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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Há alguns dias, eu li  uma nota do blog do repórter das notas, Cláudio Humberto - fiel escudeiro de Collor presidente, jornalista que anunciou sua descida última da rampa com uma nota - em que ele tentava ligar Lula à Delta.

Eu não duvidaria se soubesse que as construtoras vêm financiando muitos candidatos de diferentes partidos, configurando esquemas de caixa 2 em cada media prefeitura, em câmaras legislativas, secretarias e ministérios. Sobre isso, tem-se a conclusão óbvia: Os processos eleitorais não podem ser tratados como 'feiras', sob risco de os Governos e Mandatos parlamentares ficarem reféns de quaisquer interesses "de mercado".

A questão subsequente é: que tipo de parceria foi firmada entre os indivíduos e instituições com o esquema criminoso? São sócios nos lucros que obtém com as negociatas e nos jogos de influência nos meios oficiais? Entram em acordo sobre pagamentos regulares de propina, verdadeiras mensalidades?

Poderá ser aberto um caminho com a CPI do Cachoeira, que passará pela tentativa de impeachment de Lula em 2005, chegará aos mensalões do PSDB em MG, SP, GO, RS e SC, sairá varrendo as duas últimas décadas, a partir de Itamar Franco.

O Brasil, pela via democrática, opta desde 2006 por alimentar o PT, jogando-o cada vez para ser levado por bancadas oligarcas ou conservadoras,. Talvez, vejamos nascer,em  uma nova esquerda, por vezes conservadora, e uma nova direita, por vezes mais liberal nos costumes, ambas mais modernas, horizontais e heterogêneas.

Repor "capital político" em partidos e políticos demasiadamente comprometidos com as forças hegemônicas de 1950 a 2000 representaria voto no atraso e na concentração de poderes econômicos e políticos nas mãos dos ratos que restaram da Antiga República Brasileira.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Jornalismo como drama

Um quadro do CQC, com Danilo Gentili, que tenta fazer Dilma sorrir.

Antes, o repórter logo mostra nunca ter ido a um encontro de partido. Aborda políticos equivocados, populares "petistas" e "socialistas", que não conhecem CQC mas já desconfiam da Bandeirantes como direitola, além de Eduardo Suplicy, Mercadante e, claro, Dilma.





Outro quadro do CQC, com Rafael Cortez, no lançamento do filme sobre Lula, a fim de "chegar" em D. Marisa.

Este explora o tema do uso eleitoral da película, brinca sem ofender com os atores e, entre os políticos, se torna objeto da picardia e chega a entrar em vexame com Berzoíni.




Uma boa maneira de comprovarmos o caráter dramatúrgico do jornalismo que assistimos hoje é ver este programa, que altera a prática jornalística dotando-a de humor piadesco. Cada repórter do CQC é, antes, um ator. Não é a toa que muitos deles procuram reverberar suas famas em palcos pelo país, com peças de "stand up comedy".

A equipe de apresentadores do CQC tem um lider, que a cada dia me parece mais perdido entre as obrigações contratuais com a emissora e com seus patrocinadores e as intenções ideológicas que lhe são tão peculiares. Mesmo na convenção moderna, pós-guerra, subsiste a mentalidade à direita. Quando criticam as bandeiras da esquerda ou instigam "vamos ver se ela (Dilma) sabe agitar o povo... que nem um político?" acabam por apenas esclarecer o público sobre suas tendências ideológicas.

No confronto de Gentili com os partidários, ficou-me a ordem da mulher (eles omitem os nomes de quem eles não consideram relevante, deve ser), quando ela disse: "Fique tranquilo!" Pensei que ele foi corajoso ao publicar o momento em que uma mulher do povo, de fala simples, lhe tirou a palavra. Quando ele tenta teimar com o petista sobre a origem politica de Dilma, se do PDT ou do PT, ele somente parece pernicioso e tosco. O interlocutor foi bem mais digno.

