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sexta-feira, 2 de março de 2012

A 'Serrice' mais Recente, ou O Retorno do 'Jênio'

"Nós vamos fazer propostas setoriais para cada coisa." 

Este exemplo de frase inócua e desonesta, José Serra o disse ao Bóris Casoy (vídeo abaixo). Se um pesquisador, empresário, gestor ou político repetir isso publicamente, perderá muito do seu "valor de mercado". 

Quem tem Serra como economista, não precisa de companheiro/a perdulário, bonachão ou vaidoso/a.


Já que este 'jênio' não se elegerá nem para prefeito de SP (com fé em Deus e nos paulistas!), eu vou rir deste seu ato falho. 

Se tivessem conseguido elegê-lo presidente, eu estaria agora morrendo de vergonha e torpor.

Este homem é um dos maiores comediantes brasileiros. Para quem não sabe, tem vídeo de Serra errando em conta de matemática para crianças do ginásio, outro dele explicando por que a gripe era suína, outro com ele anunciando o fim do Brasil e pregando alinhamento automático com a euroamérica falida... Enfim, tem bobagem serrista para todos os gostos.






E ele continua acreditando que se trata de uma eleição nacional. Até quando SP vai patinar por conta das ambições descabidas de um homem?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pela porta dos fundos


Esta imagem a seguir contem um dos motivos por que Dilma compareceu a esta festa de jornaleco, para esculachar, em poucas palavras, de uma vez só, os jornalistas vendidos e os mercenários, os arquitetos da "Ditabranda", os apologistas de golpe, entre eles, o perdedor que não lhe deu as caras desde sua vitória, " a voz do morto" precisava ser ouvida, ainda que ele fosse levado a falar baixo.

O perdedor fez grande esforço para não expor seu ódio. Porém, no momento desta fotografia, sua fuga sublinhou sua covardia. Imagino que ele deva ter andado pouco na cerimônia, pois está visivelmente afetado por remédios de humor. O que o aperta e divide é o primeiro botão do paletó. Nesta imagem, ele tem os braços lançados a esmo, a expressão de ausência, o falar circunspecto, como se falasse 'para dentro'.

O outro homem é mais um dos aliados malquistos, já um inimigo desde há pelo menos seis anos. Da incompetência deste homem esguio e igualmente calvo se comprova a mediocridade do perdedor. Trata-se de um devoto: um masoquista evidente que, por isso mesmo, conseguiu estar próximo do primeiro por tanto tempo. Os boatos de que usa o Silício, como membro da opus dei, são possíveis. Sua boca contrita, o atrito das unhas, como se lhe cavassem a carne na base do dedo. Os ombros se contraem devido ao susto de ser quem foi flagrado pela lente fotográfica como acompanhante do perdedor durante a fuga; este inábil perdedor, acovardado: sua ambição suja o chão por onde passa.

Inteligente o fotógrafo que se posicionou próximo à porta dos fundos, por onde o perdedor certamente abandonaria a festa, onde se asfixiava e perdia lentamente, graças aos remédios, o controle sobre si mesmo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Senhora do telejornal


Em relação à série de entrevistas com os presidenciáveis do Jornal Nacional, cumpre ao bom observador, sem ignorar a performance 'programada' do publicitário William Bonner, reparar em como a jornalista Fátima Bernardes assumiu, magistralmente, a personalidade de uma Senhora colonial, ciosa, acima de tudo, em defender seu lar e seu casamento do mau julgamento público e da perda de algum bem financeiramente mensurável.

A 'Senhora', no período colonial brasileiro - e, claro, ao longo de largos anos dos séculos XIX e XX -  deve ser tomada como uma figura central para se entender os arranjos de poder que circundavam a "Casa Grande". A presunção de coadjuvância apenas prejudica a percepção, tanto de seu papel de mediadora informal de conflitos, como de seu exibicionismo consentido durante as confrarias, quase como uma afirmação estética do poderio do marido frente aos demais homens e mulheres.

Trata-se de uma tradição forjada, no Ocidente, pelas cortes germânicas, que as luso-ibéricas importaram sem a mesma sutileza. Certa promiscuidade permeava o uso que se fazia do sexo feminino, nos banquetes e nas reuniões de negócios nas 'novas aristocracias' luso-iberoamericanas. O principal papel da mulher, da Senhora no caso, nunca esteve circunscrito à cozinha, mas sim à comunicação entre os interesses domésticos e os interesses externos, conduzidos fora da casa pelo marido.

