamente, conseguiremos converter a rede de interesses privados que dominam o país em de interesse público. Mesmo que pela cidadania econômica, haverá um empoderamento da vontade individual, para abolir essa entidade "pessoa", que alimenta e é alimentada por um sistema de comunicações de massa, composto por indivíduos despersonalizados e pouco confiáveis.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sobre Dilma no Superpop

Reproduzo aqui um comentário meu ao Blog Os Amigos da Presidente Dilma, acerca da entrevista da Ministra ao programa Superpop, de Luciana Gimenez.


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Creio que, no caso Dilma, é válida toda chance dela se apresentar apenas como uma mulher, em pleno controle de suas emoções e responsabilidades, com memórias de uma infância, de um casamento, de cozinhar pra filha, leva-la à creche.

Eu acho que Lula foi absolutamente certeiro ao escolhe-la. Sua biografia tem paixão, ternura e uma capacidade enorme de abnegar-se pelo Brasil. Eu, a cada dia, tenho mais argumentos por ela. Apenas tenho que ser calmo, para não antecipar demais um debate que será mais frequente após a copa do mundo.

Sobre o programa... não tenho opinião formada, como não tenho uma melhor opinião sobre o Pânico, citado por elas. Achei apenas que é mais ou menos assim: um programa 'feminino' podreira recebe a Dilma e aí o cidadão vai lá e assiste o programa, "ou seja", verifica-se a capacidade da Ministra de transitar entre câmeras e conhecer os limites de sua "dureza" neste veículo.

A câmera torna qualquer ruído num barulhão, portanto, para mim, fica engraçado a Dilma dizer a uma repórter malinformada: "Minha filha, vc está confundindo as coisas...", ou diante de senador fascista, esbravejar com classe, entretanto, em programas de auditório e em debates ao vivo, é bom manter o tom da voz moderado e, para variar o cenário, cantar um samba, ou sambar, ou cozinhar omeletes. E falar apenas quando o outro já estiver calado, no caso, a outra, Luciana.

De verdade, gostei demais. Achei que ela vai arrasar no Mais Você :) Sim, estou preparado para tudo... repito, para tudo.
Superpop foi ótimo pq foi leve, apesar da evidente dietaça de Dilma. Omelete? Poxa, fizesse, então, uma sopa :P