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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Imprensa e Petrobrás

Comentário ao comentário do Nelson Simões, em uma postagem minha no Facebook:
O problema da imprensa tendenciosa está longe de ser um 'privilégio' brasileiro. O avanço do capitalismo neoliberal se deu justamente com o intrincado plano de criação de um modelo de comunicação, que cuidou de manter o controle dos grandes meios nas mãos das corporações (embora na Europa existam - ainda - fortes redes de comunicação estatais operando com força, mas aí há que se perguntar a quem servem esses estados, de todo modo, nem tudo é privado nesse meio). 

A história mostra que o avanço neoliberal se deu acoplado a um complexo esquema de propaganda de costumes e de valores caros ao capital. Obviamente, o comunismo e o socialismo de estado, experiências baseadas em 'projetos' de eliminação de classes sociais pela eliminação da sociedade privada, cuidaram de criar suas agências de propaganda e seus líderes carismáticos, uma vez que a imposição de um sistema de dominação exige, como bem mostra Max Weber, da aceitação do dominado. 


Portanto, no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, assim como na China e no Oriente Médio (onde ainda os EUA não detém o poder), as informações veiculadas pelo que eu chamo de 'jornalismo hegemônico' devem ser lidas com enorme cuidado. 


Ocorre que a internet veio a nos ajudar bastante. 


Basta que passemos a ter o hábito de, ao menos nas matérias de interesse pessoal, sejam econômicas ou políticas, que passemos a ter o hábito de ler diferentes fontes de informação, de 'seguir' diferentes organismos e profissionais do jornalismo, de modo a, num trabalho analítico, tirarmos as conclusões sobre aquilo que é veiculado. 


No Brasil, os casos de manipulação de dados e informações pelos grupos de mídia ainda dominantes são conhecidíssimos, podendo eu citar, por exemplo, o apoio ao golpe de 1964, a manipulação do debate lula x collor, em 1989, o assassinato de Chico Mendes, o Mensalão, o caso Erenice Guerra, o caso Humberto Costa, a inflação do tomate, dentre tantos outros. A única coisa que serve de denominador comum a todas essas investidas é a irrestrita adesão desses grupos empresariais ao projeto neoliberal. 


Isso não é de estranhar, afinal, são apenas cerca de 11 famílias que controlam os principais veículos de comunicação no nosso país, sendo que todos estão atrelados aos ditames das potênciais e das grandes organizações privadas ocidentais, uma vez que são articulados aos fluxos de capital financeiro desde sempre. O que se vê, na atual fase do capitalismo, é um enorme esforço desse segmento econômico hegemônico de manter seu controle sobre os Estados. 


O seu ímpeto consiste em esfacelar os projetos de estados-sociais europeus e, no caso da América Latina, em operar sobre os organismos públicos locais sem forças opositoras, no sentido de manter sob seu controle as principais fontes de riqueza destes países, cujas frágeis democracias ainda estão em formação (embora este conceito de democracia frágil já se aplica, há muito, a diversos países europeus, por exemplo, Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia e, principalmente, Itália, com sinais de que a França caminha para uma república fundamentalista e, por isso mesmo, autoritária. Hoje já se pergunta: "existe democracia?". Só tolos e tolas acham que os EUA e o UK sejam exemplos de democracia plena).


Voltando ao brasil, falemos sobre o PT. Seu projeto de poder está longe de ser um projeto revolucionário. Nunca o foi! 

Pelo contrário, tenta criar condições para mudanças substanciais e o faz por uma via arriscada. O PT optou pelo 'paz e amor' de uma gestão, sem contrariar fortemente o capital especulativo e operando a economia em bases neoliberais. 
Outro sinal de sua deficiência enquanto projeto de poder (legítimo: todo partido nasce para conquistar e manter poder político) é justamente a falta de um programa de comunicação, daí, este partido patina nas manchetes dos nossos grandes jornais e fica refém da boataria e da maledicência. 

