Sucessivas imagens de ratazanas roendo corda, limpando as patas, brigando entre si etc.
BG Som de ratos Sobe música
LOCUÇÃO:
FHC fez muita coisa ruim ao Brasil, a principal delas foi não controlar os radicais do PFL.
Com o apoio de FHC e de Serra, eles comiam o Brasil. Foram os mestres da corrupção e da perseguição a adversários.
O PFL sempre foi um perigo para o Brasil, desde quando se chamava Arena e ajudou a fundar a ditadura em nosso país e, mesmo assim, esteve lado a lado com FHC, durante seus dois mandatos. Foi o PFL que inventou os mensalões e os ensinou ao PSDB e mesmo assim FHC quis o PFL do seu lado e Serra também o quer.
Para enganar o eleitor, mudaram de nome pela quarta vez e agora gostam de ser chamados de DEM e FHC os aplaudiu.
É do DEM, antigo PFL de FHC, o primeiro governador a ir para a cadeia no Brasil e todos os piores títulos que a história pode conferir a um partido político.
Close num ratinho bem bonitinho.
O vice de Serra é um radical do DEM. Dá para acreditar que eles sejam democratas?
Zoom out imagens ratazanas. Lentamente, a corda forma o mapa do Brasil.
LOCUTOR:
O Serra é a ultima chance dos radicais do DEM voltarem a roer o Brasil.
É isso que eles sabem fazer pelo nosso país.
Letreiro e Locução:
O Brasil não é mais a favor do DEM e o DEM nunca foi a favor do Brasil.
Uma negativa ao texto anterior: ACM Neto não é o candidato mais vermelho das ruas da Bahia. Há um outro colega dele que segue surfando a mesma onda vermelha: Aleluia!
E lá estão, com ele, candidatos à Presidência, ao governo do estado e um outro senhor... Não sei bem que seja ele.
Diante de imagem tão insólita, transtornei-me: serei eu um ignorante político? Terão as facções hegemônicas em meu país trocado entre si suas identidades visuais? Seria o ARENA-PFL-DEM o mais legítimo representante do comunismo no Brasil? Se assim o for, pronto, assumo minha estupidez. Porém, se não o for, o que vemos aqui?
Partindo da segunda hipótese, temos um candidato ao senado que não será eleito, apelando para o recurso que lhe pareceu mais vantajoso, no arfã de facilitar o esperneio durante o afogamento: assumir a feição do opositor, para confundir o cidadão baiano, dando-lhe a impressão de que é igual a ele, que é o preferido pela população, segundo os levantamentos de intenção de voto.
Assim como no caso de ACM Neto, cuida o candidato a Senador de reduzir a uma fina fumaça, ao longe, o legado de um finado cacique, na mão do qual ao menos dois destes rostos no cartaz foram forjados, por tapas e afagos sempre oportunistas, porém autorizados pelos próprios estapeados e afagados.
O eleitor se lembra, por sua vez, dos tapas que também levou. Tapas azuis, como azuis foram os anos depauperados que nos trouxeram até esta tal onda vermelha, objeto de um fetiche indissimulado, na qual todos querem pegar uns jacarés. Todavia, o baiano sabe não ser azul o conteúdo verdadeiro das idéias por trás destes risos um tanto forçados e, para quem os conhece de perto, bastante "aterrorizantes".
Ingenuamente, para se fazerem mais críveis nesta mensagam ignominiosa, tentaram usurpar também o vigor da indignação e a justiça do bom combate. Atrelaram, pois, ao vermelho e ao riso, o cinismo de uma artimanha sem nexo, capaz de impressionar apenas os jovens bonitos que lhes servem de seguranças. Afinal, "Justa causa" seria o motivo para que um petista ou comunista exigisse a substituição do vermelho no muro e na fotografia, a fim de que seu patrimônio simbólico fosse preservado em seus domínios políticos, para o bem da democracia brasileira.