Cortez é simpático e mais interessante, a meu ver. Porque ele é engraçado e se expõe sem medo (a bronca de Juliana Baroni de que ele "não liga" foram surpreendentes e divertidas). Daí ele não ficar tão evidenciado com a linha editorial do programa. Ele correu para tentar "chegar em D. Marisa" e ao "chegar nela" o que se viu: uma mulher muito simples, que reconhece seu lugar de brasileira branca e pobre, 'como pode, branca?' - parece-se perguntar o cortez, enquanto a parabeniza e a beija, - por que branca?

Foi engraçado o respeito do repórter por alguém tão caricaturável. D. Marisa, uma dona de casa prendada e carinhosa, primeira-dama, a esposa de Lula. De duas, uma: ao Cortez do CQC, ela é vencedora por ser branca ou por ser mulher de Lula. Qualquer dentre estas hipóteses confirma sua profunda predileção pelo presidente petista.

Outro ponto a favor de Cortez é a manutenção da fala de Berzoini, sobre serem mal geridos os recursos da Band. Cortez fica pequenino no evento, sem perder a graça. Gentili somente parece deixar um cheiro horroroso de pum no ar.

De volta ao estúdio, o líder e seus meninos, que o ladeiam, riem de suas piadinhas rasas, bobas, tristes, porque rancorosas. CQC optou cedo demais pela facção direitola, agora vêem seus talentos individuais se agregarem à idéia atrasada de quem segue a história real, a das massas insípidas, apenas pelas janelas de seus carros ou pelas câmeras dos colegas jornalistas, porém jamais pelo traço engraçado de um artista verdadeiramente humorado.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O drama como documento

Eu descobri por que a mídia direitola tem tanto medo do filme sobre Lula: ela conhece bem o valor de um drama.

Quando comunicados como ficção, os dados, verídicos ou imaginados, passam a plainar sobre as emoções e toda reação a eles passa a ser imediata e marcante.
Há que se estabelecer um trauma porterior no indivíduo em relação à realidade daquela informação, para que ele se desvencilhe de uma certeza a que foi convencido pela comunicação dramática. Isto é, para se descaracterizar a conclusão de um drama, há que contradize-lo veementemente, como ocorre, por exemplo, com o decurso do tempo e os filmes de ficção científica ou com a História, frente ao jornalismo mentiroso ou especulativo.

A despeito das variações da notícia em relação ao fato retratado, próprias da parcialidade intrínseca às criações humanas, não se pode presumir que o jornalismo deva ultrapassar o fato. A mídia direitola tem testado os limites da invenção ficcional aplicada à História e portanto treme nas bases quando vê surgir um filme sobre o Lula com caráter documental. O que nenhuma novelas tem conseguido mostrar, o filme sobre Lula o fará desde a primeira cena.

Era este um dos males que as elites outrora hegemônicas temiam em relação a si mesmas: o contraste do público com as suas origens. Ao expor sua versão de Brasil, Lula desmascara o granfino rico, branco, letrado, frio oportunista, que lhe surgia sazonalmente em busca de votos, a inaugurar bicas, ou a distribuir promessas.
E ainda relativiza, no campo das representações, o poder da televisão face a outros meios e veículos de comunicação, especialmente o cinema.

Assim, na contramão do jornalismo imaginado, a tecnologia revela à realidade um herói vivo pela ficção e, com este herói, esse filme plantará um Mito na História - e vice versa - e os deixará bastante poderosos. Sendo assim, o filme sobre Lula fará definhar de vez um certo jornalismo, que se apoderou dos meios de comunicação brasileiros há pelo menos quatro décadas.

Poucos filmes funcionarão tão bem como discursos políticos, como nunca eu havia visto reportagens tão cinicamente ficcionais, como as que acabaram por se tornar comuns no Brasil. Não admito essa forma de expressão de verdades. Os Barreto experimentam uma certa forma de fazer cinema de massa no Brasil, por isso penso que a escolha do tema por eles se deu isenta de outras motivações que não comerciais.
Há que se conferir o resultado, para se saber se a história estará bem contada. Porque a extraordinariedade de um drama bem construído e emocionante é somente passível de nascer, ou da imaginação de um profícuo artista, ou de vidas sensasionalmente vividas.

sábado, 17 de outubro de 2009

Nós e outros

Admito que polarizei Lula x FHC, no último post.