O nosso sistema político também não foi combatido e muitos petistas, por egolatria, vaidade, mau-caratismo, prepotência ou ingenuidade, caíram na rede de fisiologismo que corrói nossa confiança nas instituições que sustentam nossa democracia. Contudo, eu devo admitir que eles não são os mais corruptos (pesquisas mostram isto) e têm um mérito administrativo inegável, que se traduz justamente no tipo de agenda que o partido criou para as suas políticas sociais, tendo em vista as políticas econômicas viciadas em neoliberalismo e, principalmente, em relação ao controle das empresas estatais. 


Os ganhos da Petrobrás, nos últimos anos, são inegáveis. A empresa, segundo obviamente as fontes que eu consulto e confio, teve a audácia de apostar em pesquisa e, dados estes investimentos, lançou-se com ainda maior ousadia nas bolsas de valores e, a despeito do que se vem propalando, o fez com extremo sucesso. 


Sobre Pasadena, também com base nas 'minhas' fontes, a desconfiança reside no fato (já comprovado) de que o antigo diretor não entregou o relatório completo em tempo hábil a todo o conselho e, no seu resumo, omitiu as tais clausulas. Claro, todo o conselho deveria ter adiado a decisão, mas dadas as condições da época e o plano estratégico da Petrobrás, foram 'de supetão', sem terreno firme. Dilma e todo o conselho deveria, sim, ter exigido mais celeridade ao diretor ou adiado a decisão. 


Outro ploblema, investigado pelo Ministério Público (que já conhece há tempos o problema Pasadena) e pela própria Petrobrás, diz respeito à existência de de uma espécie de comitê lobista nos EUA, que poderia viciar as decisões da empresa. Até onde se sabe, apesar disto tudo, a refinaria já 'se pagou'. 


Por trás deste pseudo-escândalo criado pela nossa imprensa neoliberal, estão como sempre os mesmos atores internacionais (e muitos nacionais, óbvio), interessados nas promessas do PSDB (e, devido aos seus sinais, também do PSB de Eduardo Campos) de entregar a Petrobrás ao mercado, como queriam fazer desde os anos 90. Não são poucas as vozes sensatas que, nas últimas semanas, vêm alertando o brasil para este perigo, mas, como é de se esperar, a gente não os vê no Jornal nacional, muito menos nas manchetes de primeira página do Estadão ou da Folha (como não vemos repercutidos os crimes perpetrados por quadros do PSDB e do DEM que, protegidos pela imprensa, manipulam no judiciário para saírem ilesos e ricos de um processo de expropriação do nosso patrimônio).


Todo este longo texto, escrito em respeito a você, Nelson, tem o intuito de lhe mostrar que nós, cidadãos atentos, devemos diversificar nossas fontes de informação e, principalmente, ler criticamente o que é veiculado com grandes letras pelos jornalões e mostrado em longos minutos do telejornalismo da Globo, da Band, do SBT e até, pasme!, da TV Cultura. 


É isto que tenho feito. Portanto, tenho absoluta certeza de que esta narrativa pode lhe soar estranha, e por isso mesmo posso tentar colecionar as fontes que me informam e lhas passar por mensagem. De todo modo, isto tudo não é difícil de encontrar pela internet (o Google costuma escondê-las, portanto, convém pesquisar por palavras chave e seguir uma ou duas páginas adiante).


Terei enorme prazer em continuar esta conversa com você, em privado. Por hora, envio-lhe uma resenha para um livro publicado recentemente nos EUA que, em grande medida, confirma esta 'teoria' que acabo de lhe apresentar em linhas gerais. Esta resenha é válida porque, como você sabe, para a Globo, a Abril e cia, "o que é bom pros EUA é bom para o Brasil" .