Como não vivemos em um mundo justo, fica exposto, no bairro da Pituba, em Salvador, mais um túmulo de uma complexa ideologia, dominante por décadas na Bahia (e ainda forte em São Paulo), segundo a qual um tapinha nas costas em dias de eleições, ou um saco de farinha, um colchão, um botijão de gás e um emprego, oferecidos ali, na hora da negociação do voto, por meio de intermediários sem fé, compunham todo o conjunto de símbolos que levavam as massas a acreditarem em suas falácias.
Azul parece ser a cor da tristeza, ao menos a destes homens, hoje em dia. O povo discerne bem um muro do outro, tanto que nenhum destes da foto, ao contrário de ACM Neto, parece ter grande chance de vitória neste pleito.
Em 2010, as pessoas pedem mais que isso, porque já sabem que podem mais. As pessoas querem símbolos de liberdade e de compromisso com a equidade e a igualdade, mas símbolos honestos, reais; as pessoas pedem o que Estes senhores do cartaz não têm e que, assim cinicamente, na falta de uma cor alvissareira, servem-se de cor e da motivação por justiça alheias.
O pronunciamento do Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) no Supremo Tribunal Federal, na manhã de 03 de março de 2010, em Audiência Pública a respeito da manutenção do sistema de cotas em universidades públicas, interessa pelo caráter retrógrado, que revela haver no Brasil, ainda, vozes que hipocritamente reverberam noções falidas de brasilidade e estimulam a negação e a desvalorização das heranças africana e ameríndia, predominantes em quase todas as nossas representações culturais.
Contudo, é óbvio que estes ecos de um passado que teima em se manter aceso só poderiam surgir de uma voz atrelada a um partido como o DEMocratas. Os autores citados pelo senador, a ideologia subjacente e a evidente precaução conta a africanização do Brasil, mostram que não se esgotaram as razões para a luta pela afirmação dos direitos de negros e índios (e, obviamente, miscigenados), subjugados violentamente pela ânsia euroamericana de explorar recursos naturais e materiais à custa da escravidão (o Deputado Ronaldo Caiado estava presente) e morte (efetiva ou simbólica) de parcelas importantes da população brasileira.
A participação do Senador inicia-se aos 32 minutos, contudo não deixa de ser interessante a contraposição de argumentos anteriormente à sua intervenção.
O argumento das "cotas sociais" apresentado por Torres desconsidera, dentre outros pontos, que:
- Muitos dos "pardos" do IBGE são pretos embranquecidos subjetivamente; - Muitos dos brancos são, na verdade, pardos; - O ideal do embranquecimento é a grande violência étnica ainda em tela no Brasil: cabelos alisados, roupas de marca, namoradas louras etc;
A discussão sobre ações afirmativas tem a vantagem de levar o indivíduo pobre a refletir e a reconsiderar a expressão de sua auto-imagem. Faz também o Brasil questionar se não é cruel e discriminatório apoiar subliminarmente a extinção do homem negro, seja por sua associação constante a mulheres enlourecidas ou a perseverante inculcação na mulher negra da preferência por parceiros (mais) brancos.
Ademais, não estão interpostos, nas propostas de quotização de vagas unversitárias, limites para a agregação de pardos, ou brancos. Podem ser construídos critérios de inclusão pelas cotas que abranjam o nível de vulnerabilidade econômica. Contudo, efetivamente, os pobres no Brasil são mesmo - parafraseado Gil e Caetano - "todos pretos" ou "quase todos pretos".
As forças conservadoras brasileiras ainda teimam em eliminar oportunidades aos negros, proque sabem que, quando os pardos se reconhecerem e se afirmarem com deferência à história de suas linhagens, teremos muitos mais negros e índios lutando para a ampliação do sistema legal de políticas afirmativas e assumindo cada vez mais predominantemente postos de poder. Sonho com o dia em que, no Brasil, não se fabriquem mais "brancos", como os de Fontes, ou mesmo "pardos" como próprio Demóstenes Pontes.
Quanto à citação de Gilberto Freyre: além de ignóbil e de demonstrar a preguiça intelectual do senador, a lembrança deste traço parcial e ultrapassado da produção intelectual brasileira soa-me desrespeitosa, inclusive, com a "avó mulata" do parlamentar, provavelmente fruto de uma relação sexual forçada, entre um "senhor" pardo e ela, uma serviçal negra ou mulata; no sec XVII, éramos uma imensa nação de mestiços relegados à ralé, ou compontentes de uma ínfima aristocracia parda na alta classe.