Acredito, sim, na polarização Estado Liberal x Social, durante as eleições para presidente em 2010. Entre os governadores, os discursos se repetirão em que medida?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mídia Direitola

Encontrei um blog que busca juntar textos de diferentes veículos de comunicação online, todos representantes da Mídia Direitola. Trata-se do Arquivo de Artigos Etc, publicado pelo redundante e incógnito "Artigos".

Engana-se quem pensar que eu criei esta expressão para me referir ao jornalismo de oposição ao governo do PT. Não sou petista de carteirinha, embora já tenha prestado anos de trabalho a governos petistas (e tbm pcdobistas, pmdbistas e um demista, à época pfl'ista).

Refiro-me a um conjunto de jornalistas que acreditam no liberalismo econômico como alternativa viável de um governo, assim como sustentam em seus discursos um conjunto de crenças (sim, não são idéias apenas) baseadas nas teorizações sobre a dependência econômica dos países em desenvolvimento, na tendência de incluir a "dependência" como percalço para a emancipação político-econômica.

Embora não tenha errado no mérito, Fernando Henrique Cardoso "pecou" por não admitir uma perspectiva emancipadora aos "pobres". Com a visão de um palmo diante do nariz, FHC desmereceu nossa capacidade, no livro e no seu exercício de poder.

Por isso, não é correto dizer que FHC corrompeu suas idéias. Exatamente ao dizer tê-las negado, ele as aplicou a seu modo: entendeu - e talvez ainda entenda - o Brasil como país sem soberania, aos parâmetros do modelo de desenvolvimento euro-norteamericano (incluamos, por favor, o Canadá nisso). Justificava suas trapalhadas com auto-piedade.

Lula, por sua vez, é a personificação da Teoria da Dependência, basilar à obra de FHC. Na "era Lula", o Brasil busca superar o atraso (tendo em vista um certo discurso acerca da hegemonia), por meio do fortalecimento do Estado. Pelo fortalecimento Estatal FHC, a seu turno, dizia não ser válida a mera superação (conformação) dos problemas e mazelas, para fins de emancipação econômica. Ele supunha que pudesse haver nacionalidade sem dominação, ou melhor, sem dependência, e certamente aos europeus coube representar o resultado histórico desta modalidade de democracia horizontal.

Por não se realizar a luta entre certo tipo de proletariado e certa burguesia/hegemonia no cenário econômico, FHC não antevia a probabilidade de revolução. Parece-me, assim, que tratou Marx como trataria os Irmãos Grimm, ou mesmo Walt Disney.
A assunção de Cardoso sobre nosso atraso (intrinseca à raça latinoamericana?) o impedia de enxergar, nos filhos do Bolsa Família e do MST, os operários e campesinos descritos por Marx, ou talvez como a superação desta idéia de exército revolucionário? (Esta última, uma possibilidade mística demais para FHC).

Esse estágio de construção, para FHC é sina, para Lula é circunstância. Mais dez anos e estaremos marxistas, ou miltonsantistas? Conseguiremos vibrar nos conselhos? Até que ponto nossa excessiva erotização é impecílio para nossa aglutinação?
Certo é que a cidadania no Brasil é potencializada pela ação estatal, contudo a convivência entre os cidadãos tem sido fomentada, e parte das últimas gerações de pobres já nasceram ligadas a movimentos sociais. A diferença crucial entre Lula e FHC é a fé no Movimento.