Trazer os negócios à casa fazia com que a mulher interferisse nas negociações e nos processos. Nos encontros e bailes, por exemplo, o machismo era assumido pela esposa, que caminhava entre os homens com desenvoltura, deixando para trás o perfume da casa e explicitando, a seu modo, ou ao modo que se esperava dela, quais eram as vontades do homem que, por trás, a comandava.

No século XXI, entretanto, ainda se vê algumas mulheres comportarem-se como Senhoras coloniais. Vestidas a caráter, perfumadas e garbosas, deixam-se utilizar pelos homens, cujos desejos escusos, ao final, a elas também interessam.

Em miúdos, a mulher brasileira colonial era, tal qual Fátima Bernardes o é, uma mulher tutelada, cuja performance servia para garantir apenas que fosse feita a vontade de seu dono. Os vídeos a seguir demonstram a repetição desse estado de coisas em pleno Século XXI, na pessoa da Sra. Bonner.

Observemos Fátima Bernardes.



A ordem nesta entrevista era de sabotagem. O marido veio com toda a força, iniciou o debate agressivamente, tentando, emprimeiro lugar, despesonalizar a candidata Dilma. Seguiu, insistente, o seu objetivo de equipará-la a um embuste, chegando a insunuar sê-la "tutelada" pelo presidente Lula. Era preciso imprensá-la e o marido seguia por esta via, interrompendo-a com violência.

Fátima interpelou-a aos 2'45", referindo-se a "muitos críticos" de um tal "temperamento difícil". Repare que, na resposta, Dilma voltou a se defender, visto que, com charme, Fátima quis apenas manter o centro da conversa na desqualificação da candidata. Não há lealdade de gênero nas relações que a Senhora colonial precisa manter com outras mulheres fortes, provenientes de "espaços sociais" distintos do seu. N'alguns casos, o contato era bastante áspero. A tarefa desta Senhora Bonner era justamente desqualificar Dilma em sua feminilidade.

Nos 4'02", ela voltou a usar de eufemismos, até trazer à mesa o termo "maltratar", no que Dilma entrou no âmbito doméstico, e se fez entender pela jornalista. Aos 5'12", o marido começou a tentar contradizer a candidata, para depois sair pela tangente, quando esta lhe 'deu um caldo'.

O marido seguiu reiterando grosseria, animosidade e ignorância. Soou patético, ao carregar o sotaque para se referir aos BRICs.

Fátima reapareceu nos 10'07", numa cena que ficará marcada no jornalismo brasileiro. Ela se voltou ao marido e, com candura, pediu-lhe "só um minutinho", como que lhe impedindo de colocar tudo a perder, com sua evidente e pueril irritação. As Senhoras coloniais continuam servindo muito bem a isso: aplacar os ânimos dos maridos, gerir suas emoções, feito mães.

Passando a mão esquerda pelos cabelos, aos 10'15", Fátima tomou a palavra e encaminhou-se para um precipício argumentativo de onde não conseguiu mais sair.

O casal perdeu este 'negócio' para Dilma, porém Fátima Bernardes cumpriu seu papel: impediu que a conversação descesse ao nível da raiva implacável que seu marido expôs publicamente, ao longo de todo o baile.

Sigamos a dama.



Primeiro, é necessário falar sobre Marina Silva neste evento infeliz para ela. Corajosa e digna, porém pareceu-me ingênua.

Ela figurou num papel que este casal ridiculariza: o da mucama que se envolveu em assunto de patrões. Veja que Fátima já começou interpelando a acreana, se o eleitor se convenceria de que sua candidatura "é pra valer", ou se "serve para marcar posição", esta relativa ao Meio Ambiente.

Um dos mitos sobre as classes pobres mais propalados é a associação de seus representantes políticos com políticas não-econômicas ou, por vezes, economicamente incômodas à aristocracia. Marina tinha como vice o dono da empresa Natura, sobre a qual recaem, inclusive, denúncias de sonegação de impostos. Assim, a pergunta de Fátima pode ser traduzida por: 'acha que meu marido e seus pares se deixarão intimidar por essa sua aventura?'

Aos 02'07", o marido lembrou referiu-se à solidão institucional da candidata. Cinicamente, esqueceu-se da cobrança sobre alianças que fez à Dilma Rousseff na noite anterior. Marina, coitada, não percebeu que os tons de voz e os gestos do casal eram-lhe humilhantes e a lançaram no limbo do descrédito e, nas entrelinhas, equipararam-na à escrava insurgente, à mucama rebelde, que deve ser recolocada em seu lugar de origem.