Por sua vez, a alegação da participação dos africanos no tráfico de escravos, além de aviltante, já foi posta em cheque por amplos setores da inteligência brasileira e internacional, justamente porque desconsidera a profusão de nações levadas a se reorganizarem em África, após a chegada do europeu. Fenômeno análogo ocorreu na América, com o acirramento das disputas entre nações indígenas, sob a interferência e a ingerência européias. O argumento de Demóstenes cria a mesma relação entre "Africa subsariana" e selvageria, que homogeniza pejorativamente uma África retalhada pelo vilipêndio e pela exploração empreendidos pelos Estados "civilizados" do velho continente.
Demóstenes prova que lemos realmente com o olho interior e o dele é segregador e embranquecido.
P.S.: Aproveito para deixar aqui o link para um dos meus poemas a respeito da miscigenação brasileira: Entre nômades e bravos
Parece às vezes que a Mídia Direitola vem expulsando José Serra da disputa eleitoral de 2010 e forçando uma indicação do Aécio Neves pelo PSDB. Para Aécio, no entanto, estar com o DEM não é o melhor negócio, ou Ciro ver-se-ia tentado a antecipar uma aliança? Será que deixariam que Dilma passasse tranquila, sem adversário pela esplanada… Jamais!
Bom, penso que dois fatores inviabilizam cenários eleitorais sem Serra – baseando-me no que eu suponho passar pelas cabeças dos indivíduos em questão:
1. O orgulho e a vaidade. Serra se verá entre a cruz e a caldeirinha e procurará terminar sua carreira com o mínimo de … pose;
2. As biografias dos PSDBistas nesse limiar de 2010. Alckmin perderia a chance de compor um novo bloco de oposição (com Aécio, Marina e Ciro), se aceitar perder SP. Precisa garantir sua sobrevida política até 2014, porque, até lá, "metade" simbólica da política brasileira terá ruído e não sobrará traço de DEMos em postos importantes. Melhor se emancipar para cultivar alguma hombridade, ou sabor, se preferir.
Aécio sabe que ele poderá concorrer um dia ao lugar do “Farol da Alexandria” e sabe que, se tentar a presidência e perder a eleição, ficará fora de cargo eletivo federal até 2014, acompanhado pelo DEM/PFL e isto é muito tempo pra quem é supostamente um dependente. Tendo, por outro lado, o aval enfático de Ciro Gomes, não pode saber qual seja pior: o abraço fedorento de DEM, ou a língua frouxa de Ciro.
Ciro ainda é um sectário pernóstico e falastrão. Ele facilmente exporia, hoje, o caráter juvenil, retrógrado e irresponsável da atitude política de ambos, se reunidos numa mesma chapa. Melhor adiar esta possibilidade, dada também a presença de Lula.
Ninguém mais no PSDB se interessa por lançar uma candidatura à presidência e, entre os partidos aliados, ninguém apresenta as condições para tanto.
“Whatever will be…” Imprensado por seus próprios tentáculos ardidos e acuado, Serra sabe que, se fugir, aí é que perde tudo mesmo, principalmente São Paulo (se bem que, dizem, paulistas gostam de eleger covardes).
Portanto, Serra não desistirá, nem a Globo deixará de apoiá-lo. O que estão fazendo é servir-lhe mais do seu próprio veneno de medo, como aquele amigo que lhe perfura a ferida sobre o nervo inflamado, uma vez que amigos, sim, sabem nos assustar.
Esta candidatura será "o inferno astral de Serra". Contudo, também estou curioso sobre o que pode acontecer até lá. Por sua triste característica, espero tudo dele, principalmente que ele corra de uma iminente derrota por uma "fantoche" petista, mesmo que depois do seu aniversário. Sabe lá São José.
Soa-me tão mal. Não me resta dúvida da posição política deste jornalismo. Muito orientados, os repórteres culpabilizam a gente miserável, na ausência proposital do gestor público.
Saibamos que o Governo é PSDB/DEM. E a Subfrefeita é Soninha PPS.