quinta-feira, 25 de julho de 2013

A culpa é da Dilma


Eu, hoje, estava à porta de casa com duas vizinhas, ambas na faixa dos sessenta anos, uma delas enviuvou-se recentemente. A conversa enveredou-se para uma descrição detalhada do comportamento do falecido diante das dificuldades da vida: segundo ela, ele foi um homem de pouca iniciativa. Por termos uma relação de longa data, sei que ambas são entusiastas dos governos Lula e Dilma, porém, tendo em vista a inação característica do homem, a outra comentou: "hoje, numa crise dessas, se a pessoa não tiver disposição para o trabalho, não sei não, viu?!"
Neste momento, achei de bom tom não me embrenhar por um debate sobre a tal "crise", porém, olhando para a sua casa recém reformada, com móveis novos, não pude deixar de me perguntar: onde esta mulher achou uma crise? A resposta, mais que óbvia: na Rede Globo.
No interior da Bahia, pelas minhas incursões em pequenas cidades, percebo que a grande maioria das pessoas informam-se, quase exclusivamente, por meio dos telejornais da Globo. Ontem, por exemplo, num restaurante, comentando sobre o papa, um representante comercial -versão atual dos antigos caixeiros viajantes - ressaltou a humildade do pontífice. Eu o interpelei: também, com a Globo dia e noite dizendo que ele é humilde e generoso, fica difícil acreditar em outra coisa. Ele me respondeu, sorrindo: "é verdade, a Globo chateia, mas o homem é simples mesmo". Ou seja, com ressalvas, a Globo está certa, porque as imagens não mentem e o papa acena, beija criancinhas, sorri, usa carro comum etc etc etc.
E, na falta de imagens, opiniões. Eu posso atestar, também a partir de minhas observações, que o jornalismo opinativo da Globo cumpre uma função pedagógica impressionante e que, diante desta ação deliberada, o governo federal pouco tem feito para neutralizar sua influência. O resultado é que a sensação de crise passou a incorporar o vocabulário de uma simples senhora baiana e já lhe faz desconfiar de que o governo Dilma é ruim e, ao contrário do papa, a presidenta não está conseguindo atender ao povo.
Isto, obviamente, repercute em seus atuais índices de avaliação popular. Sem dúvida, problemas internos do seu governo favorecem a esta queda de popularidade, quase todos eles relacionados com a comunicação, seja ela relativa ao ministério das Comunicações, seja interinstitucional, referente ao contato com o congresso e com os movimentos sociais, ou social, porque Dilma não deve ter uma assessoria nesta área ou, se a possui, ela é de uma incompetência absurda - hipótese esta mais provável.
Com isto, quero dizer que o governo Dilma, que não é perfeito, não consegue deixar claras as suas razões para determinados atos impopulares, nem divulgar eficazmente seus sucessos. A chamada grande mídia acaba por servir ao governo como uma espécie de assessoria de imprensa, na medida em que a presidenta tem optado por se comunicar conosco quase exclusivamente por meio de seus discursos em eventos oficiais, o que a deixa completamente à mercê das mesas de edição jornalísticas e, por conseguinte, da política editorial de veículos que querem vê-la pelas costas.
Com uma estratégia de comunicação social bem engendrada às ações governamentais bem sucedidas, seus problemas se reduziriam à metade.
Porém, resta concordar com os movimentos pelos direitos humanos e sociais, 'no que se refere' às articulações absolutamente deploráveis da presidência com setores fundamentalistas e ruralistas do congresso, combinadas a uma completa falta de interlocução com as representações daqueles movimentos populares. Na internet, este afastamento mostra o seu resultado mais nefasto para o PT, com as vozes e as lutas populares misturadas aos gritos mal intencionados dos articulistas preferenciais dos velhos jornalões e das redes de televisão oligárquicas. Um estudo dá conta deste fenômeno peculiar e que ainda exige melhores estudos e interpretações.
A Revista Fórum publicou, no último dia 23, um levantamento feito pela empresa de estudos cibernéticos, Interagentes, em parceria com a Publisher Brasil em Análise e Monitoramento de Redes, que considerou as postagens das "maiores autoridades no Facebook e no Twitter, aqueles perfis ou páginas que têm mais compartilhamentos, e mostra os 10 principais críticos e os 10 que mais apoiam o governo".
Este interessante estudo fez buscas em ambas as redes sociais entre os dias 11 e 16 de julho e conseguiu gerar gráficos que demonstram de onde partem as mensagens de ataque ao governo Dilma. Gostaria de ressaltar, neste breve texto, a força dos atores pautados nas defesas das minorias, que vêm se posicionando contrariamente ao governo.
As críticas advindas destes grupo e indivíduos são contundentes e, muitas das 'autoridades' citadas pelo estudo tem ação partidária direta, seja como políticos ou articulistas de blogs ligados a partidos políticos. A mim, que frequento as redes em questão e conheço bem cada um dos perfis (exceto o do deputado Jean Wyllys, que me bloqueou no twitter, durante uma divergência entre mim e ele), posso dizer que eles cumprem ação político-eleitoral e assumem oposição ferrenha ao governo federal, muitos proferindo sentenças que equiparam as ações governamentais a genocídios, especialmente nos casos dos indígenas e dos LGBTT.
Eu, diante da inabilidade do governo em responder a estas acusações, e pela sua completa ausência das referidas redes, sempre achei muito bom os ataques e, na medida da razoabilidade de alguns deles, ajudei a repercuti-los.