Ao questionar seu posicionamento ético no "epísódio do Mensalão", o marido quis, desta vez hipocritamente, descredenciar a convidada, amarrá-la e rebaixá-la, num ato análogo a uma surra.

Fátima permaneceu calada, durante o açoite a Marina. Não convém a uma Senhora entromenter-se no castigo de uma escrava de cristas largas.

Então a Senhora, aos 10'16", questiona sobre a falta de eficiência de Marina durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente. A convidada não percebeu o embuste da Senhora que, ao lhe dar o último gole d'água deu-lhe, na verdade, uma mistura forte de vinagre e sal.

Ao longo de 12 minutos, Marina foi usada para atacar seu antigo partido político, cumpriu o script pre-estabelecido pelo casal e saiu machucada do encontro - capturada e surrada, no tronco, conforme o planejamento da Casa Grande.

Até que ocorre a confraria e a Senhora se sente à vontade.



Neste evento, a senhora utilizou de todo o seu charme caricato para encantar o convidado e, assim, tentar contaminar com seu encanto todo o público (tele)presente.

Este foi o encontro dos amigos, para selar a parceria e para congratularem-se. Lá estava a Senhora transitando lânguida, sedutora, entregue aos 'mandos' do convidado ilustre, de modo a cumprir o desejo do marido, qual seja, demonstrar todo apreço da casa por sua presença.

Não há o oferecimento do seu corpo, porém vemos claramente que ela é um presente a ele entregue, com desvelo. A mulher despersonalizada, subjugada por uma mão masculina ao seu lado, a mercê de seus interesses, parcialmente dona de sua vontade, delegada dos direitos do macho, seduz um outro macho, mantendo dele uma distância confortável porém nada discreta. Suscitar a traição somente sublinhariam a parceria firmada entre os dois homens ali presentes.

A esposa, rica, culta e, portanto, aristocrática, tal qual uma mulher colonial das classes altas, em pleno século XXI, ao vivo, para todo o Brasil. Espetáculo ignóbil!

Fátima Bernardes talvez não tenha se atinado para isso, todavia é evidente: 'o império' desta senhora já passou, sua figura feminina não condiz com as aspirações da maioria das mulheres jovens, no Brasil emancipado.

Sobre os convidados à casa dos Bonner, digo apenas: Dilma está no caminho certo, Marina precisa tratar seus complexos de inferioridade e José Serra deve parar de acreditar que a Casa Grande é maior que a praça da cidade que ele finge enxergar.

domingo, 11 de julho de 2010

A julgar pelas aparências

Fazer uma breve análise destas três capas da Revista Istoé Especial - Encontro com os Editores é  um exercício de leitura semiótica de grande qualidade para quem estuda política no Brasil.  A constatação a que eu chego é que os marketeiros, em sua maioria, não se atentaram para o quão largo é o escopo do seu trabalho e o quanto deveriam todos ser cuidadosos com os detalhes mais ínfimos. Ou não conhecem seus clientes, ou não conhecem o eleitorado que desejam cativar.

Desde já, opino que Dilma foi a que melhor se saiu na capa da Istoé e já falarei sobre suas escolhas para a foto. Vale apenas comentar que, ao que tudo indica, os retratos foram feitos por ocasião da entrevista. Os candidatos estão com as mesmas roupas com que aparecem nos vídeos, apenas a maquiagem foi retocada e a pose ensaiada de acordo com as circunstâncias. Achei justo o parâmetro para a produção da fotografia e por isso penso serem estas capas exemplos interessantes do quanto podem estar equivocados, tanto José Serra quanto Marina Silva, no que diz respeito às espectativas do eleitorado brasileiro, nestes tempos de afirmação nacional e de crescente pujança econômica.


Dilma Rousseff (PT)

Rosto: Olhar firme, resoluto, maquiagem discreta e feminina. Olha para frente, sem medos. O rosto todo exposto às luzes confirma a boa saúde. Seu semblante é simpático, com sombrancelhas que, por sua vez, confirmam seu ar de comandante, além do orgulho de ocupar esta posição. Aberta e sincera, Dilma não parece insegura ao apresentar sua face e sua mensagem.
Mãos: Unidas, a esquerda sobre a direita, envolvendo-a. A cabeça apoiada nelas, pende para a esquerda, gerando uma informação uniforme, que afirma sua tendência política. Como que uma seta se forma de um canto a outro da página, partindo do braço direito de Dilma , dirigindo-se ao É, de Istoé. A seta é ascendente.
Cores e formas: Além desta seta á esquerda, a imagem apresenta uma forma que insinua muita segurança e bases sólidas. A cabeça sorri, amparada pelo ombros que dividem a página. As mãos formam um triângulo que, ao se combinarem com a abertura do blazer, esta tbm um triângulo invertido, ajudam a dar sentido ascendente à fotografia. A cor azul e o bege do blazer acentuam a leveza do semblante da candidata. O relógio remete à gestora ciosa, cumpridora de prazos, um acessório absolutamente coerente com sua imagem pública.
Mensagem geral: De rosto renovado, Dilma diz de onde veio, aonde pretende ir e imprime empatia à sua imagem. Para o alto, avante e à esquerda. O ceu é o limite. As citações e a chamada funcionam como um complemento ideal à foto. Com ou sem interesse em protegê-la, a foto foi tão bem resolvida simbolicamente que, mesmo um letreiro que a tentasse denegrir, certamente esbarraria na força de sua imagem.