O empréstimo ao FMI é a principal realização simbólica de Lula, que o coloca num patamar de modernidade (quase vanguarda) americana (incluamos todos nisso) tão prestigiado, que nos converte a país soberano em processo de integração cultural com os demais países, igualmente soberanos. (Sim, por vezes sou ufano-lulista).
Lula nos nacionaliza e inverte muitos paradigmas e nega outros. Torna o PSDB em relíquia e o DEM em fóssil. Por meio de sua gerência, instaura-se a Agenda do Estado pacífico, ou vem sendo programado um antro de marginais inveterados? Só o tempo no-lo dirá!

FHC, entretanto, pouco acreditava em Brasil como Nação. Em seus escritos, morrermos engalfinhados por nós mesmos parecia o cenário esperado no futuro. A sobrevivência do povo ficaria atrelada aos laços de dependência econômica para com nações ditas desenvolvidas.
Seguia uma tendência sociológica que nos via apenas como povo. Ainda sofremos desta pecha: Povo. Nós, os outros.
Lula utiliza sua brasilidade para se tornar num líder mundial quase unânime. Sua ousadia e sua sinceridade provam o quanto FHC estava deslocado em seu próprio campo teórico.

Mesmo assim, FHC parece ter aglutinado em inúmeros jornais, organizados em rede, um conjunto de seguidores. Pessoas que cinicamente se referem a si mesmas como patéticas. Negam sobreranias, democracias e, por conseguinte, negam cidadanias. Admitem com dificuldade a capacidade emancipatória do brasileiro pobre (e também do médio), e nisso escondem-se rios de preconceito.
Fingem-se cegos, empobrecem-se. Corrente enferrujada, náufragos.

A mídia direitola é o conjunto de comunicadores inexoravelmente dependentes.
Zumbis que escrevem artigos, zumbis que os publicam e zumbis que os arquivam.

domingo, 4 de outubro de 2009

Recalque Fantástico

O fantástico cumpre seu papel de maior painel da agenda da Rede Globo e nos deixa uma mensagem clara, a respeito da vitória do Rio para sede das Olimpíadas 2016: usurpação da imprescindível participação do presidente Lula para esta conquista.

Pelé, Paulo Coelho e as demais celebridades eram tão figurativas quanto o foram para os outros países as suas respectivas celebridades. As garantias das institucionalidades, pelas vozes dos seus governantes, eram fundamentais. Claro que sempre houve uma pré-disposição do COI para com a América Latina, entretanto o Brasil não conseguiria trazer os jogos sem a grande credibilidade que o governo Lula conseguiu imprimir no imaginário mundial acerca do nosso país.

Sim, Lula nos elevou politicamente e o fez exatamente por representar o brasileiro típico que demonstra competência e altivez. É muito flagrante a tendência da direitola em nos diminuir e isso não é falácia do presidente Lula.

Repare na capa da Veja da semana passada, que trazia a seguinte chamada sobre o caso diplomático de Honduras: "Imperialismo megalonanico". Dá vontade de responder aos mandatários desta pocilga jornalística: nanico é você , não eu nem o meu país. No fim das contas, agimos bem em termos mantido Zelaya na sede da Embaixada hondurenha e, mais, mostramos a todos quem estava do lado da democracia. O mesmo se diz sobre a "marolinha" que, no fim das contas, foi marolinha mesmo, com concordância de belgas, inclusive.

Pois bem, a deliberada intenção de negar a relevância internacional de Lula é, acima de tudo, a assunção de que a suposta oposição política brasileira realmente não tem personalidade capaz de representar a nova imagem do Brasil para o mundo e para nós mesmos, brasileiros. O Fantástico representa, com esta postura, o atraso que, em breve, ficará flagrante aos jovens do Brasil.

E mais absurdo foi trazer os respeitáveis Ziraldo e Vil Muniz para apresentarem respectivamente um mascote e uma logomarca dos Jogos no Rio, como se este programa ou sua emissora tivessem alguma autorização para tal. Péssimo! Ziraldo apresenta uma moça seminua e Vik um sol por trás do perfil do Pão de Açucar.

Bom, como diria meu amigo, "apelou, perdeu!" Isso é fantástico.