Porém, nunca deixei de me perguntar: as ações dos veículos de imprensa, especialmente da Globo, somadas às dos ativistas, ajudam a cristalizar aquela sensação de "crise" e de desastre governamental de Dilma? A resposta é sim. Em algumas situações, ambos os segmentos se encontram, como nos casos em que o Deputado Jean compareceu a programas jornalísticos, como o de Fátima Bernardes e o CQC. Este deputado, a meu ver, em seus perfis, não consegue demarcar os limites entre sua necessidade de ser iluminado por holofotes e as suas ações parlamentares estritas. O mesmo ocorre com muitos outros perfis individuais, em proporções diversas às do deputado.
Não são poucas as manifestações de seguidores meus, especialmente no Facebook, que repercutem os argumentos dos ativistas, como também não é irrelevante a articulação destes aos manifestantes que tomaram as ruas em junho. A legitimidade inicial destas movimentações, flagrantemente, após as primeiras ocupações das ruas, passou a ser utilizada pelos telejornais, seja na criminalização dos chamados "vândalos", seja na repercussão das causas populares difusas que os interpunham ao governo Dilma.
Tem-se por conseguinte uma estratégia inteligentíssima dos veículos de imprensa, que publicizam as aparições públicas da presidenta no dia em que ocorrem e, nos dias seguintes, incessantemente, produzem reportagens opinativas sobre os temas subjacentes à agenda presidencial, de modo a negá-la, sempre com o aval de "especialistas" e comentaristas. Assim, Dilma passa a ser apenas alvo e, mais uma vez, sua frágil estratégia de comunicação a torna refém dos mesmos veículos que a querem pelas costas, mantendo-a em posição defensiva permanente.
Enquanto isso, sua ausência das redes sociais online a faz sucumbir aos ataques dos movimentos sociais que, articulados e indignados, fazem jorrar denúncias contundentes, com dados e opiniões que, muito mais embasadas que aquelas televisionadas, ajudam a confirmar, entre jovens e demais conectados ao twitter e ao facebook, a  sensação de governo inábil e entregue às oligarquias e aos reacionários.
Ainda resta lembrar que esta ação ocorre desde, pelo menos, 2004, no caso da grande mídia, e com mais ênfase desde o início do governo Dilma, no que toca aos ativistas sociais. De lá para cá, pelo menos dois 'eleitores privilegiados' nasceram, Joaquim Barbosa e o Papa Bergoglio, os quais, embora não estejam articulados aos ativistas online, somam-se, no imaginário popular, aos defensores da nova política e dos interesses populares.
Formou-se uma barreira, a meu ver dificilmente transponível, que coloca, num mesmo caldeirão crítico ao governo, Eliane Cantanhede, Dora Kramer, papa Bergoglio Joaquim Barbosa, Marina Silva, @Tsavkko, @jeanwyllys_real, @cfp_psicologia, @CimiNacional, entre outros. Esta mistura nonsense deve-se ao governo, na medida em que ele não tem sido capaz de dialogar com uns e combater outros.
Porque uns precisam compreender a necessidade de amealhar capital político, por meio da eleição de representantes ligados aos movimentos de que fazem parte, afinal, qualquer governo acaba por ceder aos interesses daqueles grupos organizados que lhe apresentam maior número de eleitores, como garantia para o seu lobby parlamentar. Em relação aos outros, é preciso que se tenha sempre prontas as respostas às suas tresloucadas interpretações da realidade. São eles que plantam a confusão e acabam por convencer a minha vizinha de que vivemos crises política e econômica sem precedentes. Depois deles, são as legítimas palavras de ordem dos ativistas que ajudam a delinear o discurso anti-governista.
Outros problemas de ordem política mais geral nascem desta mesma circunstância, como a criminalização dos partidos políticos e das organizações da sociedade, a desconfiança nas instituições democráticas e a supremacia do Poder Judiciário, uma vez que PSOListas e DEMistas, por exemplo, têm recorrido juntos ao Supremo Tribunal Federal contra os desmandos do governo.
Penso que a culpa seja mesmo do governo Dilma, que não soube compensar sua falta de "carisma" com uma boa estratégia de comunicação e, pelo contrário, optou por aprofundar o estado de dependência do seu governo frente às empresas de telecomunicação, por meio da débil atuação do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo e da sua Secretária de Comunicação, a jornalista Helena Chagas. Isto, sem falar na incompetência de Ideli Salvati e Gleisi Hoffman e na apatia idiotizante de um José Eduardo Cardozo.
Tudo isto nos leva a ultrapassar um período histórico obscuro, porém nem todos os brasileiros e brasileiros o vêem e sentem assim. Ele é obscuro para nós, que ficamos à mercê da confusão e da histeria. Para os que ainda não conhecem possíveis representantes legislativos de seus interesses, enquanto evangélicos e agro-negociantes conhecem pelo menos 100, cada um.
Obscuro, para aquela minha vizinha que, ainda que esteja com a casa renovada, desconfia que a inflação bateu outro recorde histórico, que a corrupção está entranhada no PT e que o desemprego assola nossa juventude. Ainda mais agora, com o Papa Bergoglio conclamando a todos a terem esperança e a mudar. Sem ouvir a voz de Dilma na mesma intensidade, a mim só resta dizer: bem feito!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre a PEC 33: STF x ???

