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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ódio míope

Há um ódio ao Brasil que se expressa por meio de verborragias metralhadas a esmo por pessoas com alguma 'bagagem' intelectual, conhecedoras, ao menos remotamente, da realidades de países estrangeiros; pessoas interessadas em produções artísticas de outras partes do mundo, especialmente a estadunidense e a européia.

São brasileiros e brasileiras que repercutem em seus comentários preconceituosos enganosas noções de identidade 'européia', sempre a imaginarem que "lá" tudo funciona, tudo brilha, tudo está em perfeita ordem. "Lá", para eles, não viveria este povinho, não haveria esta sujeira, esta corrupção, esta realidade. Diante de uma qualquer adversidade midiatizada, repetem a máxima, 'vou-me embora desse fim de mundo'.

Este ódio pelo Brasil é tanto mais forte quanto maior for a articulação do seu propalador com a imprensa cultural. Um teatrólogo brasileiro que tenha conseguido, em algum momento dos anos de 1990, fazer fama entre circuitos 'alternativos' com sua obra experimental à moda novaiorquina, por exemplo, torna-se quase imediatamente um detrator feroz do seu país de origem. Nem precisa ter ficado rico, ou ganhado reputação entre outros circuitos artísticos, além do paulista ou do carioca, para que de sua boca sejam cuspidas ofensas generalizantes dirigidas a todo o 'resto' do Brasil.

Se ele conseguiu fazer algum estágio 'no exterior', então, nossa!, o Brasil passa a ser polo de comparações as mais esdrúxulas, como se não houvesse um passado, como se as mãos com anéis que o tal teatrólogo beija e afaga não fossem as mesmas mãos que açoitaram o avô e o pai daquele jovem pardo que, ao passar por ele, chamou-lhe a atenção pelo volume entre as pernas, afinal, ser bissexual é o futuro... 'lá'. (Mal sabe ele que aquele jovem pardo conhece tão bem homens pseudo-liberais ensebados como o cinquentenário e esquecido artista que o violentou com o olhar lascivo.)

Trata-se de um ódio míope e esquizofrênico, que recai sobre os homens e mulheres que não se encaixam em seu estreito modelo de perfeição. Este ódio descamba para o sexismo, a homofobia e o racismo, automaticamente. Isto, porque a saia curta da brasileira torna-a num objeto sexual e dá a ele o direito de enfiar a mão nas suas partes íntimas, enquanto a saia curta da jovem francesa é sinal de sua liberdade e emancipação. Percebeu a lógica torta do sujeito? É tão simples quanto isso e por isso mesmo tão ridícula!


O que o homem em questão não percebe é que 'lá' não há quem se importe com a sua 'cópia' teatral, mas dá um saco de euros pelo colorido sofisticado da arte brasileira feita de rendas e chitas, tambores, sanfonas e agogôs. Este pobre coitado chafurda numa lama fétida de inveja e se defende como pode, com a sua ousadia discriminatória e auto-enganadora, com aquela retórica detestável e desrespeitosa que faz a podridão de sua mente e de suas emoções ser correspondente ao quadro de feiura em que ele representa o Brasil, este recanto de gente que ama odiá-lo, iludida com uma imagem de 'paraíso no estrangeiro' que não existe.


Gente de pensamento curto, como a obra do teatrólogo nojento, e de sentimento defasado, como o Brasil que ele descreveu numa entrevista, "paisinho de 4º mundo, Corsa que quer ser Mercedes". Gente triste, 'intelectualoidezinhos' melecas de um qualquer submundo: Jac Motors que querem ser Bugattis.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Jornalismo como drama

Um quadro do CQC, com Danilo Gentili, que tenta fazer Dilma sorrir.

Antes, o repórter logo mostra nunca ter ido a um encontro de partido. Aborda políticos equivocados, populares "petistas" e "socialistas", que não conhecem CQC mas já desconfiam da Bandeirantes como direitola, além de Eduardo Suplicy, Mercadante e, claro, Dilma.





Outro quadro do CQC, com Rafael Cortez, no lançamento do filme sobre Lula, a fim de "chegar" em D. Marisa.

Este explora o tema do uso eleitoral da película, brinca sem ofender com os atores e, entre os políticos, se torna objeto da picardia e chega a entrar em vexame com Berzoíni.




Uma boa maneira de comprovarmos o caráter dramatúrgico do jornalismo que assistimos hoje é ver este programa, que altera a prática jornalística dotando-a de humor piadesco. Cada repórter do CQC é, antes, um ator. Não é a toa que muitos deles procuram reverberar suas famas em palcos pelo país, com peças de "stand up comedy".

A equipe de apresentadores do CQC tem um lider, que a cada dia me parece mais perdido entre as obrigações contratuais com a emissora e com seus patrocinadores e as intenções ideológicas que lhe são tão peculiares. Mesmo na convenção moderna, pós-guerra, subsiste a mentalidade à direita. Quando criticam as bandeiras da esquerda ou instigam "vamos ver se ela (Dilma) sabe agitar o povo... que nem um político?" acabam por apenas esclarecer o público sobre suas tendências ideológicas.

No confronto de Gentili com os partidários, ficou-me a ordem da mulher (eles omitem os nomes de quem eles não consideram relevante, deve ser), quando ela disse: "Fique tranquilo!" Pensei que ele foi corajoso ao publicar o momento em que uma mulher do povo, de fala simples, lhe tirou a palavra. Quando ele tenta teimar com o petista sobre a origem politica de Dilma, se do PDT ou do PT, ele somente parece pernicioso e tosco. O interlocutor foi bem mais digno.

Cortez é simpático e mais interessante, a meu ver. Porque ele é engraçado e se expõe sem medo (a bronca de Juliana Baroni de que ele "não liga" foram surpreendentes e divertidas). Daí ele não ficar tão evidenciado com a linha editorial do programa. Ele correu para tentar "chegar em D. Marisa" e ao "chegar nela" o que se viu: uma mulher muito simples, que reconhece seu lugar de brasileira branca e pobre, 'como pode, branca?' - parece-se perguntar o cortez, enquanto a parabeniza e a beija, - por que branca?

Foi engraçado o respeito do repórter por alguém tão caricaturável. D. Marisa, uma dona de casa prendada e carinhosa, primeira-dama, a esposa de Lula. De duas, uma: ao Cortez do CQC, ela é vencedora por ser branca ou por ser mulher de Lula. Qualquer dentre estas hipóteses confirma sua profunda predileção pelo presidente petista.

Outro ponto a favor de Cortez é a manutenção da fala de Berzoini, sobre serem mal geridos os recursos da Band. Cortez fica pequenino no evento, sem perder a graça. Gentili somente parece deixar um cheiro horroroso de pum no ar.

De volta ao estúdio, o líder e seus meninos, que o ladeiam, riem de suas piadinhas rasas, bobas, tristes, porque rancorosas. CQC optou cedo demais pela facção direitola, agora vêem seus talentos individuais se agregarem à idéia atrasada de quem segue a história real, a das massas insípidas, apenas pelas janelas de seus carros ou pelas câmeras dos colegas jornalistas, porém jamais pelo traço engraçado de um artista verdadeiramente humorado.