Marina Silva (PV)

Rosto: A candidata expressa fragilidade nesta foto. Posicionada de lado,voltada à direita, Marina não parece confortável. O olhar é um tanto cansado e o sorriso é por demais tênue. Eu poderia dizer que apenas o lado esquerdo de seu lábio sorri, timidamente.
Mãos: A mão esquerda parece amparar o rosto, ou sentir-lhe a temperatura. Ou ainda parece querer impedi-la de se voltar ainda mais à esquerda. Esta mão trai-a. A mão direita, oculta, parece estar a amparar a congênere. A meu ver, ocorre uma luta entre mão e rosto. Uma imagem intrigante para mim, por parecer mostrar um auto-abuso, o verdadeiro preço que ela paga a si mesma para estar ali.
Cores e formas: O verde, sim, o verde. A escolha óbvia, para localizá-la novamente no panteão político. As bordas escurecidas, no entanto, acentuam o ambiente claustrofóbico em que se meteu a candidata. Tudo leva a criar uma impressão de opresão sobre ela e o mais inusitado é perceber esta teimosia dela em se voltar à esquerda.
O seu corpo não ocupa toda a extensão da capa, parece ter sido posicionado por uma segunda pessoa. O seu semblante é o de uma pessoa febril. O casaco grosso ajuda a manter esta idéia de fragilidade e os anéis parecem mais amarrar seus dedos que adorná-los.
Mensagem Geral: Marina parece forçada a fazer o que não quer. Perdida e frágil, sua imagem a mim apenas denota o seu desconforto para com o lugar que ocupa atualmente, embora seja visível seu esforço em se forçar a ao menos aparentar o contrário.




José Serra (PSDB)

Rosto: Serra força-se para parecer o que não é: "meigo". Seu riso é sem alegria, e seu olhar é duro e perfurante. A tentativa de sorrir com simpatia lhe é negada pelo peso inerente ao olhar e a sua 'volta à esquerda' demonstra, na verdade, que ele já não se encaixa no papel. A vista cansada não o ajuda e ele sofre de um mal que nada tem a ver com a beleza (ou com a falta dela): Serra não consegue expressar sentimentos e emoções mais gratificantes. Titubeia quando pretende apenas esboçar alguma empatia.
Mãos: A mão esquerda recebe a cabeça, sem ampará-la. A mim, causa desconforto perceber que a 'estrutura' formada pelo dedão e o indicador dobrado não são suficientemente fortes para suportar o seu crânio de fisionomia tão pesada. Ademais, o dedão, em vez de apontar para a esquerda, aponta para trás, dada a posição do corpo frente ao eixo da fotografia, o que dá ao retrato um sentido que não é de modo algum agradável a este candidato de oposição.
Cores e formas: A cor escura do terno e a infeliz escolha da cor de fundo dão um ar soturno à fotografia e expressam muito mais o ambiente de um filme de horror do que a propaganda de um homem que diz haver se preparado toda a vida para presidir o país.Talvez a intenção fosse apresentar sobriedade, contudo o resultado remete a exatamente o tipo de 'castelo' em que ele não pretende, àquela altura da disputa, ver-se associado.
Mensagem Geral: Eu, no lugar de Serra, processaria toda a sua assessoria de comunicação.

A julgar por estas imagens, dá para ver claramente quem se apresenta como vencedora. Antes disso, quem se apresenta como uma candidata com força na disputa. A mim, espanta terem tantos assessores se esquecido das lições de semiótica e deixado de cuidar bem da imagem de seus clientes. Se a imagem vale alguma coisa nesta nossa "cultura do visual", somente Dilma parece ter uma equipe que, efetivamente, a ajuda a ser a Dilma que todos querem ver em frente às câmeras.