Fui ler o texto da PEC 33, sobre a limitação de competências do STF.
Deixo aqui duas observações:

- O Judiciário brasileiro precisa de uma revisão urgente. Operamos com um Supremo Tribunal com plenos poderes, capaz, como se nota cotidianamente, de paralisar os trabalhos nas casas legislativas e na administração pública.
Contudo, esta PEC é inoportuna, especialmente porque não vem conectada a um debate abrangente sobre o Poder Judiciário e suas prerrogativas um tanto pesadas demais, que desequilibram a República brasileira.
De outro lado, um debate sobre o poder Judiciário não prescinde de uma profunda reflexão e de um comprometimento orgânico dos movimentos populares na criação de alternativas para o nosso sistema político falido há décadas, no sentido de alterar regras para a composição das casas legislativas, para que estas sejam amplamente renovadas e que se possa melhorar a qualidade dos legisladores e dotar de algum equilíbrio a representatividade dos diferentes setores sociais entre os legisladores. Dar poderes a uma casa sem representatividade popular é realmente um perigo, todavia este é um problema conjuntural: na medida em que se vote melhor, isto pode mudar. Basta que façamos o lobby legislativo do oprimido;

- Embora se tenha criado uma pantomima em torno da Proposta, como se ela fosse um projeto do PT para "retaliação" ao STF, por conta do julgamento da AP 470, vulgo Mensalão, vale lembrar que se trata de um projeto de 2011, cujo relator é o Deputado João Campos, do PSDB-GO (liderança da bancada evangélica mais radical, diga-se).
Ironicamente, o principal motivo porque ela não passará está justamente no fato de que é ao PT que ela não interessa, uma vez que Dilma irá indicar dois novos ministros do STF que, espera-se, farão com que a composição do Supremo Tribunal mude de figura e passe a favorecer os projetos de governança petista. Portanto, qualquer alteração nas regras deste jogo, hoje, não tem nada a ver com o projeto de poder do PT.
Certamente, após uma eventual reforma política, os partidos virão a se empenhar em um debate sobre a reforma do Poder Judiciário. Hoje, entretanto, isso não passa na cabeça de nenhum líder partidário no Brasil.
Portanto, dizer que se trata de uma conspiração do PT contra a Justiça é mais uma meia-verdade que a imprensa e, sim, alguns dos ministros atuais do STF adoram plantar nas cabecinhas incautas dos brasileiros despolitizados, porém militantes das causas 'globais'.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Direito à "bandeira"

Em absoluto o "mar de bandeiras da CUT e do PSOL" descredibiliza o movimento dos professores paulistas. São ou não são constitucionalmente garantidos os Direitos Políticos aos cidadãos do Brasil?

A relação sindicatos e governos, em todas as democracias, existe e é legítima. Sua afinidade com correntes ideológicas de Governos e Oposicionistas sucumbe, porém, à sua obrigação de responder à categoria a que representa. Por exemplo, a greve dos Correios, de 2009, quando seus funcionários vaiavam Lula em diversos eventos públicos, tinha a participação da CUT, porque, mesmo afinada ao Governo petista, a CUT tinha que, primordialmente, defender os direitos dos funcionários dos COrreios que estavem, então, em movimento contrário ao do Governo Federal.

Sindicatos são insituições político-representativas, tal qual partidos, e defendem interesses de categorias de profissionais perante o poder dos seus empregadores, sejam estes privados ou públicos e estão, sempre, embasados por ideologias. Contudo, não é a sua postura mais ou menos "amigável" ao empregador que o legitima perante a categoria a que representa, mas sim o cumprimento de seu papel fundamental: expressar descontentamento e prover negociações, quando necessárias.

No fim das contas, com CUT ou sem CUT, o que o professor quer é a atenção às suas demandas, definidas em Assembléia. Se parte da categoria é contrária a tais demandas ou ao método de manifestação, tem esta mesma Assembléia como espaço privilegiado para se posicionarem e defenderem suas posturas. Assim funciona o jogo democrático, em qualquer instância de Poder.

Aos sindicalizados - como cidadãos brasileiros - é conferido o Direito à filiação em partidos e movimentos sociais, sendo que estas "bandeiras" norteiam suas ações políticas. Os sindicalizados, portanto, levam às manifestações que participam as bandeiras que o identificam perante o grupo. Se se tornam diretores de uma instituição sindical, não são obrigados a desfiliarem-se e vão imprimir à sua gestão os parâmetros ideológicos destes mesmos partidos. Nada se pode fazer se os grupos políticos de Direita brasileira não se apoiam em movimentos sociais para tentarem legitimar suas pretenções político-administrativas.

Sendo assim, repetir esse discurso absolutamente anacrônico da Mídia Direitola é estar ignorante dos direitos políticos a que TODO cidadão tem acesso. Tentar descredibilizar uma luta de categoria com base em argumentos desta natureza é assumir uma postura autocrática e que somente favorece à parte opressora numa relação trabalhista, qual seja o empregador, mesmo este sendo um ente público.

Para finalizar, duas considerações:

1. Nenhum sindicato coloca nas ruas um tão grande número de pessoas, obrigando-as a fazê-lo, assim como seus dirigentes ou integrantes não ousariam vaiar o empregador se isso não estivesse coerente com a luta empreendida pela entidade;

2. O Governo de SP não admite, porém tem os salários defasados e as condições de acesso e manutenção na carreira são bastente questionáveis. Se ler com atenção e apuro os "artigos" publicados pelos jornais a respeito da Greve, verá que se tratam de panfletos políticos, moralmente ignóbeis, diferentemente da expressão genuína do Direito de se fazer representar por "bandeiras" de movimentos sociais, sindicais e partidários no Brasil.

Resposta ao Comentário de Clair, no viomundo.com.br


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Pequeno barco naufragante, o dos incultos

Parece às vezes que a Mídia Direitola vem expulsando José Serra da disputa eleitoral de 2010 e forçando uma indicação do Aécio Neves pelo PSDB. Para Aécio, no entanto, estar com o DEM não é o melhor negócio, ou Ciro ver-se-ia tentado a antecipar uma aliança? Será que deixariam que Dilma passasse tranquila, sem adversário pela esplanada… Jamais!

Bom, penso que dois fatores inviabilizam cenários eleitorais sem Serra – baseando-me no que eu suponho passar pelas cabeças dos indivíduos em questão:

1. O orgulho e a vaidade.
Serra se verá entre a cruz e a caldeirinha e procurará terminar sua carreira com o mínimo de … pose;

2. As biografias dos PSDBistas nesse limiar de 2010. Alckmin perderia a chance de compor um novo bloco de oposição (com Aécio, Marina e Ciro), se aceitar perder SP. Precisa garantir sua sobrevida política até 2014, porque, até lá, "metade" simbólica da política brasileira terá ruído e não sobrará traço de DEMos em postos importantes. Melhor se emancipar para cultivar alguma hombridade, ou sabor, se preferir.

Aécio sabe que ele poderá concorrer um dia ao lugar do “Farol da Alexandria” e sabe que, se tentar a presidência e perder a eleição, ficará fora de cargo eletivo federal até 2014, acompanhado pelo DEM/PFL e isto é muito tempo pra quem é supostamente um dependente. Tendo, por outro lado, o aval enfático de Ciro Gomes, não pode saber qual seja pior: o abraço fedorento de DEM, ou a língua frouxa de Ciro.

Ciro ainda é um sectário pernóstico e falastrão. Ele facilmente exporia, hoje, o caráter juvenil, retrógrado e irresponsável da atitude política de ambos, se reunidos numa mesma chapa. Melhor adiar esta possibilidade, dada também a presença de Lula.

Ninguém mais no PSDB se interessa por lançar uma candidatura à presidência e, entre os partidos aliados, ninguém apresenta as condições para tanto.

“Whatever will be…”
Imprensado por seus próprios tentáculos ardidos e acuado, Serra sabe que, se fugir, aí é que perde tudo mesmo, principalmente São Paulo (se bem que, dizem, paulistas gostam de eleger covardes).

Portanto, Serra não desistirá, nem a Globo deixará de apoiá-lo. O que estão fazendo é servir-lhe mais do seu próprio veneno de medo, como aquele amigo que lhe perfura a ferida sobre o nervo inflamado, uma vez que amigos, sim, sabem nos assustar.

Esta candidatura será "o inferno astral de Serra". Contudo, também estou curioso sobre o que pode acontecer até lá. Por sua triste característica, espero tudo dele, principalmente que ele corra de uma iminente derrota por uma "fantoche" petista, mesmo que depois do seu aniversário. Sabe lá São José.


Comentário meu ao Blog do Nassif, no artigo O Globo desembarca da candidatura Serra

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mídia Direitola

Encontrei um blog que busca juntar textos de diferentes veículos de comunicação online, todos representantes da Mídia Direitola. Trata-se do Arquivo de Artigos Etc, publicado pelo redundante e incógnito "Artigos".

Engana-se quem pensar que eu criei esta expressão para me referir ao jornalismo de oposição ao governo do PT. Não sou petista de carteirinha, embora já tenha prestado anos de trabalho a governos petistas (e tbm pcdobistas, pmdbistas e um demista, à época pfl'ista).

Refiro-me a um conjunto de jornalistas que acreditam no liberalismo econômico como alternativa viável de um governo, assim como sustentam em seus discursos um conjunto de crenças (sim, não são idéias apenas) baseadas nas teorizações sobre a dependência econômica dos países em desenvolvimento, na tendência de incluir a "dependência" como percalço para a emancipação político-econômica.

Embora não tenha errado no mérito, Fernando Henrique Cardoso "pecou" por não admitir uma perspectiva emancipadora aos "pobres". Com a visão de um palmo diante do nariz, FHC desmereceu nossa capacidade, no livro e no seu exercício de poder.

Por isso, não é correto dizer que FHC corrompeu suas idéias. Exatamente ao dizer tê-las negado, ele as aplicou a seu modo: entendeu - e talvez ainda entenda - o Brasil como país sem soberania, aos parâmetros do modelo de desenvolvimento euro-norteamericano (incluamos, por favor, o Canadá nisso). Justificava suas trapalhadas com auto-piedade.

Lula, por sua vez, é a personificação da Teoria da Dependência, basilar à obra de FHC. Na "era Lula", o Brasil busca superar o atraso (tendo em vista um certo discurso acerca da hegemonia), por meio do fortalecimento do Estado. Pelo fortalecimento Estatal FHC, a seu turno, dizia não ser válida a mera superação (conformação) dos problemas e mazelas, para fins de emancipação econômica. Ele supunha que pudesse haver nacionalidade sem dominação, ou melhor, sem dependência, e certamente aos europeus coube representar o resultado histórico desta modalidade de democracia horizontal.

Por não se realizar a luta entre certo tipo de proletariado e certa burguesia/hegemonia no cenário econômico, FHC não antevia a probabilidade de revolução. Parece-me, assim, que tratou Marx como trataria os Irmãos Grimm, ou mesmo Walt Disney.
A assunção de Cardoso sobre nosso atraso (intrinseca à raça latinoamericana?) o impedia de enxergar, nos filhos do Bolsa Família e do MST, os operários e campesinos descritos por Marx, ou talvez como a superação desta idéia de exército revolucionário? (Esta última, uma possibilidade mística demais para FHC).

Esse estágio de construção, para FHC é sina, para Lula é circunstância. Mais dez anos e estaremos marxistas, ou miltonsantistas? Conseguiremos vibrar nos conselhos? Até que ponto nossa excessiva erotização é impecílio para nossa aglutinação?
Certo é que a cidadania no Brasil é potencializada pela ação estatal, contudo a convivência entre os cidadãos tem sido fomentada, e parte das últimas gerações de pobres já nasceram ligadas a movimentos sociais. A diferença crucial entre Lula e FHC é a fé no Movimento.

O empréstimo ao FMI é a principal realização simbólica de Lula, que o coloca num patamar de modernidade (quase vanguarda) americana (incluamos todos nisso) tão prestigiado, que nos converte a país soberano em processo de integração cultural com os demais países, igualmente soberanos. (Sim, por vezes sou ufano-lulista).
Lula nos nacionaliza e inverte muitos paradigmas e nega outros. Torna o PSDB em relíquia e o DEM em fóssil. Por meio de sua gerência, instaura-se a Agenda do Estado pacífico, ou vem sendo programado um antro de marginais inveterados? Só o tempo no-lo dirá!

FHC, entretanto, pouco acreditava em Brasil como Nação. Em seus escritos, morrermos engalfinhados por nós mesmos parecia o cenário esperado no futuro. A sobrevivência do povo ficaria atrelada aos laços de dependência econômica para com nações ditas desenvolvidas.
Seguia uma tendência sociológica que nos via apenas como povo. Ainda sofremos desta pecha: Povo. Nós, os outros.
Lula utiliza sua brasilidade para se tornar num líder mundial quase unânime. Sua ousadia e sua sinceridade provam o quanto FHC estava deslocado em seu próprio campo teórico.

Mesmo assim, FHC parece ter aglutinado em inúmeros jornais, organizados em rede, um conjunto de seguidores. Pessoas que cinicamente se referem a si mesmas como patéticas. Negam sobreranias, democracias e, por conseguinte, negam cidadanias. Admitem com dificuldade a capacidade emancipatória do brasileiro pobre (e também do médio), e nisso escondem-se rios de preconceito.
Fingem-se cegos, empobrecem-se. Corrente enferrujada, náufragos.

A mídia direitola é o conjunto de comunicadores inexoravelmente dependentes.
Zumbis que escrevem artigos, zumbis que os publicam e zumbis que os arquivam.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Desabafo meu em outro blog

Resposta ao texto Onde o Itamaraty errou, do Blog Da Embaixada, da Folha de São Paulo, escrito por um jornalista:


Nem adianta o pessoal se esmerar a escrever mais convincentemente. A farsa da mídia direitola já cai por terra!

Não há razão ou vontade puras, julgamentos morais ilegitimam processos.
No Brasil, só o MST sabe criar poder atualmente.

Que se escurracem a si próprios os ruralistas. Senti-me e me sinto ainda traído pelo grupo Folha, a cujo "jornalismo" respeitava mais que aos outros.
Este jornal revela-me sua face autocrática e comprometida com a falência e a oligarquia. Atrasados aflitos.

Perdoo-me por haver referenciado tantas decisões e posições políticas pelo dito jornalismo. A urgência da vida!

Ladrem o quanto quiserem. Ou riam...
Sigamos o nosso